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Pokémon: Let’s Go, Pikachu & Eevee! | GLITCH REVIEW

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okémon estreia-se na Nintendo Switch com um remake da primeira geração da série, mais especificamente de Pokémon Yellow, lançado originalmente no Game Boy. Com duas versões distintas, uma para Pikachu e outra para Eevee, será este o jogo que os fãs estavam à espera? O David e o Canelo têm a resposta.

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David: Pokémon: Lets Go fez-me comprar uma Nintendo Switch e por isso estamos aqui hoje reunidos para fazer a nossa primeira Tag Review da Nintendo. Eu joguei a versão Pikachu e tu a Eevee, não é verdade?

Canelo: Sim, eu apostei na versão Eevee. Apesar do meu amor incondicional pelo Pikachu (não contes a ninguém), decidi experimentar a versão concorrente para termos uma visão mais completa desta nova entrada na série que, ao contrário do que pensávamos, é afinal cânone.

 

David: E uma coisa que descobrimos é que tirando uma dúzia de pokébixos dedicados a cada versão – que podem ser trocados ou adquiridos via Pokémon GO ,os jogos são virtualmente iguais. O que é ótimo. Algo que também foi ótimo, foi receber um jogo que é exatamente aquilo que eu esperava de um remake dos antigos jogos originais. Numa primeira impressão a Game Freak acertou na mouche na apresentação do jogo numa versão currect-gen e tornou a experiência muito mais agradável com pequenas alterações. Eu fiquei encantado logo de inicio, e tu?

Canelo: Tendo em conta que se trata de um remake de um dos jogos das minhas infância, foi delicioso perceber como tudo mudou tanto a nível gráfico como na própria jogabilidade clássica do género. Apesar de não ter ficado encantado como tu, não existem dúvidas que consegui eliminar todos os meus receios e simplesmente divertir-me com este novo Pokémon.

Consigo, no entanto, perceber a maior parte das queixas dos fãs. Apesar das melhorias visuais, é um jogo um pouco vazio no que toca à vivacidade do seu mundo e ao design das cidades. Como nada mudou desde a primeira geração da série, o design pode parecer limitado. É um remake que não é totalmente um remake, por mais estranho que isso possa parecer.

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O design das cidades foi inalterado, algo que nos fascinou enquanto jogadores dos originais, mas que pode ser frustrante para os fãs que queriam mais do que um remake puro e duro.

David: Engraçado tocares na “vivacidade” do jogo, quando a nova maneira de interagir com os pokémon fez, na minha opinião, com que o mundo parecesse ser bem mais… vivo. No entanto, concordo contigo no sentido das limitações. No meio de todo o brilho e encanto, das facilidades e atalhos, no fim do dia, o endgame soube-me a pouco.

Mas olhando para as mecânicas, o que achaste das novidades? Das novas interações, do novo sistema de catching a la Pokémon GO ou até da interação com o nosso Pokémon principal? E que outras funções é que realças?

Canelo: Como não joguei Pokémon GO, o novo sistema de captura foi um choque. Não estava à espera que a Game Freak substituísse as batalhas por um minijogo que depende de sorte e da nossa pontaria. Apesar de não ser o maior fã deste sistema, acabei por me envolver mais na captura dos pokémon porque eliminou por completo a presença de combates aleatórios. Isto foi um alívio! A exploração passou a ser mais interessante e muito menos stressante e repetitiva, dando um enorme destaque à captura de pokémon, que agora vemos nos mapas.

A ideia de termos um pokémon principal que nos acompanha do princípio ao fim e que pode aprender todas as técnicas importantes, como Cut, é também libertador. Para trás ficam as equipas forçadas por pokémon que só utilizamos por uma técnica e que não servem para mais nada. Para além dessa vantagem, devo admitir que gostei de interagir diretamente com o Eevee e ver as suas reacções às várias situações que íamos encontrando. Se a série continuar neste sentido, espero que esta relação seja mais aprofundada e que tenha repercussões reais na jogabilidade.

Sabes qual é a melhor novidade destes jogos? Eu sei que os fãs vão odiar o que eu vou dizer, mas eu adoro que tenha uma jogabilidade mais acessível e simplificada. Os jogos originais acabavam sempre por me cansar e o mesmo não aconteceu aqui.

Tu sentiste o mesmo ou achas que a série Let’s Go simplificou a jogabilidade demasiado?

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A jogabilidade foi tão simplificada que o jogo pode ser jogado com apenas um dos Joy-Con. A captura dos pokémon é relegada para os controlos de movimento do comando, algo que nós não apreciámos ao longo do jogo.

David: Sou da mesma opinião. Toda a simplificação foi fantástica porque retirou elementos que hoje em dia são frustrantes se pegares no teu Game Boy.

Dois rápidos exemplos são: Poderes ver os pokémon ao “vivo” e escolheres quais queres combater ou fugir, algo que se revela muito útil para não apanhares 789 zubats numa cave; ou o simples facto de não gramares com o som irritante dos pokémon perto de falecerem.

Ainda sobre a navegação, essa simplificação não torna o jogo menos desafiante. Foram muitas as vezes que embati contra pokémon acidentalmente e o respawn de criaturas, em particular, é tão ritmado como antigamente. A captura apesar de ser retirada do jogo mobile, achei-a bastante interessante e desafiante q.b. Também ajuda a manter o ritmo e não nos preocuparmos tanto com a saúde da nossa party.

