Dragon Quest Builders 2 | GLITCH TAG-REVIEW

Depois de uma estreia de peso, a série Dragon Quest Builders está de regresso às consolas com uma sequela que promete solidificar a jogabilidade do primeiro jogo e adicionar novas mecânicas a uma aventura mais extensa e empolgante. Mas será Dragon Quest Builders 2 um jogo indispensável para os fãs do género e da famosa série da Square-Enix? O veredito é mais do que positivo.

Canelo – Apesar da minha experiência com Dragon Quest Builders ter sido um pouco agridoce, devido à repetição na jogabilidade e a uma falta de foco na campanha, vejo-me agora a adorar a sequela devido a pequenas alterações que melhoram por completo, a meu ver, toda a alma desta nova série. É um regresso em grande, onde a construção está uma vez mais aliada à exploração, mas com uma aventura mais estruturada, mais ponderada e com um ritmo que nos mantém empolgados não só pela descoberta de novas zonas, mas também por todas as opções de construção que vamos desbloqueando.

Dragon Quest Builders 2 é uma melhoria em todos os sentidos e é um jogo que nos agarra quando menos esperamos. Tens sentido este entusiasmo pelo jogo ou a tua aventura tem sido mais atribulada?

David – Foi mais ou menos a sensação com que fiquei ao fim de algumas horas. Não tendo jogado o primeiro, ou qualquer Dragon Quest (sim, eu sei), a minha ideia é que este seria mesmo aquilo que a produtora nunca escondeu, um jogo inspirado em Minecraft. Felizmente, é muito mais do que isso, ou algo completamente diferente, o que me apanhou de surpresa. O que encontrei foi um RPG com muitas mecânicas de sobrevivência que lembram jogos como Stardew Valley, ou um dos meus indies favoritos, Graveyard Keeper, que me puxam a jogar mais um pouco, transformando esses desejos de jogar um bocadinho em horas gastas naquele mundo aos cubos.

Canelo – Sem dúvidas, Dragon Quest Builders 2 é um jogo com claras influências do género de sobrevivência e construção, mas com um foco muito mais assente numa estrutura que o aproxima de um RPG tradicional. A ideia de reconstruirmos o mundo do jogo continua presente, mas há uma maior sensação de aventura e progressão nesta sequela, algo que se torna claro através da exploração das várias ilhas disponíveis. A própria evolução da personagem está também mais próxima dos RPG, existindo, ao contrário do jogo anterior, um sistema de evolução por níveis que influência os pontos de vida do protagonista. Há um equilíbrio entre esta aposta na sobrevivência e as mecânicas clássicas da série.

Podemos personalizar a nossa personagem e os equipamentos influenciam o seu aspeto visual, dando-nos um maior controlo sobre a sua identidade.

Dragon Quest Builders 2 é uma clara evolução e até o posicionamento dos blocos parece ter sido retrabalhado, dando-me a sensação de ser mais fácil de utilizar e posicionar qualquer objeto no mapa. Existe também uma maior variedade de armas e recursos que podemos criar, o que nos incentiva a dar aso à nossa imaginação. A presença de missões e objetivos claros criam um fio condutor que devemos seguir durante as primeiras horas, mas a jogabilidade é tão acessível e intuitiva que facilmente nos distraímos e nos vemos a explorar ou a construir novas casas apenas por diversão.

David – Até ver, achei o inicio do jogo algo intimidante, mas com tempo e atenção, tornou-se claro como éo acessível e fácil de seguir todas as mecânicas do jogo. Mesmo após a parte introdutória, já no grosso do jogo e com a possibilidade de fazer missões secundárias, há o tal fio condutor presente, que identificas, com um bom sistema de progressão que nos abre novas possibilidades. Quer pelo nivelamento da nossa personagem, quer pelas várias receitas que se vão desbloqueado. Senti que o jogo nos oferece espaço suficiente para nos ambientarmos e conhecermos as ferramentas ao nosso dispor, enquanto que, ao mesmo tempo, nos dá liberdade de cumprir objetivos de forma mais livre, através de construções ou fetch quests.

No entanto, no meio destas coisas todas positivas, há duas coisas que quero salientar, uma delas contra a tua opinião, onde encontro a posição de objetos, neste caso os cubos de construção, um pouco arcaico, onde sinto dificuldade em preencher buracos ou paredes. O outro ponto negativo é a aposta ems extensos diálogos entre personagens, cheios de textos que parecem estar lá só “para encher chouriço” e para forçar o charme que o jogo já tem.

Para além da construção, é necessário proteger as cidades de eventuais ataques e terão criar novas armas para se manterem um passo à frente dos vossos inimigos.

Canelo – Há uma aura de contemplação em alguns momentos da campanha e uma vontade em explorar e em seguirmos o nosso caminho com toda a calma do mundo. Como dizes, existem várias missões, mas o jogo nunca nos limita e dá-nos a liberdade de conhecermos as várias ilhas à nossa vontade. Claro que certos objetivos estão associados à campanha ou a atividades secundárias, mas se quisermos construir, o mundo está à nossa mercê.

Eu compreendo essa dificuldade e posso dizer que foi um dos problemas que identifiquei no primeiro jogo, mas vi-me a dominar o posicionamento dos blocos com uma maior facilidade. Sinto que o jogo está mais fluído, mais rápido e responsivo, com a personagem a deslocar-se a um ritmo perfeito para este tipo de jogo. A presença de uma câmara na primeira pessoa, que não estava no original, é uma dádiva e ajuda muito na construção, dando-nos a possibilidade de verificarmos ao pormenor o que estamos a construir. E se quisermos ter uma experiência diferente, esta nova perspetiva dá um tom único ao jogo (ainda que feche demasiado a profundidade da câmara).

