Autodescoberta em Warhammer: Vermintide II

Não existem desculpas suficientemente válidas para o que eu vou dizer, mas a verdade é que nunca joguei Left 4 Dead. Posso desculpar-me e insistir que não tenho um PC de jeito ou uma Xbox 360, mas depois de tantos anos, nem eu consigo acreditar nisso. Nunca joguei, apesar da minha curiosidade, e terei de viver com isso. É assim a minha vida. Mas a vontade nunca desapareceu e talvez tenha sido ela a levar-me a jogar Warhammer: Vermintide II, numa tentativa de compreender o que atrai tantos jogadores a este género cooperativo. Depois de várias horas com o jogo, posso finalmente dizer que compreendo e respeito este sub-género, ainda que tenha de admitir que não é para mim.

Eu vivo apavorado pelo aborrecimento e pela repetição, dois elementos que condicionam regularmente o meu relacionamento com alguns géneros de videojogos. Com a idade, este medo está mais presente e cada vez mais palpável, relembrando-me que existem jogos que eu simplesmente não consigo apreciar ou jogar durante várias horas. Sejam mundos abertos repletos de missões secundárias, partidas online – onde agora já posso adicionar o género Battle Royale na sua totalidade – ou jogos cooperativos assentes na repetição dos seus níveis – eu simplesmente não tenho paciência. Warhammer: Vermintide II é delicioso no que toca à sua jogabilidade, extremamente fluído e com personagens, poderes e armamento suficientemente variados para justificar as horas que quiserem injetar na sua campanha cooperativa, mas eu simplesmente não o consigo fazer.

Mas afinal como foi a minha experiência com o jogo? Foi sempre tudo cansativo e repetitivo? Não, antes pelo contrário. Warhammer: Vermintide II agarrou-me por completo durante as suas primeiras horas, fascinando-me com a sua utilização de elementos RPG, de personalização e criação de armas e armaduras e convencendo-me a explorar todas as suas mecânicas para evoluir o meu herói e a descobrir todos os segredos do seu mundo. O número de personagens e classes também me surpreendeu, oferecendo um leque interessante de heróis que se complementam muito bem dentro da ação frenética do jogo. Se quiserem ser um enorme brutamontes e esmagar as hordas de ratos e bárbaros com um martelo, podem-no fazer. E se preferirem usar magias para despachar todos os inimigos à vossa volta, boas notícias – também têm essa possibilidade.

O mundo de Warhammer: Vermintide II é também bastante apelativo, apesar de nos apresentar uma civilização à beira do mundo. Os níveis são variados, ainda que se sinta alguma repetição ao longo das horas, transportando-nos para cidades desoladas, caves labirínticas e florestas amaldiçoadas. A performance sofre ocasionalmente de quedas de frames, especialmente durante os momentos mais caóticos, mas no geral, é um mundo cheio de personalidade, desde os seus cenários até ao design das nossas personagens, dos seus inimigos e até dos bosses e mini-bosses que encontramos em cada nível.

No geral, é um jogo divertido, muito completo e perfeito para jogar a quatro que eu simplesmente não consigo apreciar na sua totalidade. Quanto mais penso no jogo, mais me apercebo que não tenho quaisquer problemas com a sua jogabilidade, com o seu mundo ou até com a forma como está estruturado, ainda mais quando temos todos os DLC já disponíveis na versão PS4, mas depois de algumas horas, não sinto vontade em voltar. Já completei a maioria das missões e ainda tenho os DLC para explorar, mas parece que a magia acabou-se para mim. A ilusão partiu-se e neste preciso momento só consigo ver a repetição nos níveis e nos desafios que irei encontrar. Este género de jogo assenta-se na repetição, algo que é essencial para a sua experiência, e eu não consigo ultrapassar isso – é um problema para mim. Da mesma forma que me canso de quase todos os mundos abertos que jogo, sinto o mesmo aqui. E tal como eu embirrei com geografia no básico, lá estou a cometer outra injustiça e a jogar novamente para o Satisfaz.

Esta minha relação de amor-ódio com os jogos cooperativos deixa-me apreensivo e a ponderar até onde vai realmente a minha paciência. Estarei eu a ficar velho e impaciente? Em 2018, joguei vários jogos de vários géneros e em várias plataformas, esforçando-me ao máximo para continuar a expandir os meus gostos, mas volto sempre ao ponto de partida. Se foi fácil admitir que não gostei de Farming Simulator 2019, não consigo dizer o mesmo de um jogo que é realmente bom e composto por vários elementos que aprecio.. É impossível não me sentir abatido e até um pouco esquisito com a minha falta de paciência e compreensão, mas este é o tempo de o admitir e de o reforçar na minha mente: nem todos os géneros são para nós. Ponto final.

Talvez em 2019 continue esta autodescoberta, mas por agora, deixo-vos uma recomendação e um aviso. Se são fãs de jogos cooperativos, onde cada nível é composto por batalhas contra hordas de monstros e vários objetivos para completarem, Warhammer: Vermintide II irá dar-vos a experiência que procuram – tão simples como isso. Mas se temem a repetição natural deste género e não se veem a completar os níveis, num total de três atos divididos em quatro partes e três DLC, várias vezes, então ponderem antes de comprar. Se são um João Canelo e ainda não se aperceberam, não se assustem – tudo acaba por fazer sentido no final. Acho eu.

O código (PS4) foi cedido pela Fatshark.

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