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Mega Man 11 | GLITCH REVIEW

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ete anos depois do cancelamento de Mega Man Legends 3 e dois anos depois do lançamento polémico de Mighty No.9, Mega Man está de regresso ao mundo dos videojogos com uma sequela capaz de evoluir a jogabilidade clássica da série sem perder a fórmula e o charme que a popularizaram. É um regresso em grande para o Blue Bomber e para uma Capcom que parece estar pronta para ouvir e satisfazer os fãs.

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A fórmula não precisou de mudar e Mega Man 11 banha-se no classicismo dos títulos anteriores para nos dar uma história simples, mas suficientemente presente para nos motivar nesta nova demanda. Não existe aqui o foco narrativo de Mega Man 8 ou a simplicidade absurda dos primeiros jogos, mas Mega Man 11 consegue um equilíbrio saudável e perfeito para um regresso desta magnitude. Desta vez, voltamos ao passado de Dr. Light e Dr. Wily para descobrirmos uma antiga tecnologia capaz de despertar novos e inesperados poderes nos robots.

A narrativa nunca foi o foco desta série, que já celebrou o seu 30º aniversário, mas sim a jogabilidade, o design dos níveis e os poderes interessantes dos nossos inimigos. Desta vez, existe, no entanto, uma ponte entre a história e as mecânicas através da nova habilidade Double Gear, que Mega Man domina nesta primeira aventura em alta definição. Através da sua utilização, somos capazes de abrandar o tempo ou de aumentar o poder de ataque do robot azul, despoletando um leque interessante de possibilidade e estratégias para superarmos os níveis e os seus bosses.

As habilidades são muito efetivas e podem ser utilizadas a qualquer momento, existindo uma limitação temporária que restringe a sua presença. Se sobreaquecermos Mega Man com uma destas habilidades, ficamos incapacitados de as utilizar durante uns segundos, algo que poderá ditar o nosso destino nos momentos mais caóticos dos níveis. Existe, portanto, a necessidade de ler e estudar bem cada um dos níveis para sabermos quando devemos abrandar o tempo e utilizar o poder extra para eliminar rapidamente os inimigos.

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Rush, o leal companheiro de Mega Man, também está de regresso com as suas habilidades especiais.

Apesar das suas limitações, senti que as novas habilidades facilitam certos momentos da campanha, ainda mais se juntarmos a possibilidade de comprarmos novos poderes através do laboratório de Dr. Light. No entanto, é reconfortante verificar que os níveis estão pensados para as novas habilidades, existindo um equilíbrio eficaz entre o desafio e as possibilidades de ambas as Gears. Tenho também de sublinhar a sua utilização na descoberta de segredos, como tanques de energia, e a sua importância para as corridas contra os relógio.

À primeira vista, Mega Man 11 pode parecer ser mais fácil do que os jogos anteriores, especialmente com a presença das novas habilidades, mas é exatamente o contrário. Talvez seja falta de hábito ou até de treino da minha parte, mas senti que tive de suar e reaprender tudo sobre a série enquanto jogava Mega Man 11. Os níveis são extensos, muito mais do que esperava, e conseguem captar toda a dificuldade clássica da série enquanto complementam o seu design com os novos poderes e habilidades. Há uma maior aposta nas plataformas e nos saltos milimétricos, apesar de não termos tantas armadilhas sádicas, como picos que nos matam com um só toque. É um jogo que não tem quaisquer receios em nos desafiar ao máximo.

O posicionamento dos inimigos é inteligente e leva-nos muitas vezes a encurtar a distância ou a mantermo-nos em movimento para os conseguirmos derrotar enquanto navegamos através de plataformas e outros perigos. Os níveis apresentam, como sempre, vários temas que são muito bem traduzidos para a jogabilidade e para os inimigos e desafios que encontramos, como o ácido no nível de Acid Man ou as colunas de fogo do nível de Torch Man. As batalhas contra os bosses são intensas e dividem-se, na maioria dos casos, em três fases. Tal como Mega Man, os robots também podem utilizar as Gears e aumentar o seu poder ou a sua velocidade, dando-nos um novo desafio a meio dos combates.

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A dificuldade é progressiva, com os níveis a apresentarem os perigos um de cada vez e em situações mais controladas antes de nos colocarem à prova.

