Saltar para o conteúdo

The Forest | GLITCH REVIEW

D

epois de dezenas de horas passadas em 7 Days to Die e de uma passagem rápida por Conan Exiles, chegou a hora de alimentar o meu amor por jogos de sobrevivência com The Forest. Quatro anos depois do seu lançamento em Early Access, o jogo da Endnight Games está finalmente completo e pronto para a sua estreia, em exclusivo, na PS4 e dar aos fãs do género a experiência que pediam nas consolas.

A-FLORESTA-Reviews---Selo

Como um jogo de sobrevivência, The Forest é intenso e intimidante. Apesar de não estar completamente dentro do género, é a primeira vez que encontro um título tão focado no terror como na sobrevivência, algo que me deixou absolutamente surpreendido. The Forest dá-nos florestas escuras e espessas, cavernas labirínticas e envoltas em sombras carregadas e alguns dos inimigos mais assustadores que encontrei neste género. Cada noite é um pesadelo e à medida que vamos explorando a floresta, mais segredos iremos descobrir e mais a nossa vontade de sobreviver crescerá.

Ao contrário dos restantes títulos do género, The Forest é também inteligente na forma como constrói a sua campanha. Aqui não temos apenas de sobreviver, mas sim de encontrar o nosso filho, Timmy, raptado pelos nativos da ilha após um desastre de avião. O jogo coloca-nos nos destroços do avião como o único sobrevivente do desastre e com a memória do rapto do nosso filho. Ao acordarmos, temos uma missão, um objetivo claro e uma força narrativa que dá à exploração toda uma nova importância. Cada caverna que encontramos não é apenas um local para recolhermos novos recursos, mas também um passo importante em relação ao paradeiro de Timmy e por esse motivo, devemos continuar a explorar.

Através deste enaltecimento da narrativa e do seu objetivo final, The Forest ganha uma urgência interessante que irá motivar-nos a seguir em frente. Mesmo com este foco, a sobrevivência e a exploração não perdem a sua importância, com os seus elementos a comporem esta guerra constante contra os canibais que nos perseguem. Para os vencermos, temos primeiro de vencer os elementos, de construir uma base e garantir a sua defesa para contra-atacarmos com todas as nossas forças. Ao fim de poucas horas, senti-me como um Rambo; meticuloso, astuto e com uma fortaleza por detrás de mim, onde conseguia controlar todos os movimentos dos meus inimigos.

3394136-20180508225844_1.jpg
A nossa base poderá ser atacada pelos canibais a qualquer momento e é necessário construir as defesas necessárias para garantirmos a nossa sobrevivência. O jogo oferece-nos um leque interessante de armadilhas, mas não o suficiente para envolver completamente os jogadores.

A construção é também importante e até essencial à medida que avançamos no jogo e começamos a ser alvo de ataques constantes. Apesar de ser mais limitado do que alguns dos seus rivais, como 7 Days to Die, The Forest dá-nos os alicerces necessários para construirmos quase tudo o que quisermos, disponibilizando mecânicas intuitivas para darmos aso à nossa imaginação. É possível, por exemplo, construir casas nas árvores, interligadas por pontes, e construir rampas e elevadores de corda para transportarmos facilmente todos os materiais que recolhemos. Existem ainda plantas para a construção rápida de estruturas, mas The Forest dá-nos a possibilidade de construirmos livremente através do posicionamento de materiais no mundo do jogo, sem limitações. Se tivermos os recursos necessários, podemos criar fortes ou castelos desde que tenhamos uma imaginação suficientemente abrangente.

Para além da construção, é possível combinar itens para criarmos armas mais poderosas ou peças de equipamento, elementos essenciais para a nossa sobrevivência. É aqui que entra a recolha de mantimentos e a caça de animais para termos alimentos e recursos suficientes para as nossas viagens pela ilha. Podemos também encontrar locais secretos, especialmente dentro de cavernas, com recursos escondidos e algumas armas mais poderosas. Esta combinação de itens pode ser feita em qualquer parte do mapa e não é, infelizmente, tão intuitiva como a construção, sendo necessário selecionar um item independentemente para sabermos o que poderemos construir com ele. Uma lista constante dos itens seria mais útil e rápida, eliminando algum do stress inicial do jogo.

