Solo: Islands of the Heart | GLITCH REVIEW

Mais do que um jogo, Solo: Islands of the Heart é uma viagem pelo conceito de amor, pela forma como vemos e amamos o/a nosso/a companheiro/a. É uma provação entre o que é estar sozinho, mas também sobre o que é amar alguém. E é, ao mesmo tempo, uma autoanálise à forma como nos vemos dentro de uma relação e como agimos perante quem amamos. É sair da solidão e abraçar o amor.

A Team Gotham explora estes temas através de uma estrutura muito simples e direta, colocando-nos num mundo dividido por três arquipélagos, cada um com uma mão cheia de puzzles e onde só podemos avançar se respondermos a questões profundas sobre o nosso conceito de amor. O ritmo lento e ponderado do jogo dá lugar à reflexão, à racionalização e até à compreensão, com o jogo não só a questionar-nos sobre o valor do sexo numa relação e sobre os nossos pensamentos mais profundos – se já sentimos raiva genuína pelo nosso parceiro ou se estamos num ponto em que a relação já não no satisfaz –, mas também a fazer-nos pensar sobre os nossos sentimentos e nas respostas que damos através da presença constante do fantasma da nossa amada. Este fantasma, que vemos em todos os mapas, questiona-se sobre as nossas respostas e dá-nos o seu lado: “e se eu não for assim, será que ainda me amas?”.

Este lado filosófico e emocional ganha peso ao colocar-nos num estado constante de solidão. Apesar dos gráficos coloridos e do design cartoonesco das personagens, Solo é uma jornada solitária de crescimento e de autoajuda, que reflete o melhor e o pior de nós. Os níveis são coloridos, é certo, mas são igualmente vazios e abandonados, com a banda sonora suave e algo repetitiva a manter-nos num loop – como se não fosse a primeira vez que embarcávamos nesta aventura. A forma como o jogo vai respondendo e adaptando-se às nossas respostas é de louvar e dá à campanha uma identidade muito pessoal, construindo uma experiência que poderá ser única para todos os jogadores.

Como jogo, é muito simples e mantém-se longe da complexidade dos temas que aborda. Solo é um jogo de puzzles, onde o nosso objetivo é o de chegar a um farol para ativar os próximos níveis e arquipélagos. Para ultrapassarmos os obstáculos no nosso caminho, temos de resolver pequenos quebra-cabeças que envolvem unicamente caixas, e outras variantes, que temos de empilhar para construir um caminho até ao objetivo final. Os puzzles são simples, ainda que por vezes pouco intuitivos, adicionando novos elementos, como caixas que se colam às paredes ou caixas que se transformam em pontes, a um ritmo satisfatório e que nos encaminham ao longo dos desafios mais acentuados.

Apesar da solidão, é possível interagir com animais, tirar fotografias e até toca guitarra, mas não são o foco do jogo.

Apesar desta simplicidade, é interessante notar como a jogabilidade mantém viva a temática do jogo, com o jogador a ter de reconstruir pontes literais entre si e a pessoa que ama, aproximando-se cada vez mais à medida que a campanha avança. A dificuldade dos puzzles acompanha também a complexidade de cada pergunta, o que é igualmente de louvar. O jogo peca ao não introduzir novos elementos à jogabilidade, focando-se neste padrão sem nunca inovar ou tornar-se empolgante, mas a curta duração da campanha – que eu aconselho vivamente a que joguem de uma só vez – acaba por atenuar esta falta de variedade. Solo: Islands of the Heart é uma experiência curta e uma surpresa interessante devido ao seu foco na análise e na exploração do que é o amor, de como funciona uma relação e de como nos posicionamos perante cada uma destas problemáticas.

Devemos amar mais? Será que dar liberdade é o mesmo que nos afastarmos? Questões fortes que acabam por ser inseridas num jogo colorido, mas pouco ou nada empolgante para além das suas ideias. É mais importante reter a nossa experiência com o jogo e não o tempo que passámos a resolver puzzles. Foquem-se apenas no que sentiram ao responder às várias questões do jogo e de como isso mexeu com vocês. Solo pode não ser empolgante de jogar, mas ao menos deixou-me quente e confortável por dentro ao deixar-me com o único pensamento que devemos sempre ter connosco: eu amo a minha namorada verdadeiramente e sinto-me completo com isso. O resto é, como dizem, “peaners”.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Evolve (via Terminals)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.