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Warhammer 40K: Inquisitor – Martyr | GLITCH TAG-REVIEW

Naquele que é o primeiro RPG de ação inspirado no universo Warhammer 40K, o novo jogo da Neocore Games (The Incredible Adventures of Van Helsing) tem muito para provar. Será um RPG suficientemente profundo? E a história será fiel à licença? Para responder a estas perguntas, o David e o Canelo voltam a unir forças nesta nova Tag-Review!

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D – Canelo, diz-me. O que é, para ti, Warhammer Quarenta Mil Inquisidor Mártir?

C – É um dos jogos mais desinteressantes que joguei nos últimos meses. Não é mau, não é bom, mas sim apenas funcional e tão banal que eu acho que o começo a confundir com outros jogos do género. Eu sei que é difícil de fazer um bom RPG de ação isométrico, mas isto é todo um novo nível de banalidade.

D – O mais chocante da tua descrição é saber a quantidade de coisas desinteressantes que tens jogado. E por sinal, também eu, portanto concordo na perfeição. Mas adiciono uma nova camada. Este Warhammer 40K é extremamente estranho, uma definição que em condições normais seria suficiente para me atrair, mas revelou ser um dos jogos mais desnecessários, não só nas consolas, onde chegou e nós jogámos, mas nesta geração. Concordas?

C – Eu compreendo que seja interessante e empolgante para um fã de Warhammer 40K devido à sua história, mas para os restantes jogadores, existem jogos melhores e muito mais apelativos. É que sem a licença Warhammer, Martyr é apenas um jogo lento com um sistema de combate pouco profundo, apesar das classes e da variedade de armas que disponibiliza, e um leque muito limitado de missões. Eu admito que estava a entrar no ritmo das missões rápidas durante as primeiras horas, mas quando me apercebi que estava basicamente a repetir duas ou três missões só que em cenários ligeiramente diferentes, a ilusão quebrou-se. Por isso, sim, concordo contigo.

Mas Martyr tenta, pelo menos senti isso. Temos vários modos e sistemas solares, cada um com vários planetas, onde podemos aventurar-nos por missões divididas pela sua dificuldade. O ciclo de “combate e encontra novo loot” também está aqui, mas é tudo tão lento e cansativo que é quase impossível de jogar mais do que três missões por sessão.

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Apesar de incluir vários sistemas solares e planetas, Martyr parece estar sempre a repetir as mesmas salas cinzentas e metálicas que encontrámos no início da campanha. Mesmo com os cenários exteriores, tudo parece ser um corta e cola rápido e sem imaginação.

D – Apesar do jogo ter bastante ação, considerando o género, onde podemos tanto usar armas de disparo ou espadas para combates mais próximos, senti uma enorme lentidão em diferentes dimensões. Desde as técnicas ao ritmo. O jogo parece que começa tarde, ao fim de 4 ou 5 missões, onde temos acesso a novas mecânicas de gestão de equipamentos. O jogo tenta ter imensas coisas para fazer, algumas dedicadas à gestão de recursos e de habilidades, que são pouco convidativas e que nos obrigam, entre missões, a pensar e a fazer cálculos, especialmente quando mais para a frente temos de mudar o nosso equipamento para estarmos aptos para cada missão.

C – O jogo dá-nos um arsenal diversificado e não me senti propriamente limitado à minha classe, existindo sempre espaço para experimentarmos. E gostei da possibilidade de equiparmos duas armas, uma para cada braço, ou então uma arma e um escudo. A possibilidade de termos dois loadouts dá uma maior profundidade aos combates, como dizes, pois permite-nos tanto a atacar à distância como a responder aos ataques mais próximos. E tratando de um jogo  40K, temos hordas de inimigos atrás de nós e é preciso atacar rapidamente.

O problema é que a minha descrição é mil vezes mais dinâmica do que o jogo em si, que se concentra apenas no “aponta e dispara”. Não tive um único encontro desafiante, apenas combates artificialmente mais difíceis devido à força e pontos de vida excessivos dos inimigos mais poderosos. Isto cansa, especialmente quando avançamos e vamos encontrando níveis mais extensos e inimigos que mais parecem ser esponjas. É um ritmo de jogo que não me atrai minimamente, pelo menos aqui.

Acho que o jogo não é apenas arcaico na sua jogabilidade e não estou apenas a falar na decisão horrível de limitar o analógico direito ao controlo da câmara. Os gráficos dificultam o processo e Martyr parece ser um jogo mal otimizado e muito datado. Quando vi as primeiras imagens, parecia ser um jogo de PC perdido no tempo. Para piorar as coisas, os cenários estão constantemente a repetir-se, criando uma mancha estranha e cinzenta na minha memória.

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O modo cooperativo poderá atenuar alguma da repetição que sentimos ao longo da campanha e têm ainda a hipótese de lutar contra outros jogadores em PVP e criar a vossa própria equipa.

D – Ainda assim, apesar da diversidade e da possibilidade desse loadout duplo, a jogabilidade pouco ou nada mudou, com ataques bastante semelhantes entre os tipos de equipamentos. No meu caso joguei com a fação padrão e senti-me limitado durante as minhas sessões de jogo.

Isto também é refletido nos atributos dos equipamentos, uma vez que a dificuldade dos níveis parecia ser sempre a mesma e, na prática, o efeito e a força das armas iguais, exceto quando havia um boss numa sala que funcionava como esponja.

C – Para compensar alguma falta de profundidade nos combates, Martyr apresenta um sistema de crafting que procura dar-nos um maior controlo sobre a evolução da nossa personagem. O armamento é importante e com esta mecânica, desbloqueiam-se mais possibilidade. Como precisamos de materiais para criar novas armas, isto significa que estaremos num loop interminável de repetição para encontrar os itens que precisamos. Com uma jogabilidade tão desinteressante, chega-se a um impasse, pois senti que o crafting não era suficientemente empolgante para me fazer repetir missões. O modo cooperativo talvez ajude neste grind constante, mas pela minha experiência, nada desculpa a falta de variedade nas missões. Nada. Tu sentiste o mesmo?

D – Completamente. A existência de companheiros ou minions em algumas missões refletem basicamente isso. Pouco ou nada muda a experiência, a não ser a rapidez com que limpamos as salas, porque no fundo não há qualquer tipo de estratégia para além da preparação do equipamento.

Este Warhammer 40K é um jogo estranho, como falava no inicio, muito devido ao seu estilo de jogo. É um port de um jogo de PC que foi adaptado de forma muito pobre, que funcionaria como um twin-stick game, como referiste, e eu diria que até funcionaria como um TPS, com sistema de cover e tudo. Até porque a filosofia de shoot and run está aqui. Ironicamente, seria uma prespetiva que daria aso a maior e melhor estratégia, mas aqui o que temos é um analógico para controlar a personagem e outro a câmara, que me fez perder a orientação diversas vezes. É tudo muito pouco intuitivo, mas curiosamente simples de se jogar.

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A criação de novas armas e equipamento, e a descoberta de novas habilidades são importantes para o desenvolvimento da vossa personagem, especialmente se decidirem passar pelo PVP.

C – Por falar em mecânicas desnecessárias, Martyr é um poço delas. Parece que foi concebido para ter todos os clichés do género, sem limitações. Diz-me uma coisa, tu usaste o sistema de cover? Era algo em que pensavas enquanto andavas de sala em sala? E achaste as armas, como as turrets, que estão espalhadas por alguns níveis, úteis? É que eu só usei estas duas mecânicas para saber como funcionavam e nunca mais lhes toquei. Não vi a sua necessidade num jogo que quer ser rápido (e não consegue) e implacável, sempre em movimento.

D – Usei o cover no inicio para experimentar e as turrets só uma vez… depois de matar o boss na sala, até porque uma das minhas habilidades mais usadas é também uma turret automática. Nunca senti a necessidade de explorar essa vertente. Eu entendo que o jogo tenha estes elementos como escolhas, mas na prática não há razões para os escolher.

C – Foi isso que senti e vi-me muitas vezes a pensar “mas para que serve isto?”. Eu foquei-me mais numa personagem de longo alcance, mas ainda assim, parece sempre que falta qualquer coisa num jogo que está apetrechado de mecânicas. Martyr não é uma desilusão porque não esperava nada dele, mas é um produto tão estranho e fora do seu tempo que chega a ser interessante de analisar. Fica a pergunta: se não fosse um jogo baseado na licença Warhammer 40K, será que teria sido feito ou tido qualquer tipo de popularidade?

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Para além da tradicional árvore de habilidades, Martyr dá-nos a possibilidade de evoluirmos três atributos únicos para a nossa classe e desbloquear novas especializações.

C – Também senti esse respeito pela franquia, mas infelizmente não me consegui interessar pela história e pela forma como decidiram contá-la. Achei tudo muito limitado. No entanto, nota-se o respeito e acho isso louvável. Agora só faltava terem um jogo à altura.

D – E polido, coisa que aa versão PS4 não pareceu ser. Desde os visuais medíocres de um jogo da geração passada, ao desempenho mediano e às cutscenes que apareciam com o som desfasado da imagem. Às vezes sentia mesmo que estava a jogar algo no meu antigo Pentium IV. Ai a nostalgia!

C – Uma vez, fiquei sem som e fui obrigado a recomeçar. A única coisa que conseguia ouvir eram os diálogos das outras personagens porque o som saia da coluna do comando. Também encontrei alguns bugs visuais, pop ins e muitas personagens presas em cenários.

D – Em suma, é um jogo com uma boa cama, um mundo já bem estabelecido e com muito para explorar, mas um pouco às aranhas com aquilo que quer ser. Por vezes, dá ideia que desistiram do desenvolvimento do jogo a meio, mas sem aquele sentimento de um jogo em early access. Pessoalmente, não o recomendaria, mas acredito que quem seja fã do género e de Warhammer 40K encontre aqui alguma diversão.

Nota 5
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Upload Distribution.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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