Indies must play!

É fácil para os títulos AAA ficarem na história. Há os fora-de-série, os muitos bons, aqueles que não são grande espingarda por si só mas a série até é fixe e o último da trilogia fechou aquilo mesmo bem, ou mesmo aqueles que foram tão maus, mas tão maus, que para sempre serão lembrados e até chegam a criar uma espécie de culto. Mas e os indies? Esses ou foram pioneiros de alguma forma, ou recriam uma experiência da nossa infância (se tivermos 30 ou mais), ou têm um quê de especial que os distinga dos milhentos outros indies ou cópias descaradas que para aí andam. E depois há sempre o preconceito: “são walking simulators,” dizem uns; ou a minha preferida “eish, isto está cheio de píxeis”. Quantos figuram nas listas d’Os Melhores de Sempre?

Por isso venho provar que os indies podem não só ser experiências memoráveis, como até provarem-se os melhores naquilo que fazem, melhores até que os AAA com os seus orçamentos milionários. Na minha humilde opinião, os títulos que se seguem são obrigatórios e, de por uma razão ou outra, merecem ficar na história dos videojogos. A melhor forma de publicidade é o “passa a palavra”, dizem, por isso vamos nessa!

Dustforce
2012 / PC∙PS3∙X360 / Hitbox Team

dustforce

Em Dustforce vestimos as jardineiras de um empregado de limpeza, admitamos, o sonho de qualquer garoto. A bem dizer, o jogo faz-nos parecer mais uma espécie de Caça-Fantasmas, mas em vez de armas de protões e fantasmas usamos esfregonas e vassouras para limpar pó e folhas de Outono. Dustforce é um jogo de plataformas ao estilo das arcadas de tempos idos, e no primeiro momento em que pegamos no jogo apercebemo-nos de que somos mais ninjas do que propriamente empregados de limpeza.

Dustforce consiste em limpar os cenários mais recambulescos, em que a sujidade se agarra ao chão, paredes e tecto. O objectivo passa por conseguir desvendar o percurso mais rápido e fluido com recurso a sprints, duplos saltos, e “ataques” especiais. Não vou mentir, a frustração é um elemento presente, especialmente nos níveis mais avançados, e a repetição é incontornável. O truque está em memorizar os cenários e afinar os movimentos, tal como manda o espírito dos videojogos dos anos 80 e 90. Os gráficos e em especial a música servem como contraponto zen, mas, ainda assim, Dustforce é aconselhado só a quem tem veia competitiva e um quê de masoquismo.

Mark of the Ninja
2012 / PC∙X360 / Klei Entertainment

markoftheninja

Para quem como eu relembra Tenchu 2 com carinho e sempre achou que faltava um bom jogo contemporâneo na mesma linha, Mark of the Ninja é obrigatório. É um jogo 2D, algo estranho para acção furtiva, mas que faz o melhor da bidimensionalidade. O design, da responsabilidade de Nels Anderson, lida com a indefinição recorrente do campo de visão dos inimigos através dos cones clássicos, ao estilo de Commandos ou mesmo do que vemos no radar de Metal Gear, e concretiza a proeza de representar o som em indicadores visuais na forma de anéis… ou ondas sonoras, a bem dizer.

Mark of the Ninja é um excelente exemplo de como fazer mapas abertos, mesmo na era dos mundos megalómanos em 3D. Não tem excessos, tudo o que existe tem um propósito, todos os caminhos um destino relevante. À medida que avançamos no jogo, aumentam as nossas opções de projécteis, camuflagem, e armadilhas. Tudo depende da abordagem de cada jogador. A juntar a isto, há fatos especiais com conjuntos de itens predefinidos e habilidades particulares, o que incentiva a repetir os níveis de diferentes formas.  Por fim, a história consegue surpreender, algo raro nos tempos que correm.

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