Onimusha: Warlords | GLITCH REVIEW

Duas gerações depois, a série Onimusha está de regresso ao PC e consolas com uma tão aguardada remasterização do título original. O clássico da PS2, lançado em 2001, chega assim à atual geração praticamente imutável, mas de visual cuidado e com ligeiras alterações à sua jogabilidade. É o clássico que adorámos há tantos anos atrás e, quem sabe, um possível recomeço tão merecido para uma das séries esquecidas pelo tempo, pelos jogadores e pela própria Capcom.

O que parecia ser impossível acabou de se tornar realidade. A série Onimusha está de regresso; é real. O jogo está instalado na minha PS4 e existe. Este é um cenário que imaginei e sonhei ao longo de vários anos e de duas gerações de consolas, sempre na dúvida e na incerteza. Mas aqui está ele, o original, agora remasterizado, mas o mesmo jogo de sempre. Uma bomba nostálgica.

Os menos saudosistas podem olhar para Onimusha: Warlords com algum desinteresse. É certo que em 2001, ano em que chegou à PS2, a indústria era diferente, com a sua jogabilidade, que assenta algures entre os primórdios de Devil May Cry e da estrutura de Resident Evil, a servir como uma deliciosa cápsula do tempo para uma era perdida, com filosofias de design já esquecidas de uma era longe das partidas online, dos jogos como serviços e das microtransações. Onimusha é um bicho perdido no tempo, mas no seu melhor, é também uma janela para o que mais adoramos nos videojogos: a simplicidade e a diversão.

Onimusha é, para todos os efeitos, um Resident Evil com espadas. Não só as suas origens remontam à série de terror, nascendo como um spinoff, como toda a estrutura da sua campanha é quase uma fotocópia do design que vimos em Raccoon City. Os ângulos pré-definidos e os cenários pré-renderizados aproximam-nos ainda mais de Resident Evil, mas é o design dos níveis, o seu foco em quebra-cabeças e a presença de várias zonas exploráveis que lhe dão o charme que ainda hoje emana da sua jogabilidade. A estrutura nunca deixa de ser semelhante à de Resident Evil, colocando-nos em busca de chaves, de novas armas e habilidades, para continuarmos em frente, mas há algo de frenético, de intenso na sua progressão. É uma campanha simples, e até curta, que funciona através da sua necessidade constante em avançar e a sua recusa em abrandar. É um Resident Evil com espadas, sim, mas é também um começo perfeito para uma das melhores séries da Capcom.

Com o relançamento e a nova resolução, os cenários pré-renderizados parecem estar mais próximos de uma textura em aguarelas do que a versão original.

Para além do seu retrato histórico, que nos transporta para o Período Sengoku, a personalidade de Onimusha começa a delinear-se na sua jogabilidade. Apesar de ainda utilizar tank controls, o jogo foca-se na ação, nas combinações e nos ataques rápidos, na utilização de armas e dos seus poderes mágicos para tornar todos os confrontos num frenesim de golpes e contra-ataques (para a sua época). Devil May Cry viria a transformar o género para sempre com o seu foco nas combinações, mas Onimusha alicerçou-se os alicerces, apostando também na aventura, no horror e num combate ligeiramente mais metódico, ainda que menos resistente à passagem do tempo. Hoje, depois de tantas evoluções, de Bayonetta e até das sequelas de Devil May Cry, Onimusha pode parecer datado, mas há charme na sua simplicidade, no seu carisma e no seu interesse em ser mais surpreendente do que envolvente.

O combate é pesado, a longevidade é um pouco curta e a remasterização é algo limitada, especialmente para aqueles que esperam um remake – estas são as queixas principais a este relançamento. No entanto, Onimusha é um clássico absoluto que apenas envelhece devido à sua simplicidade. O combate é lento, mas funcional, oferecendo várias armas, todas elas diferentes e perfeitas para determinados tipos de inimigos. A longevidade é erradamente curta. Basta pensarmos na duração média de cada Resident Evil para percebermos que são jogos que necessitam de várias partidas para serem verdadeiramente completos. Para além da campanha, existem ainda segredos, armas e armaduras para desbloquear e ainda um modo segredo – tudo isto sem necessitarmos de DLC. A remasterização pode ser o elemento mais fraco desta lista, mas faz um ótimo trabalho ao dar-nos modelos mais definidos e uma maior resolução. Não encontrei problemas técnicos ou de performance durante as minhas horas com o jogo. Estes são falsos problemas, especialmente para um jogo que chega ao mercado por €19,99.

As famosas batalhas contra bosses foram inalteradas e são um dos elementos que envelheceram pior neste clássico.

No que toca a novidades, o relançamento dá-nos a possibilidade de controlarmos Samanosuke através do analógico esquerdo, algo inédito na versão original, e de trocarmos rapidamente de arma. Estas duas adições dão ao jogo uma pequena atualização que o aproxima dos mais recentes títulos do género. O controlo por analógico é imprescindível para os novos jogadores, algo que se torna evidente quando navegamos pelos cenários de Onimusha com uma rapidez e fluidez que não estavam presentes no original. No entanto, tenho de sublinhar que o analógico irá registar todas as mudanças de ângulo, o que significa que terão de alterar a vossa direção sempre que isso aconteça.

A seleção rápida de armas é, para mim, a melhor adição do jogo. A possibilidade de alternarmos entre espadas sem acedermos ao menu é uma dádiva, ainda mais quando Onimusha nos exige esta rotatividade constante tanto em combate como na abertura de portas seladas. É um passo cansativo que é eliminado do jogo e menos uma ruga que é apagada sem prejudicar a experiência original. Se quiserem jogar Onimusha tal como ele é, podem ignorar todas estas novidades.

Eu sou suspeito, eu sei que sou. Sou fã da série desde o jogo original e desesperei pelo seu regresso durante duas gerações e mais de dez anos. Agora tenho o que quero, ainda que longe do regresso que a série merecia. Mas este é um começo e vejo-o como tal. As vendas ditarão o seu futuro e eu sei que um relançamento deste nível, onde só temos um jogo em vez da série completa, poderá afastar os menos crentes. Uma coisa é certa: Onimusha não mudou. Continua a ser o mesmo jogo que nos fascinou em 2001, ainda que com mais teias de aranha. Nós mudámos, a indústria mudou e tudo à nossa volta está tão diferente. Alguns de vocês já estão casados, outros até já são pais. 2001 foi há milénios atrás, pelo menos é o que parece. Mas Onimusha continua igual, imutável pelo tempo, para o bem e para o mal. E isso é tão reconfortante.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Ecoplay.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.