INDIE² | Effie & Injection π23 ‘No Name, No Number’

Estamos de regresso ao INDIE.EXE com dois novos títulos lançados na PS4. Ao contrário da edição anterior, tive a oportunidade analisar um jogo de plataformas e outro de terror, dois géneros que aprecio e que marcaram grande parte da minha infância e adolescência. Mas serão estes indies recomendáveis ou a evitar? Sim e não.

Effie

Desenvolvido pela Inverge Studios, Effie é um colorido jogo de plataformas que nos leva numa viagem por um mundo mágico com várias zonas para explorar e um leque interessantes de habilidades para desbloquear. Como Galand, vemo-nos amaldiçoados por uma estranha bruxa, a temível Melira, que quer conquistar o mundo e aprisionar todos os seus habitantes. Para a pararmos, temos de ativar todas as relíquias e despertar os guardiões numa aventura curta, mas sólida.

Effie é uma bomba nostálgica e fez-me voltar atrás no tempo até a gerações passadas, onde os jogos de plataformas apostavam em mundos extensos, cheios de caminhos alternativos e colecionáveis, e onde a ação se focava na destreza dos saltos e em momentos de combate curtos, mas simples. Effie segue este modelo à risca, mas adicionando zonas ainda mais amplas e com um mapa explorável a ligar cada um dos seus níveis. Apesar da sua duração, é um jogo bastante completo no que toca aos seus conteúdos, ainda que se mantenha focado na ação e nas plataformas e em trechos de jogabilidade mais lineares.

Effie não consegue evitar alguns problemas técnicos, como bugs, quedas de frame-rate, popins e más animações, mas mantém a sua jogabilidade o mais limada possível para um projeto desta natureza. Os saltos são intuitivos, funcionais e responsivos, com Galand a ser fácil de controlar através dos níveis e das suas plataformas. Com um leque interessante de habilidades, é possível combiná-las seja em combate ou na exploração, juntamente com a resolução de quebra-cabeças fáceis. Effie é fácil de pegar e jogar, sem necessitar de uma grande habituação aos seus controlos.

Apesar da sua curta duração, Effie apresenta níveis divertidos cheios de plataformas e puzzles simples, motivando-nos a continuar em frente e a explorar o seu mundo. É o equivalente a ler um capítulo curto de um livro empolgante.

Apesar de não ser fascinante, Effie nunca se torna aborrecido ou desinteressante, ainda que o combate seja um dos seus pontos fracos. Mesmo com a possibilidade de evoluir a energia e força de Galand, através de níveis de progressão, nunca senti que o combate fosse desafiante ou mecanicamente complexo o suficiente para merecer a minha total atenção. As batalhas relegam-se a áreas fechadas com vários inimigos, cujas classes e design seguem esta falta de criatividade, onde podemos eliminar cada um dos adversários com a combinação mais básica do jogo. Existem, no entanto, inimigos que só podem ser atacados por golpes fortes, algo que pode dar alguma variedade ao combate – ainda que pouca.

No final do dia, Effie é sólido onde precisa de o ser e é uma experiência rápida, mas divertida, onde o preço e a satisfação parecem estar em total concordância. A possibilidade de explorarmos um mundo mais expansivo, através do uso do nosso escudo como uma prancha rápida, é um dos destaques do jogo e um ponto forte para a jogabilidade e o seu ambiente. Se têm saudades de um bom jogo de plataformas e já terminaram A Hat in Time, Effie pode ser uma boa distração, ainda que um pouco limitada quando comparada aos grandes nomes do género.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Inverge Studios.

Injection π23 ‘No Name, No Number’

Infelizmente, não posso demonstrar o mesmo entusiasmo por Injection π23 ‘No Name, No Number’ (Injection), um jogo de terror desenvolvido pelos espanhóis Abramelin Games. Apesar da minha curiosidade e amor pelo género, esta viagem pelo mundo do horror deixou-me um sabor amargo da boca que não consegui afastar ao fim das minhas horas com o jogo.

Consigo, no entanto, sentir o amor e o carinho da equipa pelo género e é isso que me deixa tão entristecido por chegar à conclusão que Injection é um mau jogo. A sua apresentação visual é o primeiro aviso de que se trata de um projeto com problemas, composto por cenários e modelos desinteressantes, onde as texturas dão um brilho plástico a toda a decoração do jogo. Os tons cinzentos agravam esta falta de cuidado visual e transformam Injection num borrão escuro e de difícil leitura, onde é complicado discernir os itens que podemos apanhar dos elementos decorativos.

As influências estão muito presentes e a Abramelin Games parece ter-se inspirado em títulos como Resident Evil e Silent Hill para construir e desenar o mundo do jogo, com os menus a relembrarem estes títulos através da sua funcionalidade simples e direta. O próprio foco na sobrevivência e na resolução de puzzles demonstra que a equipa conhece bem o género, mas algo se perdeu na criação de Injection. Não só a jogabilidade é muito limitada como os objetivos são repetitivos e levam-nos numa demanda constante por cenários fechados onde temos de encontrar a chave perdida para abrir uma porta que, por sua vez, nos dá acesso a um item que precisamos para seguir em frente. O problema é que não há uma coesão nestes objetivos, não há uma progressão ou uma lógica e vemo-nos a questionar constantemente as nossas ações no jogo.

Se Injection fosse assustador, poderia desculpar alguns destes problemas técnicos, mas não o é. Aliás, Injection seria mais relaxante do que assustador se não fosse pelos seus puzzles desnecessariamente complexos. Este é o grande problema de Injection, complexidade onde não há necessidade ou motivos para tal, e a Abramelin Games tem muito para trabalhar numa eventual sequela ou num próximo projeto. Apesar de conhecerem o género, não basta copiar mecânicas e fórmulas de outros jogos, há que compreender o que faz um jogo como Project Zero ser tão assustador e intemporal. Essa falta de compreensão acaba por prejudicar o jogo de tal forma que se torna complicado de seguir em frente. Os problemas técnicos são tão visíveis que nos cansam, com a nossa visão a ser constantemente limitada pelos gráficos ou pela paleta de cores.

Custa-me analisar um jogo desta natureza e deitá-lo abaixo, mas Injection π23 ‘No Name, No Number’ não é um bom jogo e não merece o vosso tempo. Existem aqui boas ideias e consigo ainda sentir a ambição e criatividade da Abramelin Games , especialmente na inclusão de vários tipos de câmaras que procuram satisfazer todos os fãs do terror, desde os amantes dos clássicos até aos jogadores que preferem jogar na primeira pessoa. Há também a aposta na história e em sequências mais surreais, com narração e uma narrativa que se nota que a equipa quis contar, mas isso não basta.

Devo, no entanto, sublinhar que a equipa tem lançado atualizações e patches regularmente parar problemas na performance e na péssima tradução para inglês, algo que tenho de louvar. Existe aqui uma dedicação palpável e espero que a equipa aprenda com os erros que cometeu neste jogo para nos trazer um projeto mais sólido no futuro. Mas até lá, Injection é e continuará a ser, com ou sem patches, uma dor de cabeça do princípio ao fim.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Abramelin Games.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.