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Moonlighter | GLITCH REVIEW

A

pesar da minha incapacidade em apreciar jogos de gestão ou de estratégia, Moonlighter tem sido uma companhia constante nestas últimas semanas. O jogo de ação e aventuras, que nos coloca à frente de uma loja de conveniência, é um híbrido de género que me dá uma experiência tão concentrada que se torna acessível até para alguém tão impaciente como eu.

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Moonlighter é parte The Legend of Zelda, onde exploramos masmorras cheias de inimigos e bosses; parte roguelike, bastando uma morte para perdermos todos os recursos que apanhámos; e parte simulador de gestão, com a loja titular a servir de centro para toda a experiência do jogo. Como um aventureiro, a nossa missão é a de explorar as várias masmorras milenares que se encontram agora ativadas, recolher recursos e mantimentos e manter a nossa loja em funcionamento. Cada item pode ser vendido ou utilizado para melhorarmos o nosso equipamento, não existindo outra forma de rendimento.

O jogo da 11 bit Studios cria assim um ritmo de interdependência onde somos constantemente obrigados a explorar masmorras, a sobreviver aos seus desafios e a recolher o maior número de recursos para termos um lucro substancial que nos permita continuar a nossa aventura. Sem dinheiro, não podemos comprar novos equipamentos e chegar aos níveis finais de cada masmorras, e sem novas masmorras, não teremos itens para apetrechar a nossa loja. Moonlighter consegue desenvolver um ecossistema sólido onde todas as suas mecânicas estão interligadas e dependentes umas das outras, obrigando jogadores, como eu, a aceitar a gestão e a pensar como um mercador e não apenas como um aventureiro em busca de tesouros.

Como um jogo de aventuras, Moonlighter é muito sólido, mas pouco surpreendente. Cada masmorra tem vários níveis, um boss para derrotarmos e imensas armadilhas que nos poderão matar rapidamente – todos eles elementos que já vimos inúmeras vezes em jogos semelhantes. A nossa personagem pode equipar novas armaduras, criar armas mais poderosas e rebolar para contornar buracos e ataques dos inimigos, mantendo visíveis as suas influências até na forma como exploramos os níveis.

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Se ficarem demasiado tempo numa masmorra, este terrível monstro irá perseguir-vos até conseguirem fugir ou ele vos apanhar.

A alma de Moonlighter está na gestão e na manutenção da loja, algo que se torna claro à medida que avançamos e desenvolvemos o estabelecimento. A rotina do jogo é simples, mas eficaz: explorar e vender. Estes são os elementos principais de Moonlighter e uma forma simples de implementar mecânicas destiladas de um simulador de gestão para agarrar todo o tipo de jogadores.

A exploração é desafiante, não fosse também um roguelike, mas é na hora de expormos os nossos espólios que compreendemos a profundidade e dificuldade do jogo. Cada item tem um preço ideal, mas para o encontrarmos é necessário arriscar e colocá-los nas mãos dos compradores. Isto significa que às vezes acertamos e conseguimos o maior lucro possível de um item, mas também significa que o poderemos vender a um preço tão reduzido que perdemos qualquer margem de lucro ou a um valor tão avultado que o cliente sai chateado da nossa loja. Com um sistema de dia e noite, flutuações nos preços, que nos obrigam a verificar diariamente os seus valores antes de colocarmos para venda, Moonlighter transforma-se num gestor de mercado onde podemos, inclusivamente, especular os preços e tirar proveito dos compradores mais abastados para aumentarmos os nossos lucros.

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Os bosses também marcam presença e podem ser encontrados no final de cada masmorra.

A loja é o coração do jogo e temos a oportunidade de a melhorar, criar novos balcões e mesas para os itens (mais itens à venda, maior o lucro), aumentar o seu tamanho e até redecorar todo o seu interior para a tornar mais atraente para os clientes. É também necessário saber como vender e compreender o tipo de itens que os nossos clientes procuram, como equipamentos para os aventureiros que, como nós, querem explorar as masmorras em redor da aldeia. Para além da loja, podemos investir em novos habitantes como o ferreiro, o alfaiate ou a bruxa para desbloquearmos novas opções de personalização.

Moonlighter não é original no que toca à sua jogabilidade, mas apresenta um conceito forte que funciona através da sua simplicidade. Apesar de existir o desafio das masmorras e da gestão da loja, os menus e toda a recolha e arrumação de itens, incluindo a própria venda dos recursos, que acontece com um só botão, estão pensado para serem acessíveis e de rápida utilização. Através desta simplificação das mecânicas, podemos concentrar-nos na organização da loja, dos preços dos itens e da sua segurança quando atacados por ladrões. Não é um simulador, o que poderá dececionar os fãs do género, mas, como um híbrido, Moonlighter é viciante ao conseguir motivar-nos a explorar mais e mais masmorras em busca do lucro perfeito.

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Existem várias melhorias que podem aplicar à loja, mas o seu tamanho é um dos destaques, dando-vos a possibilidade de exporem mais itens em simultâneo.

No entanto, fica o aviso que o jogo é repetitivo na sua natureza, não existindo mais para além da exploração e da manutenção da loja. Quando entrarem no seu ritmo e virem os vossos lucros a aumentar de dia para dia, a rotina instala-se e Moonlighter poderá perder alguma da sua magia. Com um fim em vista, que é a abertura da masmorra final e da descoberta dos seus segredos, esta repetição poderá ser contornada, mas se ficarem concentrados apenas na venda de itens, irão descobrir que esta força inicial se dissipa com o passar dos dias. Não é original e muito menos um jogo longo, o que faz com que Moonlighter tenha a estrutura ideal para receber um DLC que adicione mais elementos ao seu mundo.

Se, como eu, têm receio de se deixarem levar pelo mundo dos simuladores de gestão, não deixem passar Moonlighter. O jogo já se encontra disponível para PC e todas as consolas, incluindo a Nintendo Switch, e dá-vos uma versão destilada de um género que é, para mim, tudo menos acessível. Explorem, vendam e consigam sempre o melhor preço – assim é a vida de mercador.

Nota 8
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Evolve PR.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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