Metro Exodus | Uma epopeia fotográfica

Ao contrário dos meus colegas, que já nos trouxeram galerias dedicadas a outros jogos, eu nunca tive a ambição ou a vontade em embrenhar-me pelo mundo da fotografia. Gosto de pensar que sou um homem de letras, que sabe apreciar um bom plano e uma excelente iluminação, mas não ao ponto de pegar na câmara e tentar a sua sorte. Eu e a fotografia vivemos em harmonia, longe um do outro.

Mas com a popularidade do modo de fotografia (Photo Mode) nos videojogos, vi-me a sucumbir a este capricho, a esta vontade em captar algo através da minha visão e sensibilidade. O meu amor por planos mais estáticos, mais compostos e com uma certa assimetria levaram-me a dar o passo em frente, e com Metro Exodus, que saiu recentemente para PC e consolas, deixei-me levar pelo encanto do seu futuro pós-apocalíptico.

Em pouco tempo, vi-me a tirar mais de 300 fotografias que relataram a minha viagem pelo jogo, cada uma minimamente pensada e trabalhada para retratar a minha visão sobre o momento, sequência ou cenário que encontrei. Aos poucos, construí estas galerias, que dividi por estações do ano, numa tentativa de montar este puzzle de ruínas que fui decifrando.

Ainda estou longe de ser um amante de fotografia ou até um praticante inexperiente, mas esta experiência acalentou-me e deixou-me ver um lado que desconhecia. As imagens foram capturadas na PS4, não com a qualidade que mereciam, e trabalhadas através do modo disponibilizado pelo jogo (algumas delas contém filtros), contando com alguns spoilers – nomeadamente sobre os locais que visitamos no jogo. Fica o aviso e espero que gostem.

INVERNO

Com a fuga de Moscovo, Artyom vê-se preso nas terras gélidas de Volga, onde contacta pela primeira vez com outros grupos de sobreviventes e com alguns dos novos mutantes do jogo. Esta primeira paragem foi sublime, levando-me a começar este projeto devido aos seus cenários destruídos, mas também pela sua calma, estática e suspensão no tempo. Metro Exodus é visualmente mais marcante no PC, mas é incrível ver como uma direção de arte cuidada consegue contornar quaisquer problemas de performance.

Como amante do género e de futuros pós-apocalípticos, é reconfortante encontrar um mundo que consegue conciliar a destruição com a sua beleza inerente, equilibrando a ferrugem das estruturas industriais com a natureza que acorda após o desastre radioactivo. Esta primeira paragem dá-nos acesso a um mundo quase novo, de uma tristeza palpável, mas vivo.

PRIMAVERA

Naquela que é a sequência mais linear do jogo, somos levados a explorar a base de Yamantau em busca de representantes do Estado Russo e da sua força militar. Devido à natureza linear do nível e à sua limitação no que toca à variedade de cenários, tirei poucas fotografias, focando-me apenas no ambiente violento e cruel do mundo em que sobreviveram os habitantes da antiga base.

VERÃO

Com a chegada do Verão, somos levados a explorar as zonas áridas de Caspian, numa realidade mais seca, cheia de cores quentes e de um céu extremamente brilhante e azul. Apesar de não ter, na minha opinião, o mesmo encanto de Volga e das suas paisagens invernais, Caspian apresenta alguma das estruturas mais fenomenais do jogo, nomeadamente no retrato que constroem sobre os habitantes da zona. Tentei dar mais vida aos cenários através das minhas fotografias, mas manter a minha aposta na sensação de solidão e de isolamento que senti no mundo de Metro Exodus.

OUTONO

A chegada a Taiga marca o final do Verão e o início do Outono, naquela que é a zona mais verde e habitada de Metro Exodus. Com duas fações em harmonia, ainda que em confronto direto com grupos de bandidos, e com o perigo iminente da radiação, Taiga é, ao contrário do que a sua fauna e flora sugerem, uma zona à beira do fim. Em breve, será inabitável, com o ar a tornar-se irrespirável e a água a ser um veneno para todos os seres vivos. Apesar de não compreender a magnitude do problema quando comecei a jogar, a verdade é que acabei por captar este futuro abandonado e a sensação de fim, após esperanças perdidas e sonhos acabados. A inércia mantém-se.

INVERNO

A viagem de Artyom conclui num regresso às paisagens geladas, desta vez em Novosibirsk, numa sequência mais linear, mas igualmente emocional para a personagem. Infelizmente, a beleza deixou a cidade russa, agora morta e enterrada por debaixo de neve e de constantes nevões, mas há algo de sobrenatural que se esconde no seu esqueleto. Como um final, Novosibirsk é muito eficaz, uma corrida contra o tempo e as adversidades, mas sem o impacto visual que procurava. Como fotógrafo temporário, vi-me desencantado, perdido pela neve e os túneis escuros à procura de imaginação. A tensão e a memória do títulos anteriores, que este nível consegue ecoar perfeitamente, acalentaram-me, com as fotografias a registarem apenas algumas das suas paisagens.

A minha viagem acaba assim, desgastado emocionalmente e sem um pingo de criatividade. O equilíbrio é reposto, pouso a minha câmara digital e afasto-me da minha carreira temporária convencido de que fiz o melhor que podia – ainda que não seja para repetir tão cedo. A beleza dos cenários abandonados e destruídos aliciou-me e Metro Exodus foi o recreio ideal para esta minha curiosidade. Mas assim chegamos ao fim, depois de um ano de viagem e pronto para regressar às letras. Um abraço de respeito para todos os fotógrafos do mundo, dentro e fora dos videojogos.

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