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Reverie | Glitch Review

Não é difícil de perceber o fascínio que muitos produtores sentem por The Legend of Zelda, em especial pelos primeiros títulos da série. A sensação de aventura e mistério, a jornada do herói que tem, contra todas as adversidades, de derrotar um vilão poderoso e um leque variado de armas e utensílios são elementos que constroem uma demanda capaz de captar o melhor dos jogos de ação com a exploração de um RPG. Se adicionarmos o fator nostalgia à equação, percebemos como títulos como Reverie continuam a marcar presença numa indústria enamorada por Link e Zelda.

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Reverie segue o modelo e estrutura do exclusivo da Nintendo à risca, levando-nos numa aventura pela Nova Zelândia em busca de quatro espíritos. A ilha de Toromi, onde decorre a ação, está dividida por zonas, cada uma com o seu tema, onde podemos ver claramente as influências de A Link to the Past em cada ponto do mapa. Apesar da sua aposta na exploração, Reverie é muito mais simples e a ilha pouco explorável para além das masmorras principais e da recolha de colecionáveis.

A ação decorre em 2D, com sprites bem detalhados e coloridos a rechearem o mundo de Reverie e com a câmara a apresentar a ação de cima, tal como os primeiros The Legend of Zelda. O combate não é complexo, oferecendo-nos várias armas que podem ser utilizadas tanto em combate como na resolução de puzzles. Os inimigos também não são muito variados e com a história a passar-se na Nova Zelândia, a fauna é maioritariamente constituída por animais caraterísticos da zona.

Esperava ver muito mais do mundo de Reverie, mas a sua simplicidade não o permite. O jogo está construído para ser rápido e eficaz o quanto baste, assumindo-se mais como uma homenagem ao clássico da Nintendo do que uma tentativa em elevar a sua fórmula. O ritmo é tão previsível que poderão perder a vontade de explorar e de descobrir os colecionáveis e encontrar os habitantes mais excêntricos espalhados pela ilha. Reverie peca não por ser um jogo incompetente, mas por ser uma aposta tão segura que alguns jogadores poderão perder simplesmente a paciência.

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A ilha de Totomi procura dar-nos um leque variado de zonas para explorarmos, mas existe um claro foco nas praias e na exploração aquática.

O grande destaque tanto do combate como da exploração está nas masmorras. No total, temos cinco masmorras principais e uma secreta, que só ficará disponível depois do final do jogo, onde somos confrontados por bosses, mini-bosses e alguns puzzles que, apesar das melhores intenções da equipa, mal oferecerem um desafio palpável. Reverie é um jogo muito fácil e olhando para trás e para a sua estrutura, nomeadamente para o design das masmorras, parece ser mais um ponto de entrada para os jogadores menos experientes do que um dungeon crawler/jogo de aventura puro e duro.

As masmorras seguem os clichés do género, um problema que tenho vindo a encontrar cada vez mais neste tipo de trowbacks nostálgicos. É óbvio que Reverie tem um nível passado numa floresta e é ainda mais óbvio que temos outro nível envolto em lava ou fogo. É esta repetição de conceitos que acaba por denegrir o trabalho dos produtos, pois dá-nos a sensação que a fórmula se suplanta à sua própria imaginação e criatividade, como se a nostalgia os obrigasse a respeitar beats e mecânicas associadas ao género. Mesmo com esta repetição, Reverie consegue dar-nos uma boa experiência, simples e muito curta, é certo, mas completa. Resta agora saber se a equipa é capaz de criar algo mais criativo depois de Reverie.

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Reverie nunca ambiciona sair fora do molde e é por esse motivo que nos dá constantemente um sentimento de déjà-vú.

Para além de The Legend of Zelda, Earthbound (e a série Mother) é outra das influências de Reverie. No que toca à criação de Shigesato Itoi, a influência fica apenas a nível estético, com as personagens a demonstrarem um desenho muito próximo do que vimos em Mother 3, e com a cidade principal da ilha a conseguir misturar um estilo mais realista com a construção (às vezes) absurda dos títulos de aventura. Infelizmente, esta influência não se traduz na história de Reverie ou na criação de personagens interessantes, algo que esperava encontrar no jogo. Apesar da minha desilusão, existe uma referência a Hunt for the Wilderpeople, filme realizado por Taika Waititi, que eu achei absolutamente deliciosa – nem tudo é mau.

Apesar do seu classicismo e da falta de inovação, acabei por completar Reverie a 100%. Talvez seja a fórmula a resultar em pleno ou talvez seja esta mistura entre simplicidade e saudosismo que me motivou a continuar e a encontrar todos os colecionáveis. Reverie não é muito longo, podendo ser acabado em 5 ou 6 horas, mas no final, com a exceção de certos puzzles mais irritantes e aborrecidos, a minha experiência foi positiva.

Se querem jogar um jogo novo de aventuras capaz de vos transportar para os tempo de Earthbound e A Link to the Past, e sentem saudades dessa simplicidade depois de Breath of the Wild ter reinventado a série e os jogos em mundo aberto, Reverie pode ser uma aposta segura. Só não esperem encontrar o novo Link ou o próximo clássico do género.

Nota 7
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Rainbite.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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