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Indies, AAA, 2019 e Eu

Apesar de só ter terminado Transistor dos quatro lançamentos da Supergiant Games, a produtora indie está possivelmente no top 5 das produtoras que sigo afincadamente, certamente no top 10. Posto isto, não será surpresa dizer que a revelação de Hades ter sido um dos pontos altos para mim do último The Game Awards. A revelação de Hades, no entanto, teve dois pontos que me deixaram apreensivos: exclusivo da Epic Store e é um título em acesso antecipado (early access).

Porquê apreensivo? Porque é difícil conceber um concorrente ao Steam e porque não sou adepto de jogos em acesso antecipado – quero a experiência completa, não incrementos, e a Supergiant é conhecida por oferecer experiências narrativas com personagens interessantes. Como é que isso funciona num jogo que está a ser mexido e remexido a toda a hora? E por esta razão, Hades saiu-me da ideia… até ontem, quando me cruzei com um vídeo do canal Noclip sobre a produção, revelação e lançamento de Hades. So many feels…

Ao mesmo tempo que o combate dinâmico de Hades me encanta e me leva a contemplar comprar o meu segundo rogue-like/lite (Below foi a minha estreia), jogadores por todo o mundo já se desencantaram com Anthem, incluindo nós. E de repente vejo-me a olhar para o calendário de 2019, para as confirmações e para os rumores, e percebo que os jogos por que mais espero são indies: Dead Static Drive, Waycaster, Tunic, Ancestors: The Humankind Odyssey e Sable.

Nota: para os mais desatentos, a entrevista é retirada do canal POINTNCLICK do OKGames.au

As minhas expectativas para 2019 são, para mim, o reflexo de algo sistemático na indústria dos videojogos. Sempre gostei da cena indie sem nunca deixar que isso me tornasse um snob face aos AAA – Todo o pedantismo que tenho é-me natural, garanto – e tenho noção de que se 2019 não me diz grande coisa, é porque promessas de sucesso como Devil May Cry 5, Sekiro, Days Gone, Doom Eternal e tantos outros não são títulos que me despertem interesse particular. Ainda assim, fica difícil não pensar que o meu foco nos indies não tenha a ver com a crescente frustração que se tem sentido com os grandes lançamentos.

Promessas falsas de escala e fidelidade gráfica, a proliferação de micro-transacções sem contexto e uma falta de originalidade geral, estes são os crimes mais comuns da indústria e que se têm vindo a agravar ao longo da última década. Em cima destes problemas, há ainda os crescentes custos de produção que, emparelhados com má gestão de projectos e uma agenda desorganizada de lançamentos, dificultam o sucesso comercial de jogos AAA. Anthem é um tal caso: um jogo com um longo período de produção, cujas expectativas foram inflacionadas na E3, em entrevistas, trailers e demos, com conteúdo parco e repleto de loot boxes. A somar a isto, Anthem foi lançado duas semanas depois de Apex Legends, o battleroyal free to play da Respawn, e no mesmo mês que Far Cry New Dawn, Crackdown 3 e Metro Exodus.

Anthem não é um caso isolado – Watch Dogs, Aliens: Colonial Marines, The Division, Star Wars: Battlefront, Fallout 73, a lista continua –, apenas o mais recente. A verdade é que, ainda que não acredite que a indústria em si esteja encaminhada para uma crise como a dos anos 80, os AAA parecem estar a passar por uma crise de identidade e uma saturação de oferta. Quando a força criativa não tem poder de decisão e este jaz nas projecções e interpretações do mercado por parte dos executivos que só vêem cifrões, o resultado não pode ser diferente do de Anthem. É por isto, talvez que a minha lista de “jogos para seguir de perto” em 2019 é dominada por indies, e muitos deles produzidos por uma pessoa só.

A ajudar, são jogos com pouco marketing e forma pessoal e informal com que os produtores vão dando notícias alimenta a vontade de jogar em vez de instalar uma sensação de que já sei tudo sobre o jogo antes de este sair. Sobre Dead Static Drive, Waycaster, Tunic, Ancestors e Sable sei pouco mais do que a premissa e o estilo visual. É essa a vantagem dos indies face aos AAA: o foco. Um AAA tem, aparentemente, de justificar os €70 e isso normalmente resulta em missões secundárias e tarefas repetidas, mundos abertos sem razão, modos multijogador que não fazem sentido e, como não poderia deixar de ser, micro-transacções e DLC que parece que foi cortado do jogo em vez de parecer uma extensão natural.

Há muitas promessas AAA para 2019, este ano não é exclusivamente dominado pelo que o meu irmão descreveria como “os jogos do Canelo”. Pessoalmente, ainda que o meu hype para The Last of Us 2 tenha esmorecido e de continuar a ter medo que a Insomniac Games me desaponte com Ghost of Tsushima, continuo confiante de que vão ser sucessos críticos e comerciais. No entanto, o que mais me apetece ter nas mãos neste momento é Hades, mas o meu desktop morreu ainda antes de eu acabar Below e a Supergiant Games está longe de lançar o seu quarto jogo na PS4.

Enfim, vicissitudes da vida.

Duarte Pedreño Ver todos

Adepto de indies, fã antigo da série Total War, e tenho uma relação especial com os jogos de Fumito Ueda. Não sou muito esquisito, gosto de desporto, acção, aventura, RPG... Só dispenso terror e jogos de corrida, a não ser que seja o Crash Team Racing.

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