Attack On Titan 2 | Glitch Review

Talvez eu não seja um fã tão grande de Attack On Titan como o Duarte é por Dragon Ball, mas posso dizer sem qualquer tipo de dúvida que a série (Shingeki No Kyojin para os amigos), é a minha cena. Por isso é impossível ficar indiferente às adaptações para os videojogos. Ou será que é?

Antes de mais, devo dizer que sou fã da versão animada e não do manga, aliás, prefiro nem saber de nada do manga para ter o máximo de surpresas do que poderá vir na próxima temporada. Tendendo a minha preferência para o meio animado, este tipo de adaptações elevam as minhas expectativas para o que espero ver num jogo, no que toca à apresentação e ambiência.

Se houve algo que na versão animada conseguiram capturar muito bem, foram os elementos bidimensionais que o meio permite. No anime, temos uma excelente replicação do desenho, acompanhado por uma fabulosa animação com planos que ganham vida nos nossos ecrãs, e uma condensação da história que, tirando um solavanco ou outro, tem-se mostrado bastante eficaz e inteligente no modo como quer surpreender o público. E claro, tudo isto é amplificado pela cor, pela edição e pelo som.

O meu contacto com o primeiro jogo não foi positivo. Após algumas missões introdutórias, não consegui entrar naquele mundo como queria. Logo não será justo fazer uma comparação direta com o jogo que passou, ainda que possa tocar em alguns pontos

Attack On Titan 2, por outro lado, foi muito mais fácil de abraçar, ainda que falhe em alguns elementos, na minha opinião, importantes, mas logo de inicio apercebi-me que é mais um remke/reboot do que propriamente uma sequela. Aqui vamos, mais uma vez, assistir aos eventos da série desde o inicio. Estão a ver como todas as versões do Batman mostram os pais dele a morrer? Nós temos que assistir ao ataque do Colossal mais uma vez.

Trivia time: O desgin e comportament original dos titãs é, segundo o criador, baseado em homens bêbados. Não diria.

O twist neste jogo é que podemos ter uma personagem original. Sim, há um modo de criação de personagem cheio de opções para fazermos as waifus ou husbandus mais kawais que os titãs alguma vez viram. Dentro dos limites estéticos deste mundo, é claro.

Também interessante são muitas das cinemáticas que reconstroem os eventos já conhecidos. Temos cinemáticas tradicionais, que replicam cenas da série, mas na sua maioria são na primeira pessoa, na perspetiva da nossa personagem. É uma maneira interessante de não mostrar a forma e aspeto das personagens personalizadas em cinemáticas pré-renderizadas, ao mesmo tempo que a execução destas cenas permite ver as ações dos Survey Corps como se fosse uma sequência gravada em GoPro. É giro.

É neste jogo e nas replicações da série que sentimos, muito, a falta da banda sonora de Hiroyuki Sawano. Para o conteúdo e sequências originais, dá-se o desconto, até porque os temas aqui mantêm um registo familiar, mas não esperem ouvir uma Relutanct Heroes enquanto voam e trabalham em equipa, ou uma YouSeeBIGGIRL num determinado momento chave (que no jogo é replicado quase plano a plano sem o peso emocional da música). Ainda no departamento sonoro, temos o elenco original da série a dar voz às personagens, o que é sempre uma delicia, especialmente quando muito do áudio é também da série.

A apresentação do jogo também leva uma nota positiva, com desenhos bastante fieis ao original, um HUD simplificado e com a informação essencial no ecrã e animações em jogo no ponto, o que tornam a experiência divertida. O mesmo não se pode dizer de algumas cinemáticas com movimentos faciais ao nível da mais recente temporada do Berserk (choremos Canelo, choremos).

Não é assim tão mau. Só queria uma desculpa para postar esta hilariante gif de um anime de 2017.

Ainda sobre as animações, são estas que dão um brilho especial à jogabilidade, com acrobacias dinâmicas e diversas, que tornam a navegação pelo mapa fluída e divertida e os ataques espetaculares.

Os arpões do nosso Omni Directional Mobility Gear agarram-se fisicamente nos edifícios, torres e árvores do ambiente, dando o impulso necessário para as nossas personagens voarem. A mobilidade é viciante, e a sensação de balanço e impulso está muito bem conseguida, mas vamos estar sempre limitados aos nossos recursos, obrigando-nos a estar atentos às botijas de gás.

É com a gestão de recursos, eventuais updates das nossas laminas e equipamento, e com a variedade de titãs, que o jogo ganha a densidade e diversidade suficientes para tornar as missões interessantes e diferentes umas das outras. Mas não consigo afastar aquele sentimento de que as ações acabam por ser, basicamente, sempre as mesmas.

O modo de história é composto por missões, treinos e momentos de “exploração” em diversos hubs sociais ou campos. Nestas partes mais relaxantes, vamos poder interagir com as diferentes personagens da série através de um pequeno sistema de diálogo interativo. Nestes diálogos podemos escolher respostas que refletem a nossa posição face às personagens, podendo dar acesso a atualizações do nosso equipamento, estatística e fortalecendo as nossas amizades. Não há basicamente nenhum impacto narrativo neste sistema, a não ser o facto de nos tornarmos nuns autênticos lambe-botas.

No jogo ou no anime, o Erwin continua a ser o maior!

O modo história é apenas “metade” do jogo. Temos ainda o Another Mode, que é uma espécie de modo arcade, onde podemos jogar com as outras personagens da série (incluindo titãs), revisitando as missões da campanha e outras side missions, que podem ser jogadas a solo ou em multiplayer cooperativo; ou competitivo em batalhas para ver quem matou mais titãs em missão.

Attack On Titan 2 é um jogo surpreendentemente bem polido e bastante convidativo logo de inicio. É divertido o quanto baste para nos agarrar durante algumas horas e a jogabilidade dá-nos aquela vontade de fazer “só mais uma missão”. Mas não está livre de problemas, na realidade o que tem de mal, é o que tem a mais ou a menos. A falta da música original é um enorme pecado e as mecânicas RPGs, com as amizades e os diálogos, quebram bastante o ritmo. Attack On Titan 2 podia ser mais direto para a ação. E claro a história serve apenas de suporte, não oferecendo nada de novo em relação ao anime. Felizmente, não se atira para o território dos spoilers.

Portanto, se são fãs da série e querem gritar “Shinzou wo Sasageyo” antes de começarem a cortar homens nus gigantes às fatias, este jogo é definitivamente para vocês.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PC) foi cedido pela Ecoplay.

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