Uma adição que adorei, foi o facto de podermos ter agora acesso a todos os Pokémon, sem necessidade de recorrer ao PC, o que torna a gestão muito mais cerebral – ao podermos mudar a nossa equipa on the go e com um treino muito mais constante. Em vez de partilhar experiência só entre os meus 6 principais, aqui consegui ter quase 20 pokémon desde perto do inicio do jogo a níveis mais equilibrados.

Canelo: Como não jogava um título principal da série há anos, todas estas mecânicas foram refrescantes e também apoio esta simplificação. O jogo continua a ter desafio para os jogadores que quiserem apanhar todos os pokémon, incluindo os lendários, e algumas das batalhas contra treinadores, que estão novamente presentes, não são tão fáceis quanto aparentam ser. Gostei do grau de dificuldade do jogo.

No entanto, não nos podemos esquecer que este jogo é para os fãs da primeira geração e para os jogadores mais novos. A ideia de termos um sistema de captura mais simples e intuitivo faz com o que jogo seja ideal para as crianças e faz-me pensar que este exclusivo da Switch poderá ser a melhor porta de entrada para a série.

É óbvio que podíamos ter um remake mais robusto e um mundo muito mais expansivo do que aquele que recebemos, mas como experiência nostálgica é um deleite. E no que toca à performance? O que achaste? Eu encontrei várias cidades em que senti uma queda acentuada de frames.

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Alguns pokémon podem ser montados e utilizados como transporte, algo que fazia falta no mundo dos jogos originais.

David: Sim, a dificuldade estava no ponto. O próprio jogo motiva-nos a ganhar experiência com o sistema de captura antes de avançarmos e se fizermos a coisa como o jogo “manda”, é tudo muito suave. Também sinto que este é o melhor isco que a Nintendo podia ter para a sua consola de um ano, especialmente para a nossa geração de jogadores. Pessoalmente, resultou.

Quanto ao desempenho do jogo, acho que se comportou bastante bem. Eu joguei a maioria do tempo no modo portátil e comparado com o modo docked não notei diferenças. Os únicos momentos em que senti quedas de fluidez foi em zonas onde existe nevoeiro, um ginásio em particular e um lider da Elite Four; foram onde observei mais isso. De resto, comportamento fantástico. Animações bastante boas, direção de cinemáticas e de batalhas no ponto e uma banda sonora que, não estou a exagerar, fez-me sentir por vezes no universo Ghibli. A orquestração dos temas é fantástica.

Canelo: Não o comparava às criações da Ghibli, mas compreendo o que estás a dizer. Apesar de ser um pouco infantil, eu adorei a direção de arte do jogo e os modelos das personagens. Gosto das influências dos restantes títulos da série, da própria animação e dos seus filmes no design dos cenários e das personagens. É a primeira aventura da série em alta definição e acho que foi uma aposta de sucesso.

Apesar de fazer parte da série, não sei como é que estas mecânicas irão funcionar nos próximos jogos. Não sei se quero ter esta mecânica de captura para sempre ou até mesmo a ligação a Pokémon Go, que substituiu o antigo Safari (e que eu nunca utilizei, para ser sincero), especialmente com o destaque que recebeu nestes jogos. Achas que este é o futuro da série ou apenas uma mera passagem e, como disseste bem, o isco perfeito para reconquistar os fãs e prepará-los para o próximo jogo?

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Pikachu e Eevee acompanham-nos durante a aventura e é possível vesti-los e decorá-los à medida que vamos desbloqueando novos fatos. A nossa personagem também pode ser totalmente personalizada, com vários chapéus, fatos e ténis à nossa disposição.

David: Admito que odiei a interação com o Pokémon GO. A ideia é interessante, mas perdeu-se ali um elemento e uma porção de jogo bastante interessante, até porque no jogo original trocava-nos as mecânicas de jogo. Era frustrante e divertido ao mesmo tempo. A ideia de agora o modo Safari ser, literalmente, o mundo real, é ambiciosa, mas nem todos os fãs e jogadores jogam isso, nem é este jogo que os vai pôr a jogar. O meu ódio não se prende por esta ideia “trans-média” forçada, mas sim pelas dificuldades técnicas na transferência de criaturas, que me tiraram a vontade de a experimentar.

Mas rant de parte, eu mal posso esperar pelo próximo Let’s Go. Este jogo foi demasiado delicioso e quero mais, mas infelizmente quero algo mais “novo.” Como dizia no inicio, senti a falta de algo, talvez da Liga Laranja? De outros pokémon da geração seguinte? Um outro tipo de End Game? Não sei. Agora vou literalmente apanhá-los a todos e rezar que haja algum DLC nos próximos meses.

Uma coisa é certa, quero Johto para ontem.

Canelo: É o problema de termos um jogo tão enraizado na nostalgia. Se mudasse demasiado, seria criticado, mas como não mudou o suficiente, alguns fãs mantêm-se desiludidos. Na minha experiência com o jogo, sinto que tive o que queria, mas saí a pensar que não me importava de ter algo mais substancial no que toca à jogabilidade. Mas tendo em conta que eles simplificaram tanto dos elementos que achava irritantes, não me posso mesmo queixar. É uma excelente entrada na série tanto para os fãs dos originais como para os mais novos e a Nintendo nesse aspecto raramente falha.

Não sei mesmo se quero outro Let’s Go, mas sinto que este foi o jogo ideal para me fazer pensar novamente na série. Eu posso-me queixar à vontade, mas uma coisa é certa: tal como tu, eu quero Johto e quero um remake de Crystal. E é assim a nossa relação com Pokémon.

Nota 8
A escala utilizada é de 1 a 10

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