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Donkey Kong Country: Tropical Freeze | GLITCH REVIEW

Depois de uma passagem rápida pela Wii U, Donkey Kong Country: Tropical Freeze chega à Nintendo Switch na sua versão definitiva, apresentando algumas melhorias que procuram dar uma experiência mais acessível aos novos jogadores. De todas as remasterizações e relançamentos que têm chegado à nova consola da Nintendo, Tropical Freeze era um dos que aguardava com maior curiosidade e depois de ter concluído a sua campanha, posso concluir que é dos melhores jogos de plataformas que joguei nos últimos anos.

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Para além dos clássicos da Super Nintendo, o meu contacto com a série tem sido esporádico. Apesar de ter jogado a versão 3DS de Donkey Kong Country Returns, a minha experiência foi sempre condicionada pelo formato portátil, com os saltos mais difíceis a transformarem-se em tarefas ardilosas devido ao posicionamento dos botões. Sentia que havia muito para ver e sendo fã do género, e sem uma Wii para jogar a versão original, foquei a minha atenção na sequela que é, em todos os sentidos, superior.

Tropical Freeze marca o regresso de Donkey Kong e dos seus fieis companheiros, com Cranky Kong a assumir um papel mais predominante na jogabilidade. A estrutura não mudou ao longo dos anos e tal como em Returns, a sequela dá-nos várias zonas divididas por níveis repletos de algumas das sequências mais desafiantes do género. Não seria um título da série sem os famosos colecionáveis e os caminhos alternativos que desbloqueiam níveis secretos, e Tropical Freeze não desilude. É uma estrutura simples, mas viciante que capta o melhor dos jogos de plataformas em 2D.

Aquilo que mais me fascina é que a Retro Studios não tentou inovar nesta sequela, mas sim limar todos os aspetos da jogabilidade para nos dar um jogo tão cuidado que não tenho quaisquer problemas em dizer que é dos melhores títulos do género. É certo que continuamos a ter a mesma estrutura 2D com várias plataformas, inimigos e outros perigos espalhados pelos níveis, mas o controlo e a segurança que sentimos ao controlar Donkey Kong estão tão trabalhados que o jogo parece ser um quadro em movimento. Tudo é fluído, responsivo, sem quaisquer delays e tão fácil de controlar que todos os saltos são satisfatórios, não existindo a sensação de que foi o jogo que nos condicionou devido a problemas na jogabilidade. Se falharem um salto, a culpa é vossa.

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A ilha de Donkey Kong é invadida por pinguins que querem congelar o mundo à volta. A mistura entre piratas e níveis de gelo dão ao jogo um tom mais humorístico que está ausente da maioria dos títulos deste género.

É no equilíbrio entre a jogabilidade limada e os níveis mais desafiantes que encontramos a magia de Tropical Freeze. Tal como em Returns, ainda que mais acessível, temos uma dificuldade progressiva que vai ficando mais intensa à medida que avançamos. Se sentirem, tal como eu, que o início do jogo é surpreendentemente acessível, esperem pelas últimas zonas para terem o desafio que procuram. Tropical Freeze consegue dar-nos uma sensação de crescimento impecável ao adicionar lentamente certos elementos que irão constituir alguns dos seus maiores desafios, dando-nos tempo para aprender todas as mecânicas antes de colocarmos a nossa destreza à prova. Se quisermos encontrar todos os caminhos alternativos, a dificuldade do jogo torna-se ainda mais palpável.

Tropical Freeze é um deleite de ver em movimento. As animações são impecáveis, os cenários apresentam uma fauna colorida e detalhada – que dá uma vivacidade necessária ao mundo de Donkey Kong –, e os níveis são muito dinâmicos, com os cenários a manterem-se em constante movimento. Existem árvores, pedras ou outras estruturas que se partem ao longe e que mais tarde acabam por afectar o nosso progresso e transformar as plataformas à medida que avançamos. É como se estivéssemos no meio de uma enorme e louca montanha russa que se reconstrói mesmo à nossa frente. É um mundo em mudança, extremamente animado, aliciante e repleto de perigos, mantendo-nos atentos sempre que nos coloca um novo desafio pela frente.

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Para jogarem a dois, precisam apenas de utilizar os Joy-Con da Nintendo Switch, tal como em Super Mario Kart 8 Deluxe.

 

Os níveis por transportes também estão de regresso, com os carrinhos a atormentarem-nos mais uma vez. Juntamente com este já clássico transporte da série, temos ainda níveis que teremos de navegar enquanto estamos agarrados a um barril de pólvora e ainda outras sequências em que temos de saltar de liana em liana para nos mantermos em movimento. Os níveis estão absolutamente bem construídos, mas são apenas dos momentos mais desafiante e enfurecedores do jogo.

Esta nova edição apresenta ainda um modo perfeito para os jogadores que dispensam qualquer tipo de desafio. Funky Mode, protagonizado pelo amigo radical de Donkey Kong, dá a possibilidade de jogarem com uma nova personagem que recebe mais corações por cada vida e tem habilidades que não só facilitam os níveis como tornam mais acessíveis os saltos entre plataformas. Se forem fãs da série, este modo é apenas uma curiosidade e não mais do que isso, mas se quiserem apresentar o jogo aos vossos filhos e àquele amigo/a ou namorado/a que não se sentem tão à vontade com títulos de plataformas, é uma porta de entrada perfeita.

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Funky Mode procura ser uma porta de entrada para os jogadores menos experientes e aposta num ambiente mais calmo e controlado.

Donkey Kong Country: Tropical Freeze é dos melhores jogos de plataformas que joguei nos últimos anos e isto não é um exagero. A jogabilidade está tão limada que se torna quase impossível de largar o comando, com os níveis a demonstrarem uma imaginação acima de qualquer outro jogo da concorrência. Apesar de ser um jogo de 2014 e de termos na Switch jogos como Super Mario Odyssey, a última aventura de Donkey Kong mantém-se como um dos títulos mais coesos que a Nintendo produziu durante os últimos cinco anos. Comprem, sem medos, e digam à Nintendo o quanto precisamos de um novo jogo da série.

Nota 9
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Nintendo Portugal.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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