Cuphead | GLITCH TAG-REVIEW

Depois de um lançamento de sucesso no PC e Xbox One, Cuphead estreia-se agora na Nintendo Switch, numa das parcerias mais inesperadas desta geração. Mas será uma aposta de sucesso ou a venda da alma ao diabo? Para responder a esta questão, o Canelo e o David voltaram a unir forças para determinar se a chegada de Cuphead à Switch é uma jogada de sucesso.

David Cuphead! O jogo independente da Xbox chegou à Nintendo Switch, pelos visto a pedido da gigante norte americana. Mas lançamento não é um simples port e apresenta-se como um relançamento do jogo, com cinemáticas animadas, pequenos ajustes de jogabilidade e uma nova personagem controlável, a chegarem até às restantes plataformas em forma de patch.

Como já joguei e passei Cuphead na Xbox, pergunto-te agora a ti como está a ser esta aventura. Já partiste alguma “caneca” aí por casa?

Canelo – Não tem sido uma aventura própria para cardíacos, mas adorei o meu tempo com Cuphead. Depois de falhar o lançamento no PC e Xbox One, vejo-me finalmente a matar a curiosidade que acumulei ao longo de quase dois anos e tem sido catártico jogar e perceber pela primeira vez o que fascinou tanto os jogadores e fãs do género. É um jogo polido, extremamente divertido e muito desafiante que consegue ser tão clássico como inovador, não só pela sua apresentação visual, através de belíssimas animações desenhadas à mão – num processo que espelha as animações da década 1930 -, mas também pela variedade de níveis, de itens desbloqueáveis e pela sua aposta em batalhas contras bosses com várias fases distintas.

Num ano que já nos deu Sekiro: Shadows Die Twice e Devil May Cry 5, dois gigantes do género de ação e ambos com um foco saudável – e quase masoquista – na dificuldade, é incrível sentir como Cuphead conseguiu embrenhar-se na minha vida e deixar-me vidrado na sua jogabilidade ao ponto de não me importar de repetir vezes sem conta os seus níveis. É um desafio por vezes esmagador, mas justo, desde que saibamos ler não só os níveis como os bosses. Dois anos depois, Cuphead continua a ser um marco no género e é isso que me tem deixado boquiaberto. Mesmo com todos os lançamentos de peso, entrei no ritmo em que só quero melhorar as minhas pontuações e colecionar todas as moedas. É de loucos!

A solo ou com um amigo, Cuphead nunca deixa de ser desafiante e apresenta alguns dos inimigos mais criativos desta geração.

David – Numa altura em que se fala muito na acessibilidade e se confunde o seu significado com a dificuldade, aproveito para ir à jugular e perguntar-te como tens abraçado o jogo. Lembro-me que podíamos escolher entre três níveis de dificuldade (com a mais difícil, Expert, apenas desbloqueada no fim) na versão original, sendo que só era possível passar para o hub seguinte com alguns objetivos passados em Regular. Isso mantém-se na versão da Switch? E o que é que achas sobre esta abordagem?

Canelo – A nova versão mantém a aposta em vários níveis de dificuldade e dá-nos acesso ao modo Regular ou Normal no início de cada partida. Só quando terminamos a campanha é que temos acesso ao terceiro modo, o Expert, que aumenta exponencialmente a energia dos bosses e o poder dos seus ataques. Como fã de jogos mais assentes no desafio, tenho jogado em normal, não consigo definir quais são as diferenças, mas respeito a inclusão de um modo mais acessível. Tendo em conta que Cuphead se foca muito na compreensão do padrão de ataques e no domínio das plataformas, seja nos níveis de aventura (run and gun) ou nas batalhas contra os bosses, presumo que a dificuldade Regular influencie ou o número de ataques ou a vida de cada inimigo. Se é assim, não posso dizer nada contra.

No entanto, adoro que exista este foco na dificuldade e uma meta que determine o progresso do jogo. Como disseste, Cuphead divide-se por três zonas que funcionam como um hub, onde é possível explorar e encontrar novos níveis, alguns segredos e até atalhos. São nestas zonas que temos acesso aos bosses e aos seus contratos, que motivam a progressão do jogo e da sua história, sem uma ordem pré-definida. No entanto, não podemos avançar até conquistar todos os contratos de cada zona, o que significa que podemos escolher a ordem de cada nível, mas não evitá-los por completo. Desta forma, é a nossa destreza que define assim a dificuldade do jogo.

Apesar da sua dificuldade, Cuphead foca-se muito em padrões claros e fáceis de compreender, ainda que difíceis de dominar. Mas se tivermos paciência e calma, iremos conseguir ler todos os ataques dos nossos inimigos.

Apesar de não ser uma evolução concreta, existe a possibilidade de comprarmos novas habilidades nas lojas do jogo. Estas habilidades podem desbloquear mais pontos de vida, uma bênção, tendo em conta que começamos apenas com três; novos ataques especiais ou até tiros teleguiados. Apesar das suas vantagens, as habilidades têm sempre uma pequena limitação que acaba por definir a sua utilização em combate, retirando algum do seu poder para não desvirtuar a natureza do jogo e facilitar demasiado a jogabilidade.

Outro fator a ter em conta é que as moedas do jogo funcionam quase como colecionáveis e só estão disponíveis nos níveis de aventura e plataformas, muitas das vezes escondidas ou posicionadas em locais estratégicos. Isto significa que teremos de nos esforçar para as colecionar, adicionando mais uma camada à dificuldade de Cuphead. Não é um jogo fácil e é certo que nos impõe metas, mas nunca senti que estava a prejudicar a minha progressão na campanha, mas sim a preparar-me constantemente para os próximos desafios.

