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V-Rally 4 | GLITCH TAG-REVIEW

V

-Rally: aqui está um nome que não ouvíamos há muito tempo. Prestes a fazer 20 anos, a série chega agora ao quarto jogo, novamente com uma equipa diferente ao volante, algo que não é um bom sinal. O novo jogo é da francesa Kylotoon, responsável pela atual série WRC, que conta com membros da produção original do primeiro jogo.

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Eu não me lembro de jogar V-Rally, acompanhei amigos meus e nunca me atraiu tanto como um Sega Rally ou um Colin McRae Rally. Que histórias contas do teu lado, Canelo?

C – Conto histórias de glórias passadas e de boas memórias. A série V-Rally teve um peso inesperado na minha vida e o segundo jogo foi um autêntico ladrão de horas quando saiu. Mesmo não sendo um fã do género, a aposta numa jogabilidade mais arcada, ainda mais do que na série Colin McRay Rally, despoletou a minha curiosidade e levou-me a enfrentar a campanha durante várias horas à procura de novos carros e pistas.

É incrível encontrar esta série tantos anos depois, mas depois de jogar o novo jogo, percebo que o saudosismo nem sempre funciona. Penso que concordas comigo.

D – É curioso falares no aspeto mais arcada, até porque foi com essa mentalidade que vim jogar V-Rally 4, mesmo percebendo pelas minhas pesquisas que o jogo até queria ser um semi-simulador. Mas falando do novo jogo, vou ser direto. V-Rally 4 não tem uma boa jogabilidade. E digo isto com algumas reservas porque fiquei estranhamento cativado com a tentativa de manter o carro na pista. O meu problema tem a ver com a física inexistente.

Os carros parecem que flutuam e contam com um centro de gravidade aleatório, por vezes parece que estamos a controlar pêndulos. O comportamento expectável dos carros é contraditório, com alguns, que na teoria deviam de ser mais fáceis de controlar, a serem uns autênticos diabretes, como o Mini, e os mais animalescos quase que se conduzem por si. Tu, que não tens hábito de jogar corridas, como te sentiste?

C – Foi estranho, porque também parti da noção que estaria mais próximo da jogabilidade arcada e não de um verdadeiro simulador. E acho que a própria equipa não soube muito bem o que queria fazer, pois a jogabilidade é mais do que inconsistente.

Senti muito essa falta de controlo nos carros e na sua direção, com carros a serem impossíveis de controlar em certos terrenos, apesar de não termos meios para os melhorar ou para os preparar antecipadamente. Existe essa mecânica de melhoramento, mas apenas depois de vários dias (in-game) de utilização. Um carro pensado para um tipo de evento e que não pode ser logo personalizado, deve funcionar nessa pista.

Apesar de ter conseguido acabar a maioria das pistas em primeiro, nunca me senti em controlo do carro e das minhas próprias ações, parecia que estava entregue à sorte e que a estratégia mais válida era largar o acelerador para fazer as curvas e não tentar mais nada com medo de virar o carro e perder segundos preciosos. Não há profundidade na jogabilidade.

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Existem vários tipos de terrenos e de eventos, mas o jogo não consegue justificar o nosso investimento através da sua repetição constante.

D – O maior problema deste jogo é que não sabe bem o que quer ser. Tem uma crise de identidade tão grande que começa no nome e acaba no seu sub-género. Na mesma prova sentimos que podemos jogar como se fosse uma coisa mais séria, como pode recriar cenas de Tokyo Drift.

As pistas, que não são recriações de locais reais, são largas com retas compridas e curvas longas, que não encaixam numa jogabilidade cuidada, mas temos obviamente zonas mais apertadas onde a sensação de velocidade dispara.

C – E esta inconsistência mantém-se a nível visual, que vai desde zonas muito bem retratadas e cheias de cor, como as pistas japonesas, a pistas desinteressantes e com poucos efeitos visuais. Parece ter sido uma produção de baixo orçamento, um lançamento rápido para apanhar esta moda saudosista que tem marcado os videojogos.

D – Por acaso, no que toca a apresentação das pistas, sinto que houve cuidado, e apesar de mal desenhadas no contexto do jogo, são muito detalhadas. Adorei em particular a zona do deserto e as florestas com as árvores enormes onde a luz reflete com muito brilho nos carros. Mesmo os carros, apesar de menos detalhados que a concorrência, têm bastante charme.

E por falar em veículos, outro ponto negativo. O conteúdo deste jogo que, como referes, parece ter um budget para um par de meias.

C – Esta falta de conteúdos é, no início, bastante disfarçada por uma campanha que procura apostar nesta vertente de simulador. Como já começa a ser norma, assumimos o papel de um novo condutor que quer ser campeão da modalidade e para lá chegar, é preciso criar a sua própria equipa, de mecânicos a promotores, comprar e melhorar novos carros e correr em todas as pistas possíveis.

Quando começamos, V-Rally 4 parece ser um bom exemplo, ainda que destilado, do que podemos encontrar no género, mas ao fim de umas horas, apercebemo-nos que é absolutamente limitado. Não há variedade de pistas, de eventos e desafios, e o pior, oferece um número risório de veículos para colecionarmos.

O pior é que existem vários tipos de corridas que nos obrigam a comprar carros específicos e rapidamente percebemos que ou estamos sempre a conduzir o mesmo ou que não há qualquer variedade na sua seleção. V-Rally 4 torna-se cansativo por ser tão limitado.

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Em movimento, V-Rally 4 não parece ser um jogo mal otimizado, mas quando paramos para absorver os cenários à nossa volta, começamos a ver os problemas. O facto de termos encontrados inúmeros bugs só demonstra como o jogo teve problemas de produção.

D – O momento em que me apercebi das limitações deste jogo foi quando a mesma música de hip-hop horrível tocava no menu de campanha em loop. Depois vi nos créditos que o jogo não quis saber disso para nada. A campanha é de facto igualmente pobre, com essas estranhas limitações de diferentes modalidades, injeção de modos de gestão desnecessários que podiam ser simplificados para este jogo, e uma seleção de carros vergonhosa. Onde está um Subaru? E só um Lancer Evolution? Isto contrastado com as cinco ou seis modalidades disponíveis, parece que queriam um jogo muito maior e melhor, e ninguém lhes deu apoio para poderem rechear o bolo.

C – Acho que V-Rally 4 tinha ganho muito mais em voltar à fórmula dos primeiros jogos do que a apostar nesta mescla de mecânicas que o coloca numa posição desconfortável. Este é um jogo que vive puramente do nome e que não oferece nada de novo, aliás, nem tenta. É impossível termos um bom jogo de condução com poucos veículos, uma jogabilidade inconsistente e uma campanha mal pensada. Mesmo com um modo online, não consigo ver a durabilidade de um jogo que é simplesmente aborrecido.

D – Na minha modesta opinião, este jogo não deveria ser um V-Rally, especialmente com o carinho que a série tem entre jogadores da viragem do milénio. Acredito que tenha um público e que possa ser divertido, especialmente em modos de êcra divididos entre amigos, mas este jogo de carros, eu não recomendo.

Nota 5
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Upload Distribution.

David Fialho Ver todos

É geek, é jogador, gosta de novas tecnologias e tem a mania que sabe opinar sobre algumas coisas.

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