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Ninjin: Clash of Carrots | GLITCH REVIEW

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o meio de lançamentos como Dragon Quest XI e o muito aguardado Marvel’s Spider-Man, fomos encontrar um pequeno e peculiar jogo de ação arcada. O tempo é pouco e com o final do ano cada vez mais próximo, que promete ser intenso no que toca a novos jogos, talvez seja a última oportunidade de analisarmos jogos mais experimentais e com um tom muito mais pessoal que os grandes lançamentos AAA. E às vezes, é mesmo muito bom parar e simplesmente derrotar robots que atiram discos de hóqueis em chamas e apanhar cenouras que saltam por todo o cenário.

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Ninjin: Clash of Carrots coloca-nos num mundo cómico e muito colorido onde assumimos o papel de um coelho ninja, a solo ou cooperativamente – com a opção para jogarmos online também disponível –, que tem como missão derrotar o shogun malvado e recuperar as cenouras que foram roubadas da sua aldeia. A premissa é simples e foca-se muito nas peculiaridades das suas personagens, com o humor a destacar-se através de sequências de diálogo que misturam o melhor de um desenho animado com a cultura pop.

Já na jogabilidade, Ninjin parece caminhar numa linha ténue entre um título de ação arcada e um jogo de ritmo. Como somos um ninja, conseguimos deslocar-nos rapidamente de um lado para o outro, transformando os níveis numa correria constante. As personagens estão sempre em movimento e os inimigos surgem através de vagas, com os níveis a apresentarem várias fases, cada uma delas com novos combates e até com mini-bosses.

Apesar da curta duração do níveis, Ninjin não é um jogo fácil. Existem várias habilidades, como o ataque rápido, que podemos utilizar para derrotar inimigos ou encurtar a nossa distância, mas os combates não são, de todo, intuitivos à primeira. Isto porque a única forma de atacarmos os nossos inimigos sem sofrermos qualquer dano é através de golpes nas costas. Isto significa que estamos constantemente a mudar a nossa posição à procura de uma oportunidade e com o sistema de stamina, que é reduzido sempre que usamos um desvio rápido ou atiramos um dos projeteis, a limitar as nossas deslocações, é necessário ter uma noção prévia do tipo de inimigo e dos seus padrões.

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Os níveis são muito coloridos e intensos e dão-nos a sensação de estarmos presos a uma passadeira automática.

Para além dos dois ataques principais, podemos equipar o nosso coelho ninja com novas habilidades, que desbloqueamos à medida que derrotamos mais bosses, e artefactos que melhoram a sua saúde e stamina e adicionam certas vantagens aos combates, como a possibilidade de recebermos mais cenouras por inimigo. Como seria de esperar, as cenouras são a moeda do jogo e será preciso apanhar o maior número possível deste vegetal para desbloquear novas armas e fatos. Ninjin não é um jogo muito longo, mas está pensado para ser repetido várias vezes, seja para melhorarmos a nossa pontuação ou para arrecadarmos mais cenouras que serão transformadas em novos equipamentos. É simples e eficaz.

Apesar da sua simplicidade, existem certos aspetos da sua jogabilidade e apresentação que dificultam a nossa diversão a longo prazo. É certo que é um jogo curto e sinto que é assim que deve ser, mas isso não o proíbe de ter uma maior variedade de cenários e de níveis que consigam quebrar a fórmula. Mesmo com os perigos nos cenários, como o gelo que torna o chão mais escorregadio, senti um enorme cansaço à medida que avançava pelos níveis. A falta de inimigos mais memoráveis também não ajudou, especialmente no que toca aos seus padrões, tornando a jogabilidade tão repetitiva como desafiante.

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O mundo está dividido por níveis e são apresentados através de um mapa que vos irá deixar saudosistas.

Mas o pior elemento de Ninjin é a sua cacofonia de cores e sons que criam um ambiente caótico e impróprio para um jogo deste género. Eu adoro jogos cheios de cor e personalidade, e o trabalho de sprites e de pixel art é cativante e até adorável, mas isso não é o suficiente para justificar a confusão de ataques, inimigos e de efeitos visuais que encontramos em alguns dos níveis. É difícil de jogar e encontrar um ritmo satisfatório quando o jogo parece estar mais interessado em cansar-nos.

No final do dia, Ninjin: Clash of Carrots não deixa de ser um adorável jogo de ação arcada com um bom loop de jogabilidade, seja pela duração dos níveis, dos vários bosses que encontramos e pela vontade constante em desbloquear novos equipamentos. Não é um jogo perfeito e a sua jogabilidade torna-se muito repetitiva a curto prazo, mas há aqui um charme muito próprio que quase desculpa a maioria dos seus problemas. Quando acabarem a campanha, têm também um modo infinito onde podem lutar através de níveis sem fim para desbloquearem novos itens. E claro, podem fazer tudo isto com mais um amigo.

Nota 7
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Modus Games.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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