Shakedown: Hawaii | GLITCH REVIEW

Depois de um início de ano intenso, onde recebemos jogos como Sekiro: Shadows Die Twice e Resident Evil 2, vejo-me agora a tentar recuperar o fôlego e a encontrar novos jogos por entre um enorme e extenso mar de lançamentos. Com a popularidade crescente das produções independentes, é difícil de compreender o que já saiu ou que está prestes a sair, algo que é cruel e injusto para alguns destes títulos. É por isso que Shadowdown: Hawaii, produzido pela VBlank Entertainment, é tão refrescante, dando-nos uma campanha que se assenta numa só diretriz: a diversão.

Shakedown: Hawaii é um dos jogos mais simples e diretos que joguei em 2019, algo que lhe dá uma frescura inesperada. Para um título de ação em mundo aberto, com fortes influências da série Gran Theft Auto, livra-se da maioria das atividades secundárias e dá-nos uma experiência mais arcada, frenética e divertida do que os restantes títulos do género, munindo-se ainda de gráficos que relembram o melhor da era dos 16bits. É um jogo que não gosta de perder tempo e de nos manter ocupados com o que não é absolutamente necessário para a campanha, demonstrando um foco interessante na história e no seu humor sem nunca perder o seu fio narrativo ou ao descaraterizar as personagens que dão vida à campanha.

Para um jogo em mundo aberto, Shakedown: Hawaii apresenta-nos um mapa extenso, mas fácil de ler, onde temos várias localidades e negócios locais para explorar e conquistar. Como o CEO de uma empresa à beira da falência, a nossa missão é a de resgatar o nosso império e a de derrotar o nosso maior rival – o magnata Featherbottom. A história está repleta de humor e de homenagens não só aos clássicos do género como à própria cultura da internet, que tanto parece ter influenciado o mundo do jogo. Desde apps que exploram os consumidores até à realidade virtual, Shakedown: Hawaii não tem medo de apontar o dedo e de brincar com a nossa própria sociedade através do ridículo e do exagero.

No que toca à jogabilidade, Shakedown: Hawaii não reinventa o género, mas dá-nos uma experiência bastante sólida e divertida. A ação passa-se num mundo totalmente destrutível onde temos acesso a um armamento variado e a um número interessante de veículos, todos eles fáceis de manusear. Como um jogo arcada, que funciona também como um Twin-Stick Shooter, Shakedown: Hawaii é impecável e conseguimos sentir as suas raízes 16bits na jogabilidade, desde o disparo rápido até ao foco na movimentação e no desvio de balas. A campanha divide-se por várias missões onde o foco está quase sempre na ação ou na destruição do cenário, com a variedade de armas a incentivar-nos a experimentar todas as possibilidades. No entanto, não senti a mesma variedade nas missões e com uma campanha dividida por três personagens – cada uma com a sua própria história –, é um desperdício. Há uma repetição inerente à jogabilidade do jogo que fica mais visível à medida que avançamos na história e nos apercebemos que estamos constantemente ou a lutar contra alguém ou a conquistar territórios.

O jogo apresenta várias atividades secundários que nos ajudam a melhorar o nosso império, como o roubo de carrinhas de entregas e a destruição de rivais.

Felizmente, Shakedown: Hawaii não se foca apenas na ação e nas suas missões curtas. Para fortalecer o seu negócio, o CEO tem de conquistar novas lojas e empresas e para o conseguir, tem de agregar o maio número de capital e de persuadir os seus rivais a abdicarem das suas empresas. O jogo ganha assim um foco na gestão e na conquista de territórios onde somos levados a adquirir terrenos, a explorá-los e a melhorá-los para termos um maior rendimento diário. No início de cada dia, colhemos os frutos do nosso trabalho e temos a possibilidade de continuar a comprar até que a ilha seja apenas nossa.

A aquisição de negócios pode ser feita através do mapa do jogo, onde temos acesso a todas as lojas que podem ser rapidamente compradas, ou através da persuasão dos negócios locais. Neste último caso, somos obrigados a visitar as lojas e a convencer os donos a cederem o seu negócio, seja através da força ou de outro tipo de persuasão. Esta mecânica funciona quase como um minijogo e oferece pouca variedade no que toca à forma como extorquímos estes negócios, mas com mais de 80 lojas para conquistar, há muito para encontrar no mundo de Shakedown: Hawaii.

A campanha do jogo motiva-nos a comprar novos negócios e a solidificar o nosso império entre missões, com a progressão a estar bem definida através do mapa. É possível adicionar novas práticas de vendas, como marketing agressivo, a cada negócio para aumentarmos os seus rendimentos.

Para além da campanha principal, temos ainda acesso a vários desafios espalhados pela cidade. Estas missões secundárias, que relembram o modo Kill Frenzy da série GTA, focam-se maioritariamente no combate e colocam-nos em cenários onde temos de eliminar inimigos ou destruir os cenários para atingir a maior pontuação. Os desafios são divididos por classificações, desde o bronze até ao ouro, e não influenciam a campanha para além do eventual troféu que podem desbloquear se completarem todas as missões.

Shakedown: Hawaii é muito divertido e o seu humor é contagiante, mas é um jogo que nos cansa rapidamente se jogarmos durante várias horas de seguida. A curta duração das missões é perfeita para sessões rápidas, mas facilmente compreendemos que estamos a repetir sempre os mesmos objetivos e a navegar por um mapa que é pouco ou nada explorado. Se se focarem apenas na história, a campanha resume-se a um punhado de localizações e é possível chegar ao fim sem explorar a maior parte do mapa. A IA dos inimigos também torna a experiência demasiado fácil, ainda mais se forem fãs do género. Apesar de ter morrido em algumas missões, senti que não foi pela dificuldade do jogo ou da missão em si, mas sim por armadilhas injustas ou por mortes instantâneas e sem aviso prévio – e quando perdemos, podemos recomeçar a missão ou voltar ao mapa do jogo, sem grandes penalidades.

Mas no final do dia, é a diversão que fala mais alto e Shakedown: Hawaii apresenta uma campanha cheia de alma e humor que deve ser experienciada por todos os fãs do género. Com um sistema de gestão, onde podemos melhorar os nossos negócios; três modos de jogo – Story Mode Arcade Challenges e Free Roam Mode –; três protagonistas; cenários cheios de cores e com uma personalidade muito demarcada, em especial nas personagens; e uma forte crítica ao capitalismo desenfreado e às táticas manipulativas das grandes corporações e das agências de marketing, Shakedown: Hawaii é uma distração perfeita para os finais de tarde de Verão e um jogo ideal, prevejo eu, para a Nintendo Switch.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Vblank Entertainment.

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