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Immortal Redneck | Glitch Review

No meio de tantos lançamentos de peso e de reedições de títulos clássicos, é impossível não deixar escapar alguns jogos independentes ao longo do ano. Seja pela falta de cobertura por parte dos sites especializados ou pela premissa incomum de certos títulos, a verdade é que muitos jogos estão destinados a ficarem perdidos pelo tempo. Depois de passar uma semana com Immortal Redneck, desenvolvido pela Crema, só posso desejar que o mesmo não lhe aconteça.

Immortal-Redneck-Selo_Análise

À medida que os anos passam e as responsabilidades da vida adulta se assumem com todas as suas forças, tenho sentido uma nova e inesperada falta de paciência para a maioria dos jogos. Se há 5 anos era incapaz de jogar um título apenas pelas suas mecânicas, valorizando sempre a narrativa e as personagens em prol das mecânicas, hoje em dia vejo-me a fazer exatamente o contrário, com a diversão a ser a palavra de ordem para as minhas sessões de jogo.

É por essa razão que Immortal Redneck, um roguelike na primeira pessoa, anteriormente disponível apenas para PC, caiu que nem uma bomba na minha PS4 e transformou por completo a minha rotina. Em apenas uma semana, vejo-me completamente apaixonado e fascinado pela sua simplicidade, rapidez e fluidez que tantas horas me têm roubado.

No seu cerne, o título da Crema não é diferente de Rogue Legacy ou Ziggurat, mantendo uma base que reúne o melhor do género. Como o titular sulista norte-americano, que se vê mumificado e obrigado a lutar contra hordas de monstros, o nosso objetivo é o de matar tudo o que se move e subir de nível em nível, através de salas geradas aleatoriamente, e derrotar o boss final. Pelo caminho, iremos encontrar novas armas, habilidades e dinheiro que desaparecerão sempre que formos derrotados.

A dificuldade é a palavra de ordem e o recomeço constante a nossa sina. No entanto, nem tudo é mau e sempre que voltamos ao início, temos a oportunidade de evoluir a nossa personagem e comprar buffs que nos ajudam (apenas) durante a próxima ronda. Apesar da evolução ser permanente, onde se inclui ainda a descoberta de planos para desbloquear novos itens, tudo o resto será reiniciado, sem exceções.

maxresdefault
Para além dos inimigos, os níveis apresentam sempre perigos ambientais e outras armadilhas que nos poderão apanhar desprevenidos se não estivermos atentos aos cenários.

Immortal Redneck é dos roguelike mais divertidos que já joguei e é um excelente exemplo de como uma jogabilidade simples, mas limada é capaz de aguentar e até fortificar um jogo deste género. É certo que existe ainda uma aposta clara no humor, basta olhar para o título, mas não existem dúvidas que é a mestria dos controlos e das habilidades que tornam a experiência tão perfeita.

Poderá ser frustrante para alguns, mas para mim, talvez por já estar habituado, o constante recomeço do zero foi uma motivação constante para continuar. Existe sempre algo de novo para descobrir e para desbloquear, e a presença de armas novas e de habilidades, que podem ser positivas ou então acrescentar efeitos negativos à nossa personagem, dão uma aleatoriedade desafiante às nossas tentativas. Ao aliarmos estes elementos à possibilidade de desbloquearmos novas personagens e entidades, cada uma com os seus poderes e armas, ficamos com um dos jogos mais divertidos deste início de ano.

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Cada pirâmide, no total de três, tem um mini-boss a meio e um boss final. Os desafios envolvem sempre um padrão fácil de descobrir e são batalhas minimamente interessantes, ainda que alguns dos ataques dos bosses tenham uma hitbox demasiado generosa.

Os níveis não se resumem apenas ao combate, ainda que o objetivo mais comum seja a eliminação de inimigos para continuarmos em frente. Em Immortal Redneck, temos salas que são pontuadas por simples quebra-cabeças ou por desafios que dependem dos nossos reflexos. Temos objetivos que nos obrigam a navegar um nível repleto de armadilhas num determinado tempo ou sem receber qualquer dano para conseguirmos chegar ao baú e receber novos itens. A verticalidade dos níveis é um ponto extremamente positivo, adicionando camadas importantes tanto às salas de desafio como aos confrontos mais diretos. Temos ainda uma aposta nas plataformas que, apesar de não ser perfeita, resulta bem no ambiente humorístico do jogo ao colocar-nos a efetuar saltos impossíveis sem recebermos danos de queda.

A assistência na mira, presente na versão PS4, dá a Immortal Redneck uma sensação de poder e de pontaria, ainda que seja em jeito de batota. É fácil de apontar, disparar e de acertar em inimigos, independentemente da sua distância, mantendo assim a ação sempre a um nível frenético, mas obrigando os jