Blades of Time | GLITCH REVIEW

Com o crescimento progressivo da Nintendo Switch e da sua aposta em lançamentos independentes, temos assistido à popularidade de géneros e jogos que pareciam estar destinados ao esquecimento. A consola da Nintendo, que chegou em 2017, parece ser também o palco perfeito para segundas oportunidades e para jogos que procuram reconquistar o seu público ou encontrar a fama perdida. Infelizmente, o mercado digital tem sido cada vez mais implacável e jogos como Blades of Time acabam por ser exemplos de como não relançar um jogo, sublinhando ainda os problemas dos ports e das reedições na Nintendo Switch.

Lançado originalmente em 2012, para a PS3 e Xbox 360, Blades of Time sempre fora destinado ao esquecimento, partindo da sua produção muito aquém do que se via nas consolas da época e da falta de apoio dada pela sua distribuidora, a agora infame Konami. Para um jogo de ação e aventura, que por vezes nos relembra a série Devil May Cry, Blades of Time não tem muito para provar e há pouco para exigir de um título agora com 7 anos e largado numa nova consola para um novo público. E ainda assim, é difícil não ficarmos desapontados.

Este desapontamento deve-se ao potencial não explorado do jogo e ao seu foco no combate e nos puzzles temporais. Ao contrário de X-Blade, também ele lançado na PS3 e Xbox 360 e produzido pela Gaijin Entertainment, Ayumi tem o poder de controlar e manipular o tempo à sua vontade, desbloqueando novas habilidades à medida que avança pela campanha. Com esta mecânica, é possível criar hologramas, voltar atrás no tempo e eliminar inimigos através da repetição de ataques e magias. A manipulação do tempo é, por vezes, difícil de compreender e de colocar em prática devido a tutoriais pouco cuidados, mas nunca deixa de ser divertido criar várias cópias de Ayumi e lançar o caos sobre os pobres inimigos.

Se a manipulação do tempo é o destaque de Blades of Time, que encaixa perfeitamente na sua campanha muito linear e dividida por capítulos, o mesmo não se pode dizer do seu sistema de combate funcional, mas muito limitado. É estranho olhar para Blades of Time, ainda mais em 2019, e perceber que só temos dois ataques principais: ataques rápidos e um pontapé que serve para elevar os inimigos ou para quebrar as suas defesas. O sistema de combate nunca vai além destas opções, mas tenta compensar esta ausência de combinações através das magias e habilidades especiais, que são desbloqueadas em momentos fixos da campanha. Infelizmente, o combate nunca é suficientemente satisfatório ou complexo, mas é preciso sublinhar que os inimigos, que vão desde monstros voadores até a aranhas e a criaturas de pedra, complementam todas as opções que o jogo disponibiliza.

Blades of Time dá ainda destaque ao combate à distância através de uma espingarda que pode ser utilizada durante um confronto ou na resolução dos puzzles. Por vezes, parece que estamos perante um jogo de tiros e não de um título de ação e aventura, com sequências inteiras a serem dedicadas ao disparo e ao desvio rápido de projéteis inimigos. Esta aposta demonstra como Blades of Time se quer destacar dos restantes jogos do género, mas como só consegue, infelizmente, copiar e adaptar mecânicas sem lhes dar atenção ou o seu devido valor dentro da jogabilidade. O mesmo pode ser dito da movimentação de Ayumi, que é acompanhada por um duplo salto e pela possibilidade de se desviar rapidamente, onde nunca nos sentimos totalmente em controlo, como se algo estivesse ausente do jogo.

O combate é rápido e muito acessível, mas o jogo força-nos vários tipos de inimigos que interrompem a ação através de mecânicas mais trabalhosas do que intuitivas – como a destruição de escudos mágicos através de cópias temporais.

Olhando para o catálogo da Nintendo Switch, é fácil perceber porque Blades of Time é agora um estranho e peculiar exclusivo na atual geração, sete anos depois do seu lançamento original. Com a portabilidade, o jogo da Gaijin Entertainment ganha assim uma segunda oportunidade de conquistar os fãs do género que procuram uma experiência mais clássica e focada na ação, especialmente com a ausência de Devil May Cry na Nintendo Switch – pelo menos por agora – e com Bayonetta 3 ainda sem data de lançamento. Mas Blades of Time parece ser vítima de uma triste história de azar e de mau timing. com este regresso a ser marcado por uma má performance. A versão Switch está repleta de bugs, quebras no frame rate, popins e erros que me levaram ao menu principal da consola. É um jogo difícil de apreciar quando está constantemente aos soluções e a denotar a sua idade a cada combate, salto ou diálogo. Esperemos que os patches resolvam alguns destes problemas.

Blades of Time é um interessante jogo de ação e aventura que não consegue fascinar ou destacar-se num mercado cada vez mais implacável. Apesar dos seus problemas, o charme é inegável e Blades of Time é quase uma cápsula do tempo para uma era há muito perdida, onde a simplicidade suplantava serviços ou campanhas artificialmente alongadas. Adorava recomendar Blades of Time e dar-lhe uma segunda oportunidade, mas a sua performance é desgastante e a sua repetição um prego final neste caixão reaberto. Uma tentativa, sem dúvidas, mas sem alma.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (Nintendo Switch) foi cedido pela Plan of Attack.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.