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Graveyard Keeper | GLITCH REVIEW

Graveyard Keeper era o jogo que estava a necessitar de jogar durante esta época de férias. Um jogo aparentemente simples, mas rico em mecânicas e com um loop de jogabilidade diversificado e repetitivo o suficiente para nos fazer perder a noção do tempo em frente ao ecrã.

Em Graveyard Keeper, vamos poder satisfazer os nossos desejos mais íntimos e absolutamente normais – como atirar corpos ao rio, fazer autópsias e guardar órgãos, enterrar pessoas, fazer bifes dessas pessoas e torna-los deliciosos hambúrgueres para ter no inventário. Estas são algumas atividades do jogo, ou não fossemos nós um coveiro.

A produtora Lazy Bear Games chama-lhe o “simulador de gestão de cemitérios medievais menos fiel do ano”, mas não se deixem enganar por estes aldrabões, porque o que temos aqui é um jogo bastante imersivo que explora uma panóplia enorme de atividades mundanas e trabalhosas para cumprirmos os nossos objetivos.

Será que flutua? hum?

Com uma apresentação em pixel-art, que lhe dá uma perspetiva old-school, Graveyard Keeper é um jogo de sobrevivência que mistura muitos elementos de RPG com dungeon-crawlers e, como seria de esperar, de gestão. Depois de uma pequena cinemática, onde a nossa personagem é atropelada por um carro depois de um dia de trabalho, somos atirados para um mundo medieval com alguns elementos fantásticos. Aqui tomamos o papel de um Coveiro que terá dois objetivos nesta nova vida: tratar de um cemitério local e descobrir como voltar para casa.

No novo mundo, conhecemos uma estranha caveira, chamada Gerry, que nos promete dar todas as respostas, mas infelizmente estão “trancadas” a troco de algumas atividades. Ainda antes de começarmos a gerir o nosso cemitério à séria, vamos encontrar muitos NPCs que nos vão dando objetivos e cabe ao jogador perceber ou decidir o que quer ou deve fazer primeiro.

Graveyard Keeper é por vezes um jogo que nos dá demasiada liberdade, obrigando-nos a perder muito tempo no inicio para explorar as árvores de habilidades e perceber como as podemos desbloquear. Só ao fim de algum tempo é que começamos o nosso loop de jogabilidade através de um agressivo, mas viciante, grind de captura e de gestão de recursos.

A repetição e a barreira inicial, que obriga o jogador a entender por si as bases do jogo, poderiam ser destruidoras. A primeira hora é complicada, a quantidade de missões que nos são dadas é imensa, criando uma teia de atividades emaranhadas que nos obriga quase a fazer um diagrama do que devemos fazer primeiro. Mas quando tudo começa a fazer sentido, o jogo é como uma máquina afinada, onde o nosso ritmo e compreensão das mecânicas são importantíssimas.

Graveyard Keeper não nos penaliza por fazermos más decisões como, por exemplo, escolher o upgrade uma melhoria ou atividade em relação a outra, depois de alguns minutos de trabalho árduo, mas é variado o suficiente para nos manter investidos em continuar a jogar. Pelo meio teremos que explorar o mundo, onde encontraremos florestas e masmorras com criaturas para lutar, tal como um pequeno RPG de ação.

Tudo em Graveyard Keeper funciona em função do ritmo, da rotina e do ciclo. Com ciclos dia-noite e um mundo surpreendentemente vivo, as personagens que o habitam também têm rotinas próprias, mudando de lugar de acordo com as suas profissões e os seus horários. As tarefas que temos na nossa lista mudam de posição e prioridade consoante essas alterações e teremos que ter atenção às dicas e diálogos dos NPCs para perceber onde e quando encontrar determinada personagem.

Interessantes são também os diálogos, simples de compreender, diretos ao assunto e com imenso charme. É difícil não explorar todas as opções de diálogo num primeiro encontro para ficar a conhecer mais sobre este mundo, onde a nossa personagem é vista como um maluquinho que não acredita que a Terra é plana.

A apresentação visual e o áudio são também partes importantes para nos manterem imersos. Em curtos espaços de tempo podemos ver a noite e o dia a passar-nos pelos olhos, com efeitos atmosféricos como nevoeiro e chuva ou até os tons de laranja ao fim do dia a pintarem o jogo com diferentes cores. Já no áudio, os sons das nossas ações condizem na perfeição com o que fazemos, sem nunca se tornar irritante, e temos belas melodias de fundo a acompanhar o que fazemos. Neste jogo não temos falas, mas cada personagem tem uma voz distinta usando sons e grunhidos por vezes hilariantes, como uma diva que, ao usar um “sotaque” francês, diz repetidamente “croissant”.

Há muita coisa que gostava de ver melhorada em Graveyard Keeper. Gostava que o jogo não nos obrigasse a ir descansar com tanta frequência para podermos ter energia, que houvesse uma melhor direção e foco nas missões que vamos tendo ao nosso dispor, em vez de nos darem mil e uma coisas que são inalcançáveis nas primeiras horas de jogo. Na mesma linha, gostava de ter também mais ajuda através dos tutoriais, mas percebo que estes elementos façam parte da experiência. E com isto tudo, tratar do cemitério é quase colocado de parte. Pode ser a espinha dorsal do jogo, onde vamos adquirindo uma grande parte dos nossos recursos, mas como na vida, é a parte menos interessante de se falar, ainda que seja o nosso ganha pão.

Graveyard Keeper já está disponível para PC e Xbox One e recomenda-se.

 

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PC) foi cedido pela LazyBear.

David Fialho Ver todos

É geek, é jogador, gosta de novas tecnologias e tem a mania que sabe opinar sobre algumas coisas.

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