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Titan Quest | GLITCH REVIEW

Vivemos numa era de revivalismo e de sonhos realizados, é assim que olho para alguns dos lançamentos inesperados nas consolas. Depois de passar anos a olhar ao longepara os melhores e mais icónicos títulos para PC, vejo-me agora a conseguir jogá-los nas consolas, no sofá e de comando na mão. Titan Quest é um desses jogos, um RPG de ação, muito semelhante a Diablo, que marcou a maioria das revistas da época e que agora, tantos anos depois, tenho finalmente a oportunidade de matar a minha curiosidade.

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Titan Quest chega às consolas praticamente sem alterações, para além dos tradicionais ajustes no interface para acomodar a utilização de um comando. A campanha mantém-se clássica e muito linear, com um grande foco no loot e na luta contra hordas de inimigos, e serve quase como uma cápsula do tempo para uma época onde os RPG de ação se queriam simples – clicar, matar, encontrar melhores equipamentos e recomeçar a campanha com uma maioria dificuldade. Mesmo com alguns bugs, este é o mesmo jogo que jogaram há anos atrás e para mim, isso nunca deixa de ser reconfortante.

Não podemos pedir grandes alterações num clássico como este, há que aceitar a sua jogabilidade tradicional e assumir tanto as suas virtudes como os seus defeitos. Titan Quest é um produto do seu tempo cuja originalidade provinha do seu foco na história grega e nas suas mitologia, colocando-nos em confrontos contra criatura míticas, como minotauros, e a cooperar com figuras clássicas da época, como Rei Leonidas. Esta aposta deu uma identidade forte a Titan Quest e destacou-o dos restantes títulos, onde o ambiente medieval parecia caraterizar todo o catálogo do género.

A Iron Lore Entertainment não procurou reinventar a jogabilidade, mas sim limá-la, e Titan Quest funciona como um competente jogo de ação, ainda que extremamente repetitivo. O foco mantém-se nos combates e na utilização de habilidades especiais, existindo várias classes essenciais para criarem o vosso herói perfeito. Será possível escolher duas classes distintas, sem limitações, e evolui-las ao voss gosto, sendo necessário melhorar cada classe para desbloquearem novos ataques e habilidades. Fora esta aposta na personalização, têm sempre acesso a armas, armaduras e todo o tipo de loot que possam imaginar, com cada inimigo a deixar (quase sempre) rios de itens para recolherem.

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Existem várias zonas para visitar e em todas elas podem contar com hordas inimigos e loot espalhado por todo o lado.

Ao contrário de outros títulos do género, onde encontrávamos uma cidade principal, que servia como hub, e algumas masmorras para explorarmos, Titan Quest aposta numa estrutura mais clássica e dá-nos uma campanha linear onde estamos constantemente a avançar por novas áreas e cidades. Existe aqui uma maior urgência na nossa missão, como se não existisse tempo para parar e explorar, mas Titan Quest consegue criar zonas suficientemente extensas para aguçar a curiosidade dos jogadores, juntando-lhes algumas áreas secundárias. Desta forma, sentimos que estamos sempre a encontrar cenários e inimigos novos, como se estivéssemos a evoluir também o poder e a importância da nossa personagem no mundo do jogo. Os riscos vão aumentando e neste caso, a linearidade foi a melhor aposta.

O problema de Titan Quest é que se trata de umjogo que não consegue esconder a sua idade e isso irá irritar e desiludir alguns jogadores que já encontram alternativas superiores nas consolas. Este é o arquétipo dos arquétipos, é clássico e, até certo ponto, é um jogo reconfortante, despindo-se de mecânicas desnecessárias para nos dar o melhor do género. Mas a idade está aqui. Os gráficos já não fascinam como em 2006, a jogabilidade é mais repetitiva do que desafiante, até mesmo nas dificuldades superiores, e encontramos pouca variedade nas mecânicas e até mesmo no seu mundo. Apesar da sua aposta na linearidade e na progressão, é comum vermos o mesmo tipo de inimigos, onde quer que estejamos. Fica o aviso.

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Para além do multijogador online, é possível jogar a campanha com um amigo em split-screen.

Titan Quest é um jogo que irei continuar a jogar durante os próximos tempos, é um regresso ao passado que funciona perfeitamente nas consolas, mesmo com as alterações no seu interface (que me costumam irritar). A versão PS4 inclui o DLC, Immortal Throne, lançado em 2007, e a possibilidade de jogarem em cooperação com outro jogador. Podem contar ainda com vários tipos de dificuldades e ainda inimigos secretos e mais poderosos. No entanto, trata-se de um lançamento com um preço pouco convidativo, tendo em conta a sua idade e o trabalho inexistente de remasterização. Este lançamento nas consolas devia ter sido mais simpático para os jogadores curiosos e não o contrário. Fica também o aviso que vários jogadores encontraram bugs que apagaram os seus saves ou que alteraram o nível das suas personagens e a sua progressão.

Se estão à procura de um bom RPG de ação e têm saudades de um jogo mais simples, mas incrivelmente sólido, então Titan Quest é o que estão à procura. Se estão à procura de um substituto para Diablo III, então aproximem-se com cuidado, pois esta é uma viagem até ao início do século, sem paragens.

Nota 7
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela THQ Nordic.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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