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Monster Boy and the Cursed Kingdom | GLITCH REVIEW

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xistem séries que pensamos nunca mais ver e Wonder Boy é uma delas. Apesar do revivalismo que vivemos atualmente, a série clássica da SEGA, que marcou especialmente a Master System e a Mega Drive, parecia perdida no tempo, mas isso tudo mudou após o lançamento de The Dragon’s Trap: Wonder Boy e agora desta sequela espiritual, que consegue pegar no melhor da franquia e evoluir a fórmula a uma nova fasquia.

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Como seria de esperar, a história de Cursed Kingdom é muito simples e relembra-me o tom clássico dos títulos originais, com a aventura a desenrolar-se após o tio de Jin, o nosso protagonista, afetar o reino com uma maldição que transforma todos os seus habitantes em animais. A história leva-nos numa corrida contra o tempo com Jin a ser obrigado a reunir as esferas mágicas para fazer retomar a ordem ao reino enquanto explora várias zonas na sua aventura e descobre aliados e novos inimigos. Tudo muito clássico, simples e direto ao assunto – tal como eu gosto que os meus jogos de aventura e plataformas sejam.

Monster Boy and the Cursed Kingdom pode ser simples no que toca à sua história, mas o mesmo não se verifica na sua jogabilidade. Ao contrário do que esperava, não se trata de uma continuação pura e dura dos jogos anteriores da série, mas sim de uma verdadeira evolução. Até aqui, apenas tinha jogado Wonder Boy in Monster World, um dos meus jogos favoritos da Mega Drive, e foi com alegria que me apercebi de que esta nova entrada na série é um metroidvania com um foco na resolução de puzzles.

Como um metroidvania, o jogo leva-nos a explorar várias zonas, todas elas com um tema distinto – como florestas, esgotos e até templos perdidos –, em busca de novos poderes e itens para continuarmos a nossa aventura. À medida que desbloqueamos novas habilidades, vamos também tendo acesso a novos equipamentos e outras melhorias necessárias para a nossa aventura. É certo que não evolui o género em si, assumindo-se como um metroidvania clássico, mas no que toca à sua posição na série e à fórmula que apresenta, Cursed Kingdom não poderia ser mais certeiro.

Como não poderia deixar de ser, o jogo apresenta ainda alguns elementos RPG, ainda que muito diluídos dentro do foco necessário na exploração e plataformas. É possível comprar armas e armaduras, aumentar a nossa energia e ainda completar missões secundárias, sob a forma de colecionáveis, num mundo extremamente colorido e com uma vivacidade e humor refrescantes.

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É impossível não nos recordarmos de Wonder Boy in Monster Land quando olhamos para a aventura de Jin, especialmente no design dos inimigos e de algumas das zonas do jogo.

Como estamos perante um metroidvania, isso significa que temos várias habilidades especiais à nossa disposição que só desbloqueamos à medida que avançamos na campanha. Os poderes mágicos, como tornados e bolas de fogo, são uma constante na jogabilidade e essenciais tanto no combate como na resolução dos quebra-cabeças, mas o grande destaque vai para as transformações. Cursed Kingdom mantém viva a alma da série através da possibilidade de alterarmos o aspeto e habilidades da nossa personagem, seja em porco (com a possibilidade de utilizar o seu peso para ativar alavancas), em sapo (que pode utilizar a sua língua para baloiçar entre suportes), ou até em cobra (que se pode agarrar às paredes e cuspir veneno). No total, temos acesso a seis transformações que se aliam aos poderes mágicos para nos dar um leque variado de ataques e ferramentas para resolvermos todos os quebra-cabeças.

O mundo de Cursed Kingdom não é muito extenso, mas apresenta vários puzzles e segredos para desvendarmos. Como um jogo de aventuras e plataformas, temos vários níveis à nossa disposição, repletos de inimigos e armadilhas que teremos de contornar para continuar em frente. O jogo apresenta um sistema de gravação muito simpático e que não nos faz perder vários minutos de progresso, mas não se enganem: este jogo não é fácil. Comecei por sentir que estava num jogo sem qualquer desafio, até que cheguei à terceira zona e vi-me obrigado a mudar a minha estratégia. Os combates, até mesmo contra bosses, não são desafiantes, mas as plataformas, em união com o posicionamento dos inimigos e das armadilhas, fazem com que algumas sequências sejam de puxar os cabelos.

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Com a aventura a fragmentar-se por zonas, temos sempre acesso à cidade principal onde poderemos melhorar e comprar equipamentos, itens e até completar missões secundárias.

Apesar de ter adorado o meu tempo com Monster Boy and the Cursed Kingdom, senti que algumas escolhas acabaram por afetar a minha experiência. A estrutura metroidvania é, sem dúvidas, a melhor evolução para a série, mas espero que o próximo jogo tenha um mundo mais variado e de fácil navegação. Os cenários, apesar de detalhados e muito coloridos, às vezes são difíceis de ler e os segredos pouco intuitivos. O contrário também acontece, com alguns tesouros tão mal escondidos que mais valia não serem um segredo. Neste sentido, o jogo poderia ser muito mais equilibrado.

Mas o pior problema encontra-se na forma como alternamos entre magias e transformações. Ao contrário do que possam estar à espera, não podemos alternar automaticamente, mas sim aceder a uma roda, através de L2 ou R2 para as transformações ou L1 e R1 para as magias, e aí sim, escolher o poder que queremos. No início, pensei que isto não iria ser um problema, mas quando encontrei situações que me obrigavam a alternar constantemente entre transformações e magias, isto tornou-se num problema. Acedermos sempre à roda de seleção é cansativo quando tudo poderia ter sido feito automaticamente. Consigo perceber que assim conseguiríamos selecionar apenas o que quereríamos em vez de passarmos por todos os poderes sempre que queremos mudar, mas com a roda e com a constante entrada e saída do ecrã de seleção acabamos por perder mais tempo do que o necessário. É cansativo, repetitivo e trabalhoso, relembrando-me Dark Cloud e a sua seleção de personagens.*

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Monster Boy and the Cursed Kingdom é um regresso em grande de uma série que marcou a minha infância. O charme está todo aqui, o humor, a sensação de aventura e até a dificuldade; nada se perdeu nesta sequela espiritual. Os fãs vão ainda encontrar alguns easter eggs saborosos, com a presença de um vidral com os heróis da série, e toda uma nova aventura num mundo que parecia perdido no tempo. É também um bom jogo para todos os que adoram uma dificuldade mais afincada e para aqueles que não resistem ao género metroidvania.

Nota 8
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela FDG Entertainment.

*NOTA (11/12/2018): Existe a possibilidade de alterarmos a forma como escolhemos as transformações e magias, basta ativarmos a alternativa nas opções. Pedimos desculpa pela ausência desta informação, mas parece que não investigámos as opções a fundo.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!
https://twitter.com/esta_joao

3 thoughts on “Monster Boy and the Cursed Kingdom | GLITCH REVIEW Deixe um comentário

    • Hi Marion!

      Thank you so much for your comment! That’s great news and I’ll update the review with this information. I tought it was the way the game was supposed to be played and didn’t look for an alternative.

      Gostar

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