Apesar de adorar o charme da série Dragon Quest, desde as suas personagens até às icónicas melodias, tenho de concordar contigo. Existem sequências longas onde somos obrigados a ler e a reler manchas de texto que pouco ou nada adicionam à história. Senti que os diálogos quebram por completo o ritmo do jogo, mas é, a meu ver, um mau menor.

O que achaste da exploração e da possibilidade de criarmos as nossas próprias quintas? Dragon Quest Builders 2 não procura reinventar a roda, mas a verdade é que traz algumas novidades interessantes.

Como seria de esperar, o foco mantém-se na recolha de recursos e na criação de itens e objetos para criarmos o nosso mundo, o que nos leva numa viagem constante em busca de novos elementos para destruir e reconstruir.

David – Jogos que oferecem algum tipo de personalização e criatividade, levam logo uma nota positiva. Apesar de simplista, temos a nossa personagem que pode ser mais “nossa” e a criação de quintas e zonas só nossas acabam também por dar aquele toque extra ao jogo, libertando-nos da linearidade da história e das obrigações das missões. Felizmente, o jogo também equilibra a tal progressão e obriga-nos a explorar para termos os devidos recursos para criar edifícios e tratar do nosso quintal, o que nos leva a descobrir puzzles espalhados pelo mundo que me lembram as Korok Seeds de Breath of the Wild.

Aliado à parte criativa, é também ótimo termos um modo de fotografia para partilhar as nossas construções e momentos com o mundo – com um modo online a deixar-nos verificar também as criações dos outros jogadores. Enfim, há muita coisa engraçada e sente-se que estamos perante um produto completo e pronto para nos sugar a alma durante estes meses quentes de verão.

Canelo – A própria possibilidade de melhorarmos as nossas cidades, tanto a nível visual como nas mecânicas, e de conquistarmos o afeto dos moradores é muito aliciante e leva-nos a querer construir algo especial para cada zona. À medida que vamos reconstruindo o mundo, vamos tendo acesso a novas receitas e a novas possibilidades criativas, unindo assim a evolução da personagem ao florescimento das zonas.

O mundo é também mais variado e existe agora a possibilidade de explorarmos debaixo de água, seja para construir ou para lutar contra novos inimigos. É, como dizes, um jogo mesmo muito completo e sinto que ainda tenho muito para descobrir, sejam novas missões ou pequenos puzzles que podemos encontrar espalhados pelo mundo de Dragon Quest Builders 2 (que nos recompensam com Mini Medals).

A água é agora um elemento importante que podemos moldar à nossa mercê para criar ambientes mais ricos e vivos.

Se os diálogos enfadonhos são um mal menor, já o combate assume-se como um verdadeiro problema para o jogo. Tal como no primeiro, o sistema de combate é muito simples e pouco variado, tornando-se cansativo ao fim de poucas horas. Se não fosse pela conquista de pontos de experiência ou pela presença de Malroth, o nosso companheiro de viagem que nos ajuda em combate, eu teria evitado a maioria dos confrontos. É um elemento sem grande tática ou profundidade que precisa de ser retrabalhado numa eventual sequela.

David – Sim, também achei o combate demasiado simples. Diria até limitado, mesmo com alguns upgrades desbloqueados em níveis mais altos. O que é uma pena, porque uma grande parte do jogo também se faz a lutar contra criaturas que atacam as nossas belas construções e quintas, como durante as missões de exploração no mundo aberto do jogo.

Dragon Quest Builders 2 também permite ser jogado em coop, o que é uma excelente adição dado o foco na exploração e nansobrevivência num jogo de alguma forma linear. Contudo, fica a dica que o jogo requer uma progressão substancial até que possa ser partilhado.

Algo que não pode ficar por referir nesta nossa apreciação geral são os visuais, a arte e o desempenho do jogo. Tenho andado a jogar entre a Nintendo Switch e a PlayStation 4 e estou impressionado como ambas as versões se equiparam. São virtualmente a mesma versão e na televisão é fácil esquecer-me do que estou a jogar. No modo portátil da Nintendo Switch, o jogo é lindo e quase irreal, com visuais sólidos que deixam a arte animada e cartoonesca brilhar, sem se notar qualquer tipo de arestas serradas ou efeitos mais marados. Mas ainda assim, nota-se que o jogo puxa um pouco pela máquina, com a consola a aquecer um bocadinho mais do que o habitual quando comparado com outros jogos.

Da minha parte, não me deparei com problemas, mas pelo que sei, tu sentiste alguns solavancos, certo?

Canelo – Apesar de adorar a arte e o estilo visual do jogo, deparei-me com algumas falhas na performance. Nada que seja capaz de prejudicar a nossa diversão, mas senti que a versão Switch sofre de algumas quedas de frame-rate e de um certo engasgo entre zonas. Estas pequenas e rápidas paragens fazem-se sentir até na viragem da câmara, mas fora isso, não encontrei mais nada que deva ser mencionado. A performance é, fora esta falha, muito forte e suave, e não existem dúvidas que é impressionante jogar um título desta magnitude na Switch, seja na televisão ou no modo portátil. Tal como o primeiro, é um prazer de jogar na consola da Nintendo.

Dragon Quest Builders 2 é uma clara e necessária evolução da fórmula e um excelente meio-termo entre o género RPG e esta aposta interessante na construção e na sobrevivência. As melhorias na jogabilidade, a presença de novas mecânicas – como a evolução por níveis, a cooperação e a existência de quintas – e a aposta numa história mais envolvente e até misteriosa fazem com que seja um jogo imperdível para os fãs da série. Se não jogaram o original, não deixem passar esta sequela e descubram um mundo capaz de vos roubar dezenas, senão mesmo centenas, de horas de jogo.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (Switch) foi cedido pela Nintendo Portugal.

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