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Battle Royale, Meu Amor

Existe um vírus a espalhar-se pelo GLITCH EFFECT, basta olhar para os nossos streams. É uma infecção que entrou sorrateiramente no nosso sistema e que aos poucos nos toldou a visão e a consciência ao ponto de controlar todos os aspectos da nossa vida. Não conseguimos viver sem ele, não nos vemos sem ele e nem queremos pensar na vida depois de si. É um vírus potente, altamente mortífero e que já apanhou dois dos nossos membros, com a Vanessa a ser a primeira a ter coragem de revelar o seu novo vício. Battle Royale mudou-lhes a vida e agora começou a mudar a minha.

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“Diz aqui que tem o vírus do Battle Royale”; “Oh bolas, é melhor começar a escrever o testamento”.

Eu sou fã de jogos a solo, de campanhas com princípio, meio e fim; de histórias bem estruturadas ou de jogos com mecânicas tão intrínsecas e bem pensadas que se torna impossível de parar. Sou fã de Fallout, Uncharted, DOOM, Inside, outras pseudo-intelectualidades e de muitos jogos de terror. Dêem-me ICO e Silent Hill 2, banhem-me com Resident Evil 2 e Rocket Knight Adventures, e não me forcem o multijogador de Call of Duty ou Overwatch ou League of Legends. Não são para mim, estou em paz. Sinto-me bem.

Não sinto que os gostos mudaram, mas a minha rotina sofreu alterações inesperadas. Antes de jogar Vampyr ou Ni No Kuni II: The Revenant Kingdom, sinto um chamamento irracional, um arrepio na espinha que me pede para parar o que estou a fazer e focar-me num novo e envolvente género. Demorei muito a perceber o que movia os fãs de Battle Royale, mas depois de passar um mês a jogar Fortnite e H1Z1, sinto que algo mudou. Não estou preparado para abandonar os meus jogos de eleição, mas este novo vírus alterou-me o pensamento e implementou ideias como “se calhar devias estar a jogar outra coisa” ou “só mais uma partida, estavas quase a ganhar”.

I Don't know
“Quase a ganhar”…nós vimos os teus streams, João Canelo!

Não sou o único a sentir isto, é algo que se tem generalizado pela equipa do GLITCH. À excepção do Duarte, que continua a insistir em Dragon Ball FighterZ, sinto que Fortnite mudou os nossos convívios. Há um mês atrás, mal falávamos no jogo e víamos o género à distância, um pouco de nariz empinado e com a atitude de quem nunca iria jogar, quanto mais alterar a sua rotina e métodos de jogo. Bastou um stream, duas ou três horas da nossa vida, para mudar tudo e a partir desse dia, é comum juntarmos-nos para jogar durante horas. Amanhã é dia de trabalho? Não interessa, existem desafios para fazer.

Apesar de ainda não ter comprado o Battle Pass, algo que a Vanessa e o David fizeram, sinto que não consigo passar um dia sem jogar uma partida de Fortnite ou H1Z1. Entrei na fase em que quero saber mais sobre o género e quero jogar tudo o que chegar à PS4. Como não tenho um PC decente ou uma Xbox One, PUBG mantém-se distante, como uma miragem, mas não tenho quaisquer problemas em dizer que irei experimentar todos os jogos que forem lançados na consola da Sony. Eu quero mais e não consigo parar. Quando comprar um PC melhor, vou-me deleitar com todos os novos lançamentos, sem filtros e sem vergonhas.

Mas o que torna Battle Royale tão especial e viciante? Será assim tão diferente de outros modos online? No meu caso, é um género que apela ao meu amor por jogos de terror e sobrevivência, duas vertentes que se complementam perfeitamente numa partida mais tensa. É a sensação de estarmos sozinhos, sem nada, presos num mundo em que todos nos querem matar e de onde não podemos escapar até eliminarmos todos os outros jogadores. Sinto um arrepio na espinha quando jogo, uma sensação de sobrevivência e de mestria que tenho de absorver enquanto jogo. Sinto-me atraído pela ideia de ser o único sobrevivente de um grupo de 100 jogadores, de conseguir fazer algo que devia ser impossível. É uma satisfação sem igual.

Fortnite dá-nos uma experiência mais arcada, mais divertida e perfeita para jogar com amigos, mas à medida que o meu gosto pelo género evolui, sinto que preciso de mais e de melhor. Quero mais sobrevivência, desafios mais acentuados e uma maior aposta na tensão. Quero que este género continue a evoluir e que não passe a ser mais um mar de clones sem imaginação. Espero que Battle Royale não seja apenas uma moda que perde o seu interesse em menos de dois anos. Não quero que seja, basicamente, o novo género de sobrevivência.

Ou então vai ser sempre assim.

Não há um único dia em que não jogue Fortnite ou H1Z1. “Só mais uma partida”, é o que costumo dizer antes de mudar de jogo ou quando me sinto mal por não estar a avançar naquela análise que preciso de escrever. Apesar de saber que não vou trocar definitivamente os jogos a solo pelos multijogador, a verdade é que Battle Royale agarrou-me como nenhum outro género online o tinha feito. Isto é uma nova realidade para mim, a ideia de abandonar jogos que adoro por algo que eu sei que é puro e simples vício destilado sob a forma de videojogo. É um vírus.

É impossível de prever o tempo que vou passar com Battle Royale, se vou continuar assim durante meses ou se passarei a regressar ao género durante os próximos anos. Se calhar até me liberto do vírus em semanas, quem sabe. Agora é difícil de prever, existe muito para descobrir e sinto-me motivado para continuar em frente. É um mundo novo, rico e assustador, mas cheio de novidades. Battle Royale é amor. Eu aceitei isso e agora é a vossa vez.

 

*imagem de capa criada por Maria Luz.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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