Gamer com filho(s) | 1. Tempo e Dinheiro

Há dois anos, em preparação para a estreia de uma nova década de vida, escrevi sobre ser gamer aos 30 – o que tinha mudado ao longo do tempo, o que me garantiam que ia mudar e o que eu previa que iria acontecer daí em diante. Não é para me gabar, mas (gabando-me) assim de forma geral, estava certo. Ser um gamer com um filho bebé, no entanto, é um pouco mais desafiante. Confesso que ainda tenho poucos meses disto, mas há certos aspectos que são claros desde já.

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GESTÃO DE RECURSOS
É nesta altura que anuncio que durante um ano e cinco meses que joguei Dragon Ball FighterZ quase todos os dias (ênfase em quase). Este twist pode parecer uma confissão ao estilo de Alcoólicos Anónimos, mas é o oposto. A Teresa (para quem não era assíduo do Glitch TV, shame on you, é a minha mulher) não tem mais trabalho por isso e o Sebastião, nosso filho, nem sempre me deixa chegar as partidas até ao fim e desconcentra-me, mas o TRI4D não se importa e até acha que joga melhor do que realmente joga porque acaba por ganhar mais vezes. É uma questão de saber que o “meu tempo” para jogar já não é de todo meu. É preciso dar banho, aguentar o Sebastião enquanto a mãe se prepara para lhe dar de comer ou fazer qualquer uma de mil coisas cá em casa.

O tempo, aprendemos rapidamente, é flexível – há sempre um amanhã. Já o dinheiro… Com novas responsabilidades financeiras (nome de código para fraldas, consultas, vacinas, roupa que só serve por uma semana, etc.), “aquele upgrade ao PC” que não entra “na lista de coisas essenciais” teve um desfecho diferente do que antecipava: a motherboard morreu e agora não há PC para ninguém. Acabou-se o vício de Total War, morreu o sonho de terminar Below num futuro próximo e de jogar Dead Static Drive, Tunic, Hades, My Friend Pedro… Vá lá que Katana Zero quase corre no DOS. Vendo as coisas pelo lado positivo, já não passo por aquela agonia de ter decidir se jogo PC ou PS4.

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ESCOLHAS, ESCOLHAS E ESCOLHAS…
Se chegar aos 30 implicava fazer escolhas por força de uma outra mentalidade que chegou com anos e anos de hobby – FIFA perdeu o encanto e os critérios evoluem para excluir jogos como Days Gone, The Division 2 e Apex Legends –, ser pai e gamer obriga a cedências mais recorrentes e a esclarecer prioridades. São escolhas que se fazem, nem sempre fáceis ou óbvias, como prestar atenção à criança ou não perder a concentração no combate que está a decorrer. Se ao menos a criança tivesse um botão de pausa…

A bem dizer, não é preciso ceder sempre. Há como aliar as coisas – dependerá sempre da criança e do estilo de educação que se quer dar. É difícil, claro, e não evita a necessidade de ceder aqui e ali de vez em quando, mas a coisa faz-se. Mas não é a mesmo da era pré-parentalidade, pelo menos para já. Imagino que quando o Sebastião for maior a dinâmica seja outra, mas aí acabarei por ter de lidar com a violência gráfica de alguns títulos, coisa que por agora posso ir ignorando com a desculpa “ele não percebe nada do que está a acontecer ali”. Para já, as tardes inteiras a jogar viraram uma raridade e mesmo assistir a um torneio no Twitch exige ginástica e muitas pausas.

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Isto de aliar ser pai a ser gamer tem que se lhe diga. No antigamente é que era, quando o pai era uma figura de autoridade praticamente ausente de qualquer tarefa doméstica, só que no antigamente não havia consolas. É um paradoxo tramado. Mas, ainda assim, sei que é possível ser um pai presente, um marido responsável (q.b.) e um gamer não-negligente. Agora dicas concretas, essas só nos próximos artigos. Achavam o quê, que era só ler uns cinco ou seis parágrafos e a coisa ficava esclarecida? Era o querias! Como disse, isto tem muito que se lhe diga e eu agora tenho de ir jogar Samurai Shodown.

Próximo: Backlog

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3 pensamentos sobre “Gamer com filho(s) | 1. Tempo e Dinheiro

  1. Com mais de 3 anos de experiência, posso dizer que a coisa não melhora com o tempo, mas também não piora assim tanto… A minha solução atual é ficar acordado até um pouco mais tarde… No dia seguinte existem sempre as amigas gruas para me levantar da cama, mas ao menos vou com um sorriso na cara para o trabalho. xD

    Já estive melhor, mas parece que estou a volta a um estado de “tenho de jogar isto,mais isto, aquilo, aqueloutro e por aí adiante. Tenho de voltar a colocar os pés na terra novamente e tentar forca-me naquilo que mais quero jogar, porque senão vai-se toda a sanidade mental. É preciso saber lidar com “minha vida já não me permite jogar tudo, tenho de fazer escolhas”.

    O tempo nunca mais será o mesmo (bom, talvez quando ele for para a Uni ou mesmo antes na secundária), mas a malta arranja sempre forma de se esquivar umas horas para jogar. Às vezes a solução também passa por um acordo meio estranho com a cara metade…

    Venham de lá esses novos artigos parentais.P

    Btw, tens twitter? O meu é @bakum4tsu 😉

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    1. Para uma “intervenção” a quem não está a gerir bem o tempo e o volume de jogos, a segunda parte deste especial poderá ser útil (Backlog). Quanto à questão do tempo, imagino que não melhore nos próximos anos até porque quando começar a mexer-se de um lado para o outro já não há aquela tranquilidade do “pelo menos daqui não sai, mesmo que chore um bocadinho”. Vamos a ver, faço figas 😀

      Quanto ao Twitter, toda a gente é bem-vinda: @duartepf

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