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Forza Horizon 4 | GLITCH REVIEW

E

ste tem sido um ano excelente para os videojogos. Em particular para a PlayStation 4, onde encontro dois dos melhores jogos desta geração. Mas tive, recentemente, uma experiência, que nem eu, o maior fã do género neste clube chamado GLITCH EFFECT, estava à espera de ser tão incrível.

Bastaram 30 segundos de Forza Horizon 4 para ficar de queixo caído e apaixonado pelo jogo. 30 segundos que se alastraram pelas 26 horas e 34 minutos que tenho de jogo neste momento e que espero multiplicar por dez. Forza Horizon 4 é do caraças e levou-me até às nuvens.

Quem segue o GLITCH do inicio sabe da minha relação com a série e quem me conhece pessoalmente sabe bem o que significa para mim. Ainda assim, há que admitir que ao fim de dez jogos Forza, a fadiga espreita já ali. Este é o quarto capitulo do spin-off Horizon, a série lançada bi-anualmente emparelhada com a série mãe, a Motorsport. Felizmente este spin-off cresceu o suficiente para ser um monstro independente e Forza Horizon 3 foi um ótimo exemplo disso, mas foi pela sua excelência e pelo facto de eu ter explorado todos os centímetros quadrados do mapa principal e das suas duas expansões, que achei que “o próximo Forza” iria ser apenas um reskin com conteúdo atualizado.

E, ena pá, estava tão errado.

 

Se há coisa que adoro são boas primeiras impressões e Forza Horizon sempre foi bom nisso, mas neste jogo, a série fez a melhor apresentação possível. Ainda que a introdução fosse um pouco on-rails, com as ajudas do carro todas ligadas, a fluidez, os controlos e a apresentação visual fizeram-me sentir coisas raras. Eu já tinha assistido a este segmento através de vídeos, como foi o caso da apresentação da E3 2018, mas este é mesmo um daqueles caso de ver para crer, neste caso jogar, e foi tão eficaz que depois disso tem sido difícil entrar no jogo sem esboçar um enorme sorriso.

A jogabilidade não é muito diferente do que já tínhamos em jogos anteriores, na realidade é basicamente a mesma; é bastante familiar, mas altamente afetada pela nova seleção de veículos com características e comportamentos diferentes; pela variedade de zonas e de terrenos existentes; e pelas transformações que o mapa vai sofrendo ao longo do tempo.

Com a sua filosofia meio simulador, meio arcada, Forza Horizon 4 carrega forte no pedal do arcada de forma bem eficaz. É fácil de jogar por qualquer um, mas torna-se bastante desafiante quando elevamos a fasquia. A acessibilidade é, e sempre foi, uma grande prioridade nos jogos Forza, e aqui não é exceção, e podemos personalizar a dificuldade à nossa medida, ao mesmo tempo que somos altamente motivados a experimentar coisas novas com os diferentes desafios que vamos encontrando pelo mapa.

Forza Horizon 4 introduz as quatro estações do ano. Com um mapa sensivelmente do mesmo tamanho de Forza Horizon 3, que, por sinal, era enorme, aqui tem quatro versões, cada uma adaptada a uma estação. Não é só a nível visual e na atmosfera que estas estações mudam o jogo, mas também pelas mecânicas e oportunidades que nos são apresentadas. É lógico que é impossível andar sempre com o mesmo veiculo, mas face a estas alterações há uma necessidade de experimentar diferentes veículos e de os adaptar a cada estação. No outono, os caminhos apresentam mais lama; no inverno, as estradas são mais molhadas e temos lagos congelados; o verão é quente e seco; a primavera é basicamente o outono, mas com tons mais verdes e com as suas nuances.

 

A variedade de eventos é desta vez maior, mais segmentada e com pequenas adições como histórias e eventos bem singulares, também eles dedicados às diferentes estações do ano. Neste tipo de conteúdo nota-se que houve uma dedicação enorme da Playground Games em tornar o jogo mais divertido, desafiante e menos frustrante. Chegar em primeiro já não é uma prioridade com o foco da maioria dos eventos a ser concentrada em objetivos. É claro que a primeira posição tem recompensas maiores, mas no que toca ao ato de completar o jogo a 100% e ao desbloqueio de eventos consequentes, em muitos eventos basta simplesmente completá-los.

