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Dead Cells | GLITCH REVIEW

Existem jogos que parecem ser feitos à medida. Seja na jogabilidade, na arte ou na história, são jogos que conseguem tocar em todos os elementos que consideramos serem essenciais. Dead Cells, da Motion Twin, é um desses jogos e com o seu lançamento nas consolas, após um período em Early Access, tenho finalmente a oportunidade de me deixar levar por um dos melhores títulos deste ano. Este é um jogo feito à medida para mim.

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Como um roguelike, Dead Cells promete assustar os jogadores menos experientes. A estrutura da sua campanha, que se encontra dividida por vários níveis aleatórios e um hub, onde podemos desbloquear novas habilidades, centra-se na morte, recomeço e repetição, onde retomamos a aventura sempre que somos derrotados. Isto significa que todas armas, principais e secundárias, e as nossas habilidades especiais, desaparecerem quando voltamos ao início. É assim a vida de um explorador.

No entanto, Dead Cells não é apenas um roguelike, mas sim uma mistura entre Castlevania e Metroid. Isto significa que a ação se passa em 2D, com modelos extremamente bem animados e expressivos, onde o foco se centra nos combates frenéticos e na navegação de níveis cheios de plataformas e perigos ambientais. O seu ADN é variado e dá-nos uma grande aposta na exploração, existindo a possibilidade de descobrirmos novas áreas, itens e ainda desafios inesperados. A sensação de risco é permanente e será necessário saber quando devemos continuar em frente em busca de novas células, que podemos usar para desbloquear novas armas e habilidade ou melhorar as hipóteses de obtermos armas raras, ou continuar em frente. Se perdermos, ficamos sem nada.

São dois géneros distintos que encontram um equilíbrio delicioso nesta jogabilidade difícil, mas muito limada. Os níveis são desafiantes, mas nunca injustos, existindo uma progressão consistente dos perigos que encontramos. Como estamos perante um jogo em constante mutação, sentimos o aumento da dificuldade na passagem entre áreas, dando-nos a possibilidade de melhorar e preparar a nossa personagem. Dead Cells não nos pega na mão, mas também não nos deixa desamparados e confusos. Aqui, tudo é claro e bem definido.

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À medida que desbloqueiam novas habilidades, elas vão ficando expostas no hub. Um pequeno toque para vos incentivar a continuar.

Apesar da sua aposta no recomeço constante da campanha, com cada tentativa a ter uma duração que vai desde os cinco minutos até às duas horas, Dead Cells faz a brilhante escolha de manter esta sensação de progressão até na evolução da personagem e das suas habilidades. À medida que exploramos, podemos encontrar vários esquemas – sejam para armas, mutações (que podemos definir, no máximo de três por jogo, sempre que regressamos ao hub) ou habilidade permanentes – que nos dão acesso a um leque variado de utensílios para nos auxiliarem na campanha. A sensação de risco e recompensa está presente em todos os aspetos da jogabilidade e para termos acesso aos esquemas, temos de vencer o nível, regressar ao hub e comprá-los com as células.

Dead Cells é arte em movimento. As animações são impecáveis, muito fluídas, e a aposta no pixel art dá-lhe um toque necessário de nostalgia. Os cenários são muito detalhados, cheios de cores vibrantes e de uma direção de arte muito consistente, com a iluminação a dar vida até às masmorras mais escuras. A navegação pelos níveis passa a ser não só viciante, mesmo quando só temos um duplo salto e um botão de desvio – duas habilidades que se conjugam perfeitamente – como fascinante, deixando-nos uma enorme vontade de continuar a descobrir novas áreas. É um mundo bastante vivo e apelativo, ainda mais em movimento. O humor e a presença de pistas narrativas espalhadas pelos cenários dão-lhe uma maior personalidade e identidade visual.

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Todas as zonas apresentam uma estética completamente diferente, não nos dando a sensação de estarmos a repetir sempre os mesmo níveis. Aqui sentimos que estamos a progredir através de um mundo vivo e em transformação.

Aquilo que me fascinou em Dead Cells, para além da sua jogabilidade, foi a forma como implementou a exploração na sua campanha. Mesmo sendo um roguelike, Dead Cells destila o melhor de Castlevania, pós Symphony of the Night, e da série Metroid para construir o seu mundo, dando-nos várias habilidades permanentes que podem ser utilizadas para termos acesso a novas áreas e a novas possibilidades de progressão. Habilidades como a criação de vinhas, a utilização de teletransporte, a possibilidade de partimos o chão ou a escalada de paredes são alguns exemplos do que podemos encontrar em Dead Cells. Com estas habilidades, o mundo expande-se, ganha novos contornos e alguma da repetição tradicional do género, que é impossível de fugir, é suavemente atenuada por uma grande variedade de caminhos alternativos.

Para um jogo tão difícil, Dead Cells mantém-se sempre do lado do jogador e é incrível como sentimos rapidamente que estamos a evoluir. Não só os nossos reflexos ficam mais apurados como vamos tendo acesso a todo um novo armamento que nos ajuda a chegar cada vez mais longe. Durante as minhas primeiras tentativas, não consegui sair da segunda zona, mas ao fim de umas horas, dei por mim a derrotar dois bosses e a encontrar níveis que nunca tinha visto. Mesmo com a dificuldade sempre a aumentar, sentimos que as nossas probabilidades vão melhorando. E com esta sensação de progressão, continuamos a regressar sempre que perdemos.

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A maioria dos níveis aposta na verticalidade e apresenta uma disposição saudável de inimigos, nunca injusta. Há muito para explorar à medida que desbloqueiam novas habilidades.

Para além da sua campanha extensa, que poderá ser repetida vezes e vezes sem conta, temos acesso a desafios diários, que se desbloqueiam após termos derrotado o primeiro boss. Nestes desafios, somos colocados num nível aleatório, inspirado numa das zonas do jogo, onde o objetivo é chegar ao final antes que o tempo acabe. Os níveis estão apetrechados de inimigos e senti uma maior dificuldade tanto na navegação como nos combates, por isso estejam preparados. Todo o equipamento tem de ser recolhido ao longo dos níveis e se quiserem obter a melhor pontuação possível, terão de explorar e eliminar todos os inimigos.

Dead Cells é dos melhores jogos de ação e plataformas que joguei nos últimos anos. A sua aposta nos combates frenéticos e na exploração coloca-o num patamar acima dos seus rivais, com muitos jogadores a identificá-lo já como o sucessor da série Castlevania. Não iria tão longe, Dead Cells é o seu próprio monstro e apesar de se inspirar claramente na franquia da Konami, vai muito além do tradicional título de plataformas. É raro encontrar jogos desta qualidade e com um foco tão forte e bem definido como este.

Mesmo com Red Dead Redemption 2 ainda no horizonte e com a promessa de um final de ano muito forte, não tenho quaisquer dúvidas que Dead Cells será um dos melhores deste ano. É um jogo para estar no TOP 10 de todas as listas de 2018, senão mesmo no TOP 5. É imperdível.

Nota 9
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Motion Twin.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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