Bloodstained: Ritual of the Night | GLITCH REVIEW

Com a terrível popularidade dos projetos resultantes de campanhas de crowdfunding, as expectativas estavam tão altas como o receio dos jogadores para o lançamento de Bloodstained: Ritual of the Night. Com Mighty Nº 9 e Yooka Layle ainda frescos na memória, muito se pedia deste regresso de Koji Igarashi ao género que ajudou a popularizar, onde não se pedia um reinventar da roda, mas sim um retorno ao pódio e à familiaridade desta jogabilidade clássica assente na exploração. E depois de várias horas com o jogo, que se estenderam para lá da campanha principal, podemos garantir que IGA está oficialmente de regresso.

Bloodstained é familiar e muito nostálgico, assumindo-se como um regresso a casa, com a sua jogabilidade a reaproveitar algumas das mecânicas apresentadas na série Castlevania, mas limando-as para esta nova geração. Existe aqui um charme clássico, sem dúvidas, com a estrutura a seguir de perto os projetos anteriores de IGA, mas focando-se numa estrutura mais próxima dos RPGs. Em Bloodstained, podemos encontrar, para além da evolução da personagem e da sua personalização, missões secundárias, criação de alimentos e equipamentos, e o melhoramento das habilidades especiais – todos eles elementos tradicionais dos RPGs.

Para um metroidvania, Bloodstained é muito completo e apresenta uma lista extensa de itens, equipamentos e habilidades para descobrirmos e colecionarmos. Estes itens estão espalhados pelo mundo do jogo, também dividido por zonas – como todos os clássicos do género -, naquele que é um dos melhores mapas criados por IGA e pela sua equipa. O ritmo é muito mais acelerado e o jogo está estruturado de modo a dar-nos constantemente algo novo, o que nos incentiva a exploração. O design das zonas é também impecável, auxiliado por uma direção de arte competente, com a aposta em cenários mais verticais e na navegação por plataformas a darem uma sensação de rapidez e fluidez à exploração.

A aposta em modelos 3D, que complementam a estrutura 2D do jogo, promete dividir os fãs, especialmente com o género a focar-se muito mais na utilização de sprites e de pixel art para construir as suas personagens e cenários. Títulos como Chasm e Dead Cells são alguns dos exemplos mais recentes e dois títulos que demonstram como os metroidvania funcionam perfeitamente em 2D, mas Bloodstained arriscou nesta mudança de dimensão e a verdade é que adicionou uma maior sensação de profundidade e uma variedade de tons às suas zonas. Não é perfeito, mas o mundo de Bloodstained parece ser mais palpável e vivido através desta escolha.

Apesar do seu design, Bloodstained não consegue evitar alguns problemas técnicos devido ao seu baixo orçamento, algo que se torna claro ao olharmos para a sua performance e para a falta de uma apresentação visual mais cuidada e limada. A presença de bugs, como itens e personagens a ficarem presas nos cenários, de slowdowns em zonas mais intensas e a queda de frames na utilização de habilidades são alguns dos problemas que esperemos que sejam corrigidos durante os próximos meses. Por fim, temos de destacar os loadings longos no inicio de cada partida e cada vez que somos derrotados.

Mesmo com os seus problemas técnicos, Bloodstained vive da sua jogabilidade e não existem dúvidas que todos os elementos funcionam em perfeita união. A aposta na fórmula clássica do género – explorar, encontrar itens que desbloqueiam novas zonas – é segura, mas é também a grande vantagem do jogo, dando um maior foco às melhorias na jogabilidade. Os controlos são mais apurados, o tempo de resposta é perfeito, tanto em combate como na navegação dos cenários, e os saltos são perfeitos, rápidos, sempre responsivos. Ao saltos, junta-se o desvio, que é eficaz, ainda que apresente um pequeno delay entre utilizações. Sentimo-nos sempre em controlo e com uma vontade palpável em explorar e em combater, com todos os momentos do jogo a serem empolgantes. Claro que existe aqui uma certa repetição na jogabilidade, mas é impossível evitá-la numa estrutura como esta.

O combate é muito variado e contamos com um leque impressionante de armas e habilidades especiais que podem ser combinadas e utilizadas a qualquer momento. As armas são compostas por espadas, espadas pesadas, chicotes, machados e lanças, existindo ainda uma aposta interessante em armas de fogo como espingardas e pistolas. Cada arma pode ser aperfeiçoada através da utilização de técnicas secretas, descobertas através da leitura de livros (espalhados pelos mapas), e existem vantagens e desvantagens para cada uma delas, especialmente no que toca à sua velocidade e alcance.

Há um enorme incentivo à alteração entre equipamentos, algo que se sente também na criação de novas armas e equipamentos. A variedade de armas é empolgante e com a presença de um menu de seleção rápida, como um atalho, é possível criar loadouts para cada situação ou zona do jogo. Se quiserem explorar na água, podem criar uma classe vocacionada para esses ambientes, mas se têm a necessidade de se focarem na defesa e nas habilidades especiais, é também possível criar uma classe para estas situações.

Mesmo não sendo inteiramente originais, as habilidades especiais dão uma maior personalidade ao sistema de combate, adicionando novos ataques e poderes ao repertório de Miriam. Intituladas de Shards, estas habilidades dão-nos a possibilidade de absorver e utilizar os poderes dos inimigos, desbloqueando-se através da derrota dos monstros que assolam o mundo de Bloodstained. É uma mecânica próxima de Aria of Sorrow, clássico da série Castlevania, e dá a possibilidade de efetuarmos um duplo salto, atirar setas ou fogo, inverter os níveis ou caminhar debaixo de água, sendo fulcral tanto para o combate como para a própria progressão do jogo.

Os shards podem ser melhorados, através de alquimia, e a sua conquista acontece de forma aleatória, com a percentagem de sucesso a ser menor para alguns dos monstros mais raros e fortes. Tal como as armas, estas habilidades pedem para ser alternadas e existem poderes perfeitos para cada situação e para cada tipo de jogador. É uma questão de combinarem e de experimentarem.

Bloodstained: Ritual of the Night é o regresso há muito esperado pelos fãs e a prova de que Koji Igarashi continua a dominar um género que ajudou a popularizar. É um jogo que consegue suplantar todos os seus problemas ao oferecer uma jogabilidade limada e muito empolgante, seja na exploração dos seus cenários ou na implementação de mecânicas mais próximas dos RPGs. Bloodstained está munido de um bom design de níveis, de uma variedade de mecânicas e de uma harmonia saudosista que nos leva numa autêntica viagem ao passado, arriscando-se a suplantar os jogos que os influenciaram. O mestre está de volta.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela 505 Games.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.