As atividades encontradas pelo mapa sofreram também alterações positivas, tirando partido de melhores secções do mapa e desativando o tráfego existente quando ativamos uma zona de velocidade ou de drift, poupando-nos de sérias frustrações. Obrigado Deuses da Playground, falo a sério.

Mesmo com a jogabilidade e as atividades melhoradas e variadas, aquilo que me vendeu mesmo a sério foi o seu modo “online.” E as aspas em “online” são importantes no contexto de Forza Horizon 4. Não há uma separação entre o modo a solo e o modo online (a menos que desliguem a rede obviamente). Assim que entramos no jogo estamos num mundo partilhado com os possíveis 72 jogadores por sessão. A partir daqui, a magia acontece. O jogo torna-se num fórum, num clube, numa sala de estar onde podemos interagir com os outros jogadores, ajudá-los em atividades cooperativas, competir com eles sem iniciar uma corrida ou simplesmente passear e tirar umas fotografias de grupo.

Durante as minhas sessões, senti-me privilegiado por entrar em lobbies onde joguei com elementos da equipa de produção e críticos de algumas das publicações mais populares. Dei por mim a aparecer em streams das maiores comunidades Forza e até encontrei amizades antigas que fiz online e com quem já não falava desde as nossas sessões de jogo em Forza Motorsport 4 para a Xbox 360.

“Mãe estou no Twitch” é o novo “Mãe estou na TV.”

E tudo isto acontece sempre de forma natural e orgânica. É possível entrar numa corrida de campanha e chamar a malta para se juntar a nós apenas com um clique. Entrar nas corridas de outros e ajudá-los a fazer objetivos ou até participar nas “Forzathons”, que são eventos aleatórios que nos fazem pisar o pedal até ao outro lado do mapa. Se Forza tivesse um modo Battle Royale, podia começar com esta base.

Mas estas novidades e partilhas de experiências sacrificam algumas mecânicas. A mais importante é a frequência com que temos as estações do ano, que mudam semanalmente. Infelizmente não é possível alterar manualmente para a nossa estação favorita e estamos limitados ao relógio do jogo. A implicação desta decisão vai de encontro à partilha da experiência, que mesmo fora do lobby de jogo, ou a jogar a solo, vamos estar todos na mesma versão da Grã-Bertanha virtual.

Há um lado muito mais positivo que se sobrepõe, que tem a ver com a longevidade do jogo e a oferta de conteúdos. Com estas alterações semanais, um pouco à semelhança do que temos em Fortnite, há desafios para cumprir novos itens para desbloquear e basicamente temos um mapa diferente todas as semanas, numa tentativa de nos motivar a voltar com frequência ao jogo.

E claro, não podia deixar de referir os gráficos. Esta edição de Forza Horizon foi o meu primeiro grande teste ao PC que construí este verão. Não montei um computador a pensar no Forza Horizon 4, mas neste momento sinto que fiz o melhor negócio do mundo, ainda que tenha sido moderada e modesta.

Forza Horizon 4 no PC é absurdamente lindo! E corre tão bem que não sei se quero voltar a ligar a minha Xbox One. Mas como sou um tipo curioso lá fui à consola, ver com os meus próprios olhos que é de facto um dos jogos mais bonitos da plataforma, mesmo a correr apenas a 30fps na minha OG de 2014.

Um dos eventos mais loucos é dedicado a Halo.

É óbvio que Forza Horizon 4 não existe sem imperfeições, mas as que encontrei foram simplesmente questões de gosto pessoal, como por exemplo a playlist escolhida para as diferentes estações de rádio para este jogo, quase nada referente a questões de design ou funcionamento do jogo. E a verdade é que quando o jogo acerta em praticamente tudo o que tem para acertar é difícil apontar o dedo seja a o que for.

A quantidade conteúdos, a consistência dos mesmos, a apresentação visual e a fantástica execução da ambição da Playground Games, coloca Forza Horizon 4 ali na lista dos melhores do ano.

A escala utilizada é de 1 a 10

David Fialho Ver todos

É geek, é jogador, gosta de novas tecnologias e tem a mania que sabe opinar sobre algumas coisas.

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