Resident Evil 2: 1-Shot Demo | Impressões

Se em 2017, a Capcom tinha de comprovar a qualidade de Resident Evil 7: Biohazard e justificar a sua decisão de transportar a série para a primeira pessoa, já em 2019, semanas antes do lançamento de Resident Evil 2, a companhia japonesa parece estar preparada para confirmar o que já é esperado. O lançamento da nova demo, que chegou recentemente às plataformas digitais, é uma pequena amostra da tensão e do ambiente do novo jogo, e uma janela para o futuro da série. Remakes como este são difíceis de encontrar e a Capcom conquistou-me à primeira.

Com uma duração aproximada de 30 minutos, a demo de Resident Evil 2 coloca-nos em controlo de Leon S. Kennedy e dá-nos a possibilidade de explorarmos algumas secções da tão icónica esquadra de polícia. Em poucos segundos, é possível perceber o nível de reconstrução que a equipa implementou no design dos níveis e dos próprios cenários, conseguindo um equilíbrio saudável entre o conhecido e o novo. Para alguém que conhece o original como a palma da sua mão, esta transformação é aliciante, mas igualmente assustadora, obrigando-nos a reaprender os mapas do jogo e a temer todas as alterações. Se aliarmos o novo design à iluminação, à aposta na escuridão e na utilização da lanterna, e ao nível de violência e realismo, percebemos como esta é uma evolução necessária e imprescindível. E vinte anos depois, Resident Evil 2 volta a ser assustador.

Este remake não vive apenas de um novo design e de um novo motor gráfico. A própria jogabilidade foi retrabalhada, substituindo as câmaras pré-definidas e os controlos clássicos da série por um maior foco na ação e na claustrofobia. À primeira vista, parece que voltámos à perspetiva over the shoulder de Resident Evil 4, mas quando sentimos o peso de Leon, especialmente na sua movimentação, percebemos que estamos perante um estranho híbrido entre a ação dos títulos recentes e a tensão dos originais. Quando comecei a jogar, achei este peso tão estranho e invulgar, mas à medida que fui explorando a esquadra e percebi o design dos níveis e a sua aposta na escuridão e a limitação das balas, compreendi que estava a sentir a tensão da jogabilidade a cada passo que dava. Apesar da ausência da câmara fixa, a visão limitada continua a fazer parte da experiência, desta vez através dos corredores longos, dos recantos escondidos por sombras e pela pressão dos confrontos. Ao contrário do original, o remake transmite-nos, pelo menos neste primeiro contato, uma sensação de claustrofobia que é impossível de afastar. Resident Evil 2 é tenso, assustador e tem tudo para ser um passo certo para a série, mais ainda do que Resident Evil 7: Biohazard.

Trinta minutos não são suficientes para absorver tudo o que Resident Evil 2 tem para nos oferecer e é frustrante encontrar mecânicas que não fui capaz de experimentar ou conhecer melhor. A possibilidade de criarmos e fundirmos tipos de balas, por exemplo, uma mecânica retirada de Resident Evil 3: Nemesis e inspirada na criação de munições especiais de Resident Evil 7: Biohazard, é uma dessas novidades. Não consegui compreender como irá funcionar ao longo da campanha, mas tem tudo para ser um acessório importante, especialmente se a recolha de balas for bastante limitada. Talvez surjam daqui novas táticas e toda uma nova camada estratégica. A utilização de armas descartáveis para combate corpo a corpo, como a faca, e para a resolução de puzzles é outra mecânica que achei intrigante, tal como o dano visível tanto em Leon como nos zombies. É incrível explorar Resident Evil 2 com novas mecânicas e uma jogabilidade totalmente retrabalhada, mas falta ver estas novas adições, entre outras, em ação.

Os mortos-vivos também sofreram alterações necessárias e são a versão mais assustadora da série (à exceção dos Crimson Heads de Resident Evil Remake). Os seus movimentos invulgares e pouco humanos, a sua perseverança em atacar Leon, os danos visíveis nos seus corpos e a sua resistência surpreendente aos ataques dão-lhes toda uma nova e inesperada sensação de perigo. Estes não são os mortos-vivos de Resident Evil 6, mas sim um verdadeiro regresso às origens. Disparar contra um zombie, atirá-lo ao chão com um tiro nos joelhos e vê-lo tentar alcançar-nos com todas as suas forças foi apenas um dos momentos tensos que vivi durante a demo. E se em 30 minutos consegui ficar intimidado com a perseverança dos mortos-vivos, mal posso esperar pela versão final.

Resident Evil 2 tem tudo para ser um dos melhores remakes dos últimos anos. Os cenários são fantásticos, com o RE Engine a brilhar através do seu fotorrealismo e da aposta numa iluminação mais dinâmica. A jogabilidade é intuitiva, ainda que pesada, familiar e diferente ao mesmo tempo, conseguindo injetar uma nova força à fórmula do original. É isto que eu espero de um remake: a coragem para inovar e criar algo novo sem desrespeitar o original. Resident Evil 2 parece ser tudo isto e em apenas 30 minutos emanou todo um amor e carinho que muitos jogos não têm. Agora só falta jogar a versão original.

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