O que me impressionou foi a importância e a versatilidade das armas principais. Ao contrário de alguns títulos da série, onde as novas armas só servem, quase unicamente, como fraquezas para os bosses, Mega Man 11 consegue criar situações suficientemente variadas para cada um dos poderes. Desde o seu alcance até à sua verticalidade e propriedades elementais, conseguimos encontrar mais do que um propósito para cada uma das armas. Se estiverem numa sala escura e tiverem, por exemplo, o poder de Fuse Man, podem recuperar a iluminação e continuar em frente. Para além destas vantagens, vi-me a utilizar várias vezes as armas e poderes para melhorar a minha performance e encontrar o melhor caminho até ao final.

Mega Man 11 é um jogo capaz de nos levar a gritar e a puxar os cabelos, mas a sua jogabilidade é tão limada, tão cuidada e intuitiva que não conseguimos parar. Cada salto tem impacto, fácil de controlar e Mega Man é responsivo em todos os momentos. Os poderes podem ser rapidamente selecionados através do analógico direito e é possível equipar o nosso robot com poderes secundários, como a possibilidade de andarmos sobre picos ou evitar quedas mortíferas. Em movimento, é um jogo que nos agarra, que nos pede para continuarmos em frente e que nos motiva a aprender todos os seus segredos. Com o tempo, começamos a sentir que conseguimos avançar mais e mais, até que chegamos ao final. Mesmo com todos os gritos, este é o desafio que procurava num novo Mega Man.

A nível gráfico, Mega Man 11 transporta a série para a alta definição, abandonando por completo a aposta nostálgica dos títulos anteriores. Para trás ficaram os gráficos 8 bits e a música MIDI, com a Capcom a apostar finalmente em cenários detalhados, coloridos e cheios de animação. As cores são um dos destaques do novo jogo, juntamente com as animações e os modelos pormenorizados de Mega Man e dos restantes robots, demonstrando um equilíbrio saudável entre este novo estilo e as inevitáveis influências dos títulos clássicos. Mega Man 11 parece ser um desenho animado com os modelos a apresentarem uma estética que nos faz relembrar o estilo cel-shaded, ainda que sem as cores pasteis.

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Não se deixem enganar pelas cores e as luzes: este jogo é extremamente difícil quando quer.

Apesar da sua cor e vivacidade, alguns níveis apresentam fundos pouco interessantes e uma falta de movimento e ação. Não é um problema comum em todos os níveis, mas para um jogo tão simples e ao mesmo tempo tão preciso e apurado como este, os problemas, quando visíveis, destacam-se rápida e facilmente. As animações compensam estas falhas ocasionais e com o ritmo frenético e desafiante da jogabilidade, mal teremos tempo para parar e olhar para alguns dos cenários mais vazios.

No que toca a extras, podem contar com o tradicional Boss Rush, onde somos desafiados a derrotar todos os bosses por ordem, e ainda um Challenge Mode, ideal para os jogadores mais experientes. Este modo promete ser uma verdadeira dor de cabeça, mas também uma mais-valia para a durabilidade de Mega Man 11. Em Challenge Mode, podemos desafiar-nos a acabar o jogo mais rapidamente, a usar o salto e os nossos ataques menos vezes ou então a rebentar balões espalhados pelos níveis ou a colecionar medalhas. Se aceitarem o desafio, vão encontrar um twist interessante à fórmula do jogo.

Mega Man 11 marca também o regresso da compra de itens entre níveis, aqui personificada pelo laboratório de Dr. Light, onde podemos adquirir novas habilidades, vidas e ainda tanques de energia. Para termos acesso a estes itens extra, temos de colecionar parafusos espalhados pelos níveis e aceder ao laboratório entre níveis ou quando somos derrotados. A loja tem sido uma presença forte na série e aqui encaixa-se perfeitamente no ritmo do novo jogo, especialmente se tivermos em conta a sua dificuldade. Desta forma, podemos personalizar o nosso robot à vontade e aceder a novas mecânicas à medida que avançamos na campanha.

Os fãs pediam o regresso do famoso Blue Bomber e a Capcom respondeu finalmente aos seus pedidos com uma das melhores sequelas da série. Apesar de não ser um título inovador, Mega Man 11 impressiona através da sua jogabilidade sólida e equilibrada sem perder a sua aposta na dificuldade e no design cuidado dos níveis. É um jogo que promete revitalizar a série sem alterar as suas raízes, transportando Mega Man para a atual geração sem necessitar de apostar na nostalgia e em truques visuais. Os 8 bits ficaram para trás e ainda bem – Mega Man está de regresso.

Nota 8
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (Nintendo Switch) foi cedido pela Ecoplay.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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