3394039-the-forest-review-thumb-nologo.jpg
A presença constante dos canibais é aterradora e conseguimos ouvir os seus gritos através do mapa, tal como os seus passos. A sensação de perigo está muito bem desenvolvida e faz-nos pensar que nunca estamos seguros, por mais que exploremos.

A ilha e a sua floresta densa estão em grande destaque, oferecendo um vasto terreno que podemos explorar livremente. O que me surpreendeu foi a presença de vários pontos de interesse pelo mapa, como barcos à deriva ou bases abandonadas, algo que foi alimentando a minha curiosidade e motivando-me a explorar cada um dos seus recantos. O jogo está repleto de segredos e consegue ainda construir um mistério que pode ser interligado através de documentos e outras pistas visuais espalhadas pelos cenários, dando-nos a sensação de estarmos dentro de um mundo vivo e mais realista. Com a presença constante dos canibais e a descoberta das suas aldeias, que se encontram espalhadas pela ilha, há também uma sensação de perigo iminente que torna a exploração mais intensa e até mais divertida.

A passagem para a PS4 traz alguns problemas incontornáveis, nomeadamente nos gráficos, que não conseguem atingir a definição e detalhe da versão PC. Apesar de existirem momentos em que The Forest brilha, especialmente no amanhecer com vários fios de luz a percorrerem os ramos das árvores, não estamos perante um jogo que nos consiga captar através dos seus gráficos. A performance é sólida, ainda que tenha encontrado algumas quedas de framerate, e se tiver de escolher, irei sempre preferir um jogo que corre sem soluços a um jogo que só seja capaz de me dar gráficos apelativos sem uma performance consistente.

The-Forest-PC-Gameplay.jpg
The Forest apresenta um modo multijogador que nos dá a possibilidade de jogarmos com amigos, colocando-nos numa situação onde a cooperação é necessária.

Outro problema incontornável encontra-se na interface dos menus, que são difíceis de navegar através do comando. O design dos menus tenta aliviar esta ausência do rato, assumindo-se como um guia de sobrevivência, mas é cansativo quando temos de construir algo e somos obrigados a navegar por várias opções para chegarmos ao item que queremos. É impossível encontrar um menu eficaz quando existe esta passagem do PC para as consolas e The Forest não consegue, de todo, evitar esta falha. Apesar dos menus pouco intuitivos, é um problema que perde a sua importância após algumas horas de jogo.

O que é de louvar é a sua fantástica banda sonora e desenho de som, que enaltecem o seu foco no terror. Os sons de animais, do vento e de outros fenómenos naturais, os gritos assustadores dos canibais e os seus passos ao longe são alguns dos elementos que compõem a banda sonora, dando-lhe uma riqueza e transmitindo uma calma e, ao mesmo tempo, uma urgência que nunca tinha sentido neste género. Devido à ausência de um mapa eficaz, os sons ajudam-nos ainda a navegar pelos cenários e numa noite, em que me perdi, acabei por encontrar o meu caminho pelo escuro ao ouvir os sons das ondas ao longe.

The Forest é o jogo de sobrevivência que queria na PS4 e tem sido delicioso descobrir todos os seus segredos à medida que exploro esta ilha infernal. A aposta no horror, que é personificado através dos canibais que nos perseguem, é refrescante e a existência de um objetivo claro, mas que nos dá a liberdade para criar e explorar ao nosso próprio ritmo, cria um jogo que se torna impossível de largar. O início pode ser intimidante, mas à medida que as horas passam e nós dominamos as suas mecânicas, a ilha fica à nossa mercê e é ai que a aventura começa.

Nota 8
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Endnight Games.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: