ESPECIAIS

Indies must play!

The Banner Saga
2014 / PC∙PS4∙Xbox One / Stoic

thebannersaga

A indústria dos videojogos tem vários chavões que as equipas de marketing adoram como “mundo aberto”, “liberdade”, “personalização”, coisas que ficam bem na contracapa. Uma destas promessas é a do peso das nossas escolhas. Quem já tem uns anos disto, sabe que nunca nada disto é bem como nos prometem. À excepção de The Banner Saga. Todas, e com todas eu quero dizer todas, as decisões que tomamos em The Banner Saga têm impacto no jogo, até porque o jogo nos obriga a tomar decisões a toda a hora. Compramos comida ou equipamento para facilitar os combates? Descansamos e recuperamos a moral do grupo, arriscando esgotar as nossas reservas, ou insistimos na marcha e sacrificamos o espírito da caravana? Aceito ajudar famílias desesperadas ou abandono-as para cuidar da minha?

A ideia de sacrifício é próxima da história, mas está incluída na jogabilidade de forma natural. As decisões que já referi afectam todos os aspectos da experiência, mas o mais importante é pôr o jogador em situações moralmente difíceis e, muitas vezes, sem qualquer boa escolha, apenas males menores ou maiores com custos bastante reais. O combate por turnos é desafiante, o mundo é espantoso e original no género da fantasia, embora o baixo orçamento e recursos da Stoic não permitam vozes ou animações luxuosas fora das lutas. Ainda assim, The Banner Saga é o melhor exemplo, talvez até o único, de como as nossas decisões devem pesar num jogo, obrigando o jogador a viver com todas as suas.

Rain World
2017 / PC∙PS4 / Videocult

rainworld

Se referia que para se investir em Dustforce é necessário um traço de masoquismo, para gostar de Rain World e conseguir aceitar o que faz do título de estreia da Videocult algo especial é capaz de exigir uma patologia do foro psicológico. Isto porque conseguir garantir a sobrevivência do slugcat é impossível, uma tarefa perfeitamente ingrata graças à natureza aleatória deste mundo em que a chuva nos mata. Fosse só a chuva e não seria assim tão mau, mas há lagartos de várias cores e feitios, uma espécie de símios de humores voláteis, plantas carnívoras, insectos gigantes, e não esqueçamos os abutres.

Ainda assim, e à semelhança de Transistor e Hyper Light Drifter que decidem convidar-nos a descobrir o mundo em vez de no-lo explicarem, Rain World entranha-se. Pouco ou nada nos é dito nos primeiros momentos, e somos largados em seguida no mundo mais hostil que alguma vez pude visitar num videojogo. Descobrir o que podemos comer ou o que nos come segue um processo de tentativa/erro, e a ameaça de chuva (e de perdermos todo o progresso desde o último refúgio e checkpoint) paira sobre nós a todos os instantes. Sem surpresa, a frustração é constante e pode atingir níveis elevados, na minha experiência, mais do que em qualquer um dos jogos deste artigo. Não obstante, aqui está, nesta pequena lista de indies que acho obrigatórios. Experimentem que não se vão arrepender. Bom, a maioria provavelmente vai, mas aqueles dois de vocês vão adorar!

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