Como amante de animação, o que achaste da direção de Cuphead e da sua aposta em técnicas clássicos e nos desenhos à mão?

David – Absolutamente delicioso. Admito que houve um pequeno pormenor que me fez alguma confusão no início, mas eventualmente acabei por tirar o chapéu à equipa da Studio MDHR, que se centra no efeito das animações com um frame rate fantástico. No início, não parecia fluir tão bem com os 60FPS do jogo. Mas sabendo que tudo foi feito à mão e testemunhando a absurda quantidade de efeitos, personagens, objetos e plataformas, é incrível a coordenação entre todo o tipo de movimentos e a sua apresentação final.

O jogo é extremamente caótico e adoro como isso nos provoca aquela adrenalina perfeita para fazer os desvios mais fixes ao último segundo. E também adoro como há sempre uma pequena solução para derrotar qualquer boss.

Há pouco falavas do progresso e sabendo que há armas e habilidades desbloqueaveis, tens algum setup preferido, que aches que seja a solução perfeita para qualquer desafio, ou és experimentalista e tentas encontrar o set ajustado a cada nível?

A loja está disponível nas três zonas do jogo e só poderão comprar novos itens se encontrarem as moedas espalhadas pelos níveis.

Canelo – O que eu acho fenomenal em Cuphead é que nunca deixa de ser um jogo simples e muito assente no seu género. É um jogo que se foca em três ações, se pensarmos bem na sua jogabilidade: saltar, disparar e desviar. Apesar das habilidade e dos novos tipos de tiros e poderes, o jogo nunca vai para além desta fórmula clássica e domina-a do princípio ao fim através de um excelente design de níveis e dos seus bosses.

Essa é uma boa pergunta, mas acho que acabo por ser mais experimental. Não tenho receio de mudar a minha estratégia e de tentar encontrar uma arma que funcione melhor com um determinado tipo de boss, mas também compreendi, ao fim de umas horas, que apenas posso contar comigo e com a minha destreza. Mas posso dar-te um exemplo em que decidi mudar por completo a minha maneira de jogar. Ao lutar contra o dragão, vi-me a perder muitos pontos de vida para as chamas saltitonas – uma descrição muito mais cómica se não estivermos a imaginar a situação. Ao não encontrar uma solução suficientemente recompensadora, decidi visitar a loja e acabei por encontrar os tiros teleguiados. O único problema? Em comparação com o tiro normal, são muito mais fracos, mas tinha a garantia que iriam acertar sempre no maldito dragão. Depois desta escolha, tive apenas de aprender a desviar-me o melhor que conseguia e a dominar as plataformas rápidas.

Também tiveste um momento destes, em que se acendeu uma lâmpada por cima da tua cabeça e sentiste que estavas a dominar o jogo por completo?

David – Quase sempre ao longo do jogo. Admito que houve níveis de plataformas que foram um passeio no parque e bosses que não tinha a mínima ideia do que estava a fazer e eram a paciência e timing que estavam em cima da mesa. Mas sim, houve muitos bosses em que encontrei aquela fórmula através dos seus padrões de ataque, algo que é na verdade imprescindível nos bosses finais e que pode ser observado logo em níveis iniciais, apesar de serem mais benevolentes.

Sobre a jogabilidade, sei que tens um comando Pro para a Switch. Pergunto então como é a experiência na híbrida da Nintendo e qual a tua forma favorita de jogar Cuphead. Encontras alguma vantagem nos comandos?

A dois, o jogo puxa pela cooperação entre jogadores e dá-nos a possibilidade de ressuscitar o nosso companheiro desde que sejamos rápidos.

Canelo – Se na jogabilidade assumo-me como experimental, já no ato de jogar não podia ser mais clássico e aborrecido. Por isso, admito que jogo Cuphead com o Comando Pro. Não só o comando está-se a tornar num dos meus favoritos, especialmente no que toca ao conforto, como me sinto mais em casa a jogar na televisão, como se estivesse ainda na década de 1990 a jogar clássicos como Castlevania: The New Generation e Gunstar Heroes. É apenas uma preferência pessoal.

É incrível ver Cuphead fora do PC e da Xbox One, mas a sua chegada à Switch faz todo o sentido. Aliás, arrisco-me a dizer que esta é a sua casa e que esta é a versão definitiva do jogo. A performance é incrível, sem quaisquer problemas que consiga identificar, e a implementação de achievements e da compatibilidade com o Xbox Live são um passo importante para a parceria entre Microsoft e Nintendo. E depois existe a portabilidade, a possibilidade de jogarmos Cuphead em qualquer lado, sem interrupções e com uma performance igualmente impecável e fluída. É um sonho tornado realidade.

Dois anos depois, Cuphead volta a ser um dos destaques de 2019, na minha opinião. É um jogo desafiante, mas muito envolvente e com uma jogabilidade tão apurada e limada que não encontrei quaisquer problemas tanto na fluidez dos controlos como no seu tempo de resposta. É de louvar. E mesmo num ano cheio de excelentes lançamentos, Cuphead é capaz de os enfrentar de peito cheio e de se assumir como um dos melhores de 2019. No que toca a jogos de plataformas, não vejo nada melhor a sair ainda este ano, mas deixo espaço para ser surpreendido.

David –  Enquanto não-fã de jogos que não gostam de nós, senti que Cuphead me desafiou constantemente a chegar mais longe muito graças à sua apresentação e níveis extremamente bem desenhados. Admito que me apanhou de surpresa e acho que é um jogo bastante acessível e convidativo apesar de tudo o que aqui dissemos e encontramos pela net fora. Não sei, na verdade, se quero mais Cuphead (como uma sequela) mas este é, para já, intemporal.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (Switch) foi cedido pela Popagenda.

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