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Frantics | Glitch Review

Com o passar das gerações e com a chegada dos serviços online às consolas, a ideia de nos sentarmos no sofá com um grupo de amigos começou a desaparecer. A maioria dos jogos abandonou, inclusivamente, os modos split-screen em prol das partidas multijogador, deixando os jogadores mais saudosistas sem grandes soluções para as suas noites de convívio. Apesar de uma mudança de paradigma ainda não estar no horizonte, a linha de jogos PlayLink, criada e apoiada pela Sony, poderá ser uma solução inesperada para o tão necessário couch gaming.

Frantics_Selo_Análise

Desenvolvido pela NapNok Games, Frantics é a mais recente aposta da linha PlayLink, uma colectânea de 15 minijogos onde o objetivo é juntar amigos dentro e fora do sofá para partidas rápidas, mas divertidas. O conceito mantém-se idêntico ao dos restantes títulos da linha exclusiva da PS4, onde o DualShock 4 é colocado de parte para dar destaque aos smartphones. A ação toma assim uma nova dimensão ao dar aos jogadores a possibilidade de controlarem individualmente a sua personagem através de controlos por movimento e aproveitando as funcionalidades giroscópicas dos novos telemóveis para derrotar os outros jogadores e ultrapassar os restantes perigos dos minijogos.

Frantics funciona assim como qualquer outro party game, assumindo uma estrutura muito semelhante a Mario Party ou a Crash Bash, onde cada jogador pode escolher a sua personagem e alterar o seu nome, e aventurar-se através de uma sucessão de minijogos que são escolhidos aleatoriamente. Cada participante tem como objetivo principal a recolha de coroas que só poderão ser conquistadas se vencerem uma partida ou se concluírem um dos objetivos secretos que o jogo vos poderá lançar. No final de cada jogo, que é composto por cinco partidas, ainda que possamos criar as nossas próprias sessões, o jogador com o maior número de coroas é considerado o vencedor, ganhando ainda a possibilidade de se vangloriar perante os seus amigos.

A NapNok Games conseguiu criar uma coletânea bastante variada e divertida que concilia perfeitamente com a estética cartoonesca das personagens e dos cenários. Frantics apresenta modelos criados através de plasticina, feitos pela própria equipa – onde podemos ver, inclusivamente, as suas impressões digitais no logótipo -, que dão ao jogo um tom nostálgico, como se estivéssemos a ver um desenho animado num sábado de manhã. As personagens são divertidas, loucas e perfeitas para os mais novos.

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Durante os minijogos, temos a possibilidade de apanhar moedas que nos ajudarão durante os leilões. No entanto, podem também ser a distração perfeita para eliminarem os vossos amigos mais gananciosos.

No que toca à jogabilidade, Frantics relega todas as ações para os smartphones. Seja saltar, movimentar a personagem ou usar qualquer um dos ataques, os telemóveis são o único comando compatível com o jogo. Se no início estava cético com este novo modelo, ao fim de poucas horas consegui perceber a sua magia. Não só os minijogos são perfeitos para os controlos por movimentos, com a jogabilidade simples a ser imediata e intuitiva para qualquer jogador, como incluem particularidades interessantes que dão ao jogo uma maior competitividade.

É aqui que entram os leilões, que podem acontecer a meio ou no final de cada jogo, onde podemos comprar itens que nos dão vantagem durante a próxima partida; e as missões secretas, em que um jogador terá um objetivo extra que terá de concluir para ganhar uma coroa. Estas missões são atribuídas secretamente e aparecerão apenas no telemóvel do jogador selecionado, deixando os restantes participantes curiosos e apreensivos. É ainda possível utilizar armadilhas em certos jogos, como o desafio das cadeiras loucas, e atacar os vossos adversários após terem perdido numa das partidas.

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Os leilões colocam os jogadores a apostar as suas moedas nos itens que querem utilizar durante o próximo minijogo. Os jogadores que apostarem mais, terão, obviamente, maiores hipóteses de comprar o que querem, com os derrotados a ficarem com os itens que não foram escolhidos.

Os minijogos focam-se unicamente nos controlos por movimento, obrigando-nos a navegar as personagens através de vários perigos, como uma pista cheia de obstáculos onde cada embate nos tira um ponto de vida, ou em arenas em que o objetivo é derrubar os outros jogadores para fora do cenário ou apanhar o maior número de donuts para ganhar a partida. Ao contrário de outros títulos do género, Frantics foca-se muito nas partidas por tempo, estipulando uma duração fixa e dando-nos a possibilidade de acumular o maior número de pontos possíveis até ao último segundo. Esta aposta transforma as partidas em verdadeiras corridas contra o tempo, dando aos jogadores a possibilidade de lutar até ao fim.

Apesar da sua variedade no lançamento, especialmente para o tipo de experiência que Frantics procura proporcionar, não consegui afastar o sentimento de que o jogo se poderá tornar repetitivo ao fim de algumas horas. Por agora, o número de minijogos é o suficiente para vos cativar, especialmente num ambiente de festa, mas espero que a Sony e a NapNok Games estejam a planear o lançamento de mais partidas em jeito de DLC. Sem essa aposta, Frantics poderá ter uma longevidade curta para os jogadores que quererão mais.

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Não irão encontrar minijogos muito criativos, mas compensam pela sua diversão. Neste caso, temos o tradicional jogo dos para-quedas, onde teremos de esperar até ao último minuto para abrirmos o nosso e chegar em primeiro. Existe ainda a possibilidade de utilizarmos dinamite para eliminarmos definitivamente um dos jogadores.

Com uns gráficos encantadores, uma direção de arte diferente, mas muito cuidada, uma performance impecável e uma jogabilidade que consegue extrair o melhor do formato PlayLink, Frantics é uma excelente aposta para os amantes de couch gaming. Os minijogos são absolutamente divertidos e ideais para uma festa, ainda que se poderão tornar um pouco repetitivos. Há aqui muita potencialidade e se comecei Frantics enquanto cético, sai convencido e com vontade de ver tudo o que a linha PlayLink tem para nos dar. Não sejam como eu e não deixem escapar esta nova aposta da Sony.

Nota 7
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela PlayStation Portugal.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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