PlayerUnknown’s Battlegrounds |GLITCH TAG-REVIEW

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m ano e meio depois de mudar a indústria dos videojogos ao dar força a um novo género, PlayerUnknown’s Battlegrounds (PUBG) chega, finalmente, à consola da Sony, desta vez enquanto produto final. Como é habitual, o David e o Canelo juntaram-se nesta aventura multijogador e aproveitaram para se estrear neste Battle Royale, uma oportunidade que também chega a milhões de jogadores na PlayStation 4.

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Canelo – Demorou um ano, mas aqui estamos nós. Pássamos por Fortnite, H1Z1: Battle Royale e até por Call of Duty: Black Ops IIII, com o seu surpreendente modo BR, mas agora chegou a hora de falarmos finalmente sobre PUBG, um ano depois da sua estreia na Xbox One e agora como o número dois do género. Não sei se foi o tempo, se foi a nossa antecipação ou o afastamento natural dos Battle Royale, mas esta estreia do jogo na PS4 deixou-me pouco surpreendido.

Não sei se foram os meses intensos de Fortnite, um jogo que tem evoluído imenso de temporada para temporada, mas encontrar PUBG na sua versão final foi tudo menos aquilo que esperava. Continuamos a ter um jogo extremamente feio, pouco otimizado e com uma experiência que é agora tudo menos original. O que tens achado do teu tempo com o jogo?

David – Como não sou propriamente fã de multijogador competitivo, reservado apenas para alguns jogos que adoro de coração e que por extensão têm essa opção, o meu interesse por Battle Royale surgiu “tarde,” neste caso com o pico de popularidade de Fortnite neste verão.

Depois de um contacto tão sólido com o género, foi difícil olhar para outros jogos já existentes, como H1Z1 (que testei e odiei) e PUBG. Estando apenas disponível na altura para PC e Xbox, não senti impulso em testar algo que era, aos meus olhos, muito pouco polido. E surpresa das surpresas, os meus receios confirmaram-se. O jogo está muito aquém daquilo que seria de esperar de um produto final e da forma como a comunidade o pinta. Percebo o que tem de interessante, pela minha experiência com o jogo, senti algumas das emoções que tanto se aproximam daquilo que os jogadores mais aficionados partilham, mas não consigo ignorar o que dizes sobre a sua apresentação visual e desempenho técnico.

C – É impossível ignorar algo que acaba por ser essencial para a experiência do jogo. Não só PUBG não tem qualquer identidade visual, focando-se numa paleta de cores esbatidas e desinteressantes – onde a desculpa do realismo rapidamente se dissipa quando o desempenho técnico quebra qualquer imersão que possamos ter com o jogo – como é inferior aos seus rivais a nível gráfico. Existem momentos em que parece ser um jogo da geração passada e isto não é um exagero. É certo que a passagem para as consolas obrigou a uma redução na resolução e na definição do motor gráfico, mas o nível de pop-ins e a qualidade das texturas são ridículos para um produto final. PUBG insiste em ser o mesmo desde o lançamento, como se isso lhe desse alguma identidade junto dos fãs, mas um ano depois, começa a criar mais ruído do que a liderar um género tão popular como este.

Podemos, no entanto, reforçar que PUBG não foi pensado para ser um poderio gráfico e eu compreendo isso. A experiência está na jogabilidade e na sua aposta, mais uma vez, num certo realismo, e aqui, consigo ver toda a filosofia do jogo em movimento. Em alguns momentos, PUBG é intenso, arrepiante e até assustador, algo que não está presente, por exemplo, em Fortnite. É isto que torna PUBG numa experiência com um maior impacto no jogador, mas será o suficiente ao fim de um ano de más decisões?

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A profundidade de campo e a presença de alguns pop-ins condicionam a experiência, mas são condicionantes já esperadas na passagem para as consolas.

D – As minhas primeiras impressões com o jogo foram mesmo de desilusão, até porque apesar do que já tinha visto do jogo, não pensei que fosse tão feio. Na PS4 Slim, as texturas são tão esbatidas, de tão baixa qualidade, há tanto pop-in à distância e a iluminação é tão má que é difícil também perceber, enquanto leigo na matéria, como é que o jogo também se comporta apenas a 30fps. Como dizes, há momentos que parecem vir de outra geração.

A cereja no topo do bolo são também as suas animações e a difícil leitura do jogo no geral. Quer pelos elementos do mundo quer pelos menus arcaicos e difíceis de navegar na PS, que parecem ter sido portados diretamente do PC. É esta a sensação que dá.

A sua jogabilidade, no entanto, não é má. É jogável. Como referia, as animações não são as melhores e, na minha opinião, isto tem um peso enorme na forma e na ilusão que nos dá no controlo da personagem. Enquanto TPS ou FPS é decente, é familiar, mas existem pequenos pormenores que me tiram do sério. Double tap no gatilho para fazer zoom, segurar no botão para fazer reload ou armas automáticas por defeito em single shot, são quirks que me fizeram alguma confusão e que me levaram à frustração em muitas partidas.

C – Penso que PUBG já não é novidade, não há nada que faça ou que tente apresentar e adicionar à sua jogabilidade que nos consiga surpreender. É certo que não acompanhámos o seu crescimento no PC, mas este lançamento na PS4 é tudo menos competente. Parece que estamos a jogar algo do início da geração, mal otimizado e sem quaisquer mecânicas que o distingam dos rivais. É um jogo que precisa de evoluir e crescer com o género, mas que continua a afincar os pés numa experiência que já é ultrapassada em todos os sentidos.

De todos os jogos do género, PUBG era o que mais me fascinava. A sua aposta numa jogabilidade mais ponderada e até pesada, onde cada decisão pode significar o fim da nossa partida, era algo que me atraia. Era isso que sentia falta em Fortnite e que pensava que ia finalmente encontrar nesta estreia na PS4. A verdade é que estes elementos continuam presentes, mas falta algo. PUBG é certamente mais lento, mais tático e muito mais desafiante do que os seus rivais, mas encontro-me agora a sentir que não é divertido. Não posso afastar a minha culpa, jogos como Black Ops IIII parecem ter moldado a minha opinião sobre o género e agora estou num ponto de não retorno que nem PUBG é capaz de mudar.

E depois temos os elementos que identificas. Dos jogos que foram adaptados para as consolas, PUBG é o que sofre mais no que toca aos controlos e à interface dos seus menus. É um jogo pensado para PC que perde muita da sua acessibilidade nas consolas, algo que se torna incontornável quando temos experiências mais otimizadas nos seus rivais. A ideia de termos dois tipos de mira revela o quanto tenta ser tático e mais realista, mas no que toca aos controlos e à sua imersão, algo se perde. É mais confuso, mais desnecessariamente trabalhoso e sem um feedback positivo que nos dê uma jogabilidade mais limada ou direta. Até a recolha de itens e o recarregamento das armas é mais lento, algo que faz sentido no jogo, eu sei, mas que agora se tornam irrelevantes.

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A qualidade gráfica é tão inconsistente que chegámos a pensar que estávamos a jogar H1Z1: Battle Royale, um jogo que é visualmente inferior a PUBG no PC.

D –  PUBG é, de facto, um jogo muito mais tático e lento. Os seus mapas vastos e algo vazios, juntamente com a extrema falta de recursos, demonstram que é um jogo com uma vertente de sobrevivência num campo de lobos muito maior. Acho que é isso que lhe dá aquele toquezinho especial, quer a solo ou com amigos. Cada confronto tem um peso e um significado muito maior do que nos restantes Battle Royale. Em Fortnite, por exemplo, joga-se muito para o objetivo e há tanta forma de ler uma partida que perder não é frustrante. O mesmo se aplica a Call of Duty, que é toda uma nova besta no género, quer se goste da franquia ou não.

PUBG é frustrante (no bom sentido) porque aquele tiro falhado ou aquela emboscada feita em grupo têm consequências severas e tudo o que foi trabalhado durante a partida, até aquele momento, vai por água abaixo. Por outro lado, o facto de PUBG se focar apenas neste tipo de experiência, revela-se como um enorme grind. É preciso um mindset muito bem definido para este jogo. Os desafios propostos parecem ser desenhados para quem já tem calo e, enquanto casual, sinto que este não é de todo um jogo para mim.

C – Talvez esse seja o grande problema: o jogo não é para nós. Isso poderá ditar o futuro do jogo tanto no PC como nas consolas, com a sua insistência em não evoluir para além da aposta em novos mapas, como o que chegará já em janeiro. Esta falta de compreensão está também visível na forma como eles lidaram com a implementação de desafios e de um Battle Pass que foi mal recebido pela comunidade. Tal como disseste, estes desafios não são para mim e muito menos revelam ser suficientemente interessantes para sequer perder tempo com eles.

Detesto ser tão negativo com PUBG, mas sinto-me mesmo desiludido. O jogo não me está a agarrar como eu queria e não consigo pensar em voltar depois das horas que perdi para fazermos esta análise. É assim a realidade. Os mapas são muito extensos, mas não têm qualquer identidade e isso afasta-me do jogo. A jogabilidade é assente na estratégia e na gestão de recursos, mas as mecânicas são demasiado pesadas para sentirmos que estamos em controlo. E por fim, temos a falta de intuição dos menus, dos controlos e da próxima experiência em si. É difícil pensar que PUBG não me deu a sensação de medo e tensão que eu procurava no género e depois deste embate inesperado, vejo-me cada vez mais afastado dos Battle Royale. Talvez faça mais sentido com um teclado e rato, com o comando a ser o grande entrave à nossa diversão, mas, por outro lado, também sinto que se calhar está na hora de arrumar as armas e admitir que o género já não é para mim, se nem PUBG é capaz de alterar essa realidade.

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Existe aqui uma experiência suficientemente sólida que irá agradar os fãs do género, mas numa fase em que se espera mais deste modo de jogo, PUBG parece estar estagnado no tempo. No entanto, encontrámos momentos de uma tensão palpável em equipa.

D – Apesar de tudo, consigo ser um pouco mais positivo em relação ao jogo. Sim, tem problemas chatos, sendo o maior, na minha opinião, este ser considerado um produto final. Numa indústria em que todos os jogos enquanto serviço se auto-intitulam de BETAS, é um pouco grave PUBG apresentar-se assim e como um produto pago. Por outro lado, acredito que há muito para crescer. Era interessante que fosse primeiro mais otimizado antes de lançarem novos conteúdos ou tentarem vender lootboxes.

Ainda assim, gosto e agrada-me imenso a ideia de haver mais uma plataforma para jogar algo tão popular. Sou a favor que haja opções e mais um jogo deste género é muito bem-vindo. Mas partilho desse sentimento já referido de, para já, parecer ser um jogo apenas para entusiastas.

C – Eu tenho uma visão muito mais negativa sobre o futuro de PUBG. Já houve tempo para crescer, para se otimizar e para evoluir a fórmula, mas não é isso que vemos aqui. É um jogo perdido num género que ajudou a popularizar e cujas vantagens e destaques já não têm o impacto que tinham há mais de um ano atrás. Eu quero acreditar que há espaço para melhorias, mas se este é o produto final, até onde irá?

Vamos ver se PUBG irá conseguir recuperar o seu lugar no pódio e atingir a popularidade que gozou durante meses no PC e Xbox One.

Nota 6
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela PlayStation Portugal.

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