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Pode | GLITCH REVIEW

Num início de ano recheado de lançamentos de peso e de sequelas há muito esperadas, é reconfortante encontrar jogos como Pode, que chegam às consolas sem grandes pretensiosismos e de uma honestidade contagiante. É um jogo que procura envolver os jogadores na sua simplicidade e dar-lhes uma das experiências cooperativas mais ternas que poderão encontrar. A dois, é um jogo que se despe de mecânicas complexas, de cenários de cortar a respiração e de orçamentos elevados para se focar no elemento mais importante: na alegria de jogar.

Pode é um jogo de plataformas e quebra-cabeças que nos coloca em controlo de duas personagens distintas num mundo dividido por várias áreas e níveis. Cada personagem tem habilidades únicas, como o ser de pedra, que consegue projetar objetos e ativar botões, e a estrela caída, capaz de se teletransportar e flutuar por momentos. É através da combinação de habilidades que chegaremos ao fim dos vários níveis, cada um com um desafio distinto onde a progressão e a dificuldade encontram um equilíbrio perfeito para nos dar uma experiência tão relaxante como desafiante do princípio ao fim.

O mundo de Pode é colorido e de uma alegria contagiante, transformando-se no cenário ideal para a história emocionante destas duas personagens. Apesar de não existirem diálogos, a narrativa é contada através de pistas espalhadas pelos cenários e pelas interações simples e diretas entre as duas personagens. A missão principal é igualmente fácil de compreender, com o ser de pedra a tentar ajudar a estrela a regressar ao céu. É neste cenário de entreajuda que o mundo ganha vida e o jogo dá aos jogadores a hipótese de o transformar visualmente com nova fauna ou despertando formações rochosas e cristalizadas por todos os cenários. Pode é de uma alegria e de uma pureza sincera, algo que nos acompanha até ao final da sua campanha, onde se destaca ainda a bela banda sonora criada por Austin Wintory (Journey, The Banner Saga)

Apesar de ser possível jogar a solo, Pode é um jogo que deve ser jogado cooperativamente. Não só o processo de resolução de puzzles é simplificado, com os dois jogadores a controlarem uma das personagens, como o próprio jogo está construído para existir diálogo entre a exploração dos seus níveis. Os cenários escondem inúmeras pistas e colecionáveis escondidos e com a presença de um amigo, esta procura torna-se mais empolgante. A própria história e o conceito do jogo apelam à entreajuda entre jogadores, algo que se torna incontornável à medida que avançamos na campanha e encontramos puzzles mais desafiantes.

Os cenários ganham vida à medida que usamos os poderes das nossas personagens e resolvemos os vários puzzles, criando um dos elementos mais marcantes do jogo.

Na verdade, os meus únicos problemas com Pode focam-se na falta de uma maior variedade no modo a solo e na sua duração. Mesmo com uma progressão cuidada, onde cada habilidade é devidamente apresentada e implementada, dando-nos a sensação de estarmos a evoluir à medida que exploramos a montanha, senti que Pode podia dar-nos uma campanha mais extensa e variada, nomeadamente na repetição de desafios entre os níveis.

Já a campanha a solo torna-se aborrecida e desnecessariamente repetitiva devido ao controlo repartido entre as duas personagens. É um defeito natural de um jogo que deve ser jogador cooperativamente, mas a resolução de puzzles passa a ser menos divertida e competente a solo e isso podia ser trabalhado. A meu ver, este problema podia ser resolvido se conseguíssemos controlar as duas personagens em simultâneo, e não à vez, através dos dois analógicos. Com as habilidades intuitivas e fáceis de utilizar e combinar entre personagens, o controlo seria simplificado e os níveis fluiriam mais naturalmente. Mesmo com a possibilidade de atrairmos as duas personagens, como um íman, a experiência peca a solo. Pode deve ser jogado a dois, sem dúvidas, é o que faz mais sentido, mas este (grande) pormenor podia ter sido resolvido.

A deslocação entre níveis é sempre feita em conjunta e de mãos dadas, algo que complementa a mensagem e a história de Pode.

Mesmo com alguma repetição nos cenários e nos puzzles, Pode é uma experiência deliciosa a dois que nos dá um mundo terno e cheio de emoção para explorar. É difícil não sorrir com as interações entre as duas personagens e encontrar o laço que as une ao longo da campanha, onde uma simples passagem de nível deve ser feita em conjunto e não apenas por um dos protagonistas. É um jogo de pequenas mensagens e de união, amizade e até amor. No meio de tantos jogos, é reconfortante encontrar uma experiência como a de Pode no PC e consolas.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Plan of Attack.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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