Saltar para o conteúdo

Fazer Level-Up

Por: André Pereira

Lembram-se no Final Fantasy IX, no Festival of the Hunt, o Steiner gritar ao Vivi que um bom ataque era a melhor defesa? Não? Sou só eu? Está bem…

Permitam-me interromper a programação dos artigos de localização para falar de algo que me aflige neste mês: a velhice ou como acho que estou a ter uma crise de tenra idade. Fiz anos no dia 7 de Julho e a cada aniversário estou mais perto da cova. Estou a brincar! Fora os mil e um problemas de saúde, ainda estou aqui para as curvas, mas a lembrar-me deste momento no Final Fantasy IX. Steiner tem 33 anos, mas age como um velhadas – como eu. No entanto, a experiência de vida e no campo de batalha dão-lhe uma certa autoridade e eu, criança na altura, acreditei que um bom ataque era, sem dúvida, a melhor defesa. Fazia sentido que quanto mais dano provocasse, e com mais frequência, menos hipóteses o inimigo tinha de contra-atacar. Eu tinha 1 de HP e continuava a malhar na vã esperança de dar o golpe final. 80% das vezes acabava no ecrã de Game Over. Voltava ao grind, tentava novamente para bater bem e saía mais desiludido. Strike First, Strike Hard, No Mercy.

Imagem_2.jpg
Esta não é a referência que procuram…

Se a metáfora de Final Fantasy IX não funcionar, podemos pensar em Metal Gear Solid. Também em puto, a mecânica da furtividade frustrava-me porque era secante e eu não tinha paciência para esperar pelas coisas ou para planear a melhor estratégia. Só queria avançar com a história para chegar ao fim. Escusado será dizer que não era bom nos dois jogos. Tinha sorte e safava-me. Tal como na vida. Vivia para a gratificação instantânea. Matar o boss/passar aquela secção e acabar o jogo.

Ser impulsivo e impaciente acabou por me dar alguns dissabores fora dos jogos; aquela ânsia de ser o primeiro a falar, a agir, não era positiva; fazer tudo a despachar e às três pancadas também não deu bons resultados. No entanto, consigo dizer que me safei. Safei-me no secundário, na faculdade – na vida. Agora, com 31 anos, com emprego e casa, olho à minha volta e pergunto-me como raio cheguei até aqui com 1 de HP, com Poison, Blind, Silence, Confusion, Slow. Tive muita, mas muita sorte. A estratégia do Steiner ainda funcionava, mas eu continuava a avançar sem aprender nenhuma lição. E a lição que a idade e a experiência me ensinaram foi a de ser paciente, pensar mais, ouvir mais e agir em conformidade. Esta filosofia pode e deve ser aplicada em qualquer aspecto da vida, mas isto é um artigo sobre jogos!

Abordar um RPG com esta mentalidade tem sido bem mais divertido e recompensador. Já não entro numa batalha a premir o ataque de olhos fechados. Gosto de demorar o meu tempo nos preliminares, com os Protect e os Shell. Perco turnos a curar a equipa, mas o bicho do só mais um golpe e já está nunca desapareceu. E acho que nem vai. Não foi há muito tempo que acabei Bloodborne e nunca se esquece a primeira vez que se joga um SoulsBorne. Este deu-me uma ansiedade incrível porque eu era ganancioso com só mais um golpe, só mais um golpe, está quase!, e acabava no ecrã You Died uma e outra vez. Só quando desligava a consola, respirava e pensava é que conseguia vencer nas calmas. O jogo até se tornava fácil.

Tal como a vida.

Para baixo todos os santos ajudam!

E sofrer de ansiedade (olá) é viver isto intensamente. É o fight or flight (reacção de lutar ou fugir) constante do sistema nervoso; é o despachar inimigos antes que nos despachem a nós; é limpar o sebo aos guardas em Metal Gear antes de darem connosco – é cometer erros básicos. Apesar de não haver uma cura milagrosa, crescer trouxe alguma claridade e paz interior. Crescer deu-me a serenidade e a habilidade de abrandar o tempo para ver mais além. Ensinou-me a ouvir, a compreender e a antecipar problemas. Crescer também me ensinou a entender o verdadeiro significado das palavras do Steiner: um bom ataque é a melhor defesa, mas não é o golpe mais poderoso, mas toda a preparação por detrás da batalha: uma boa equipa, bom equipamento e as melhores habilidades. E os debuffs não estão no jogo para enfeitar. Usem e abusem porque tirar dano a longo prazo é quase como abrir uma conta poupança – se tivermos algum acidente, ou se a equipa for dizimada, podemos sempre contar com aquele pé-de-meia de dano para dar a volta ao jogo e voltarmos a estar bem.

Por fim, desferimos O golpe com confiança e estamos protegidos para o que vier a seguir ou preparados para contra-atacar. Tomamos decisões no momento e seguimo-las até ao fim. E se falharmos não há problema, há sempre o plano B e só não vale é desistir.

E se a Rainha Brahne ficar impressionada, não valeu a pena?

Imagem_3
Esta senhora já viu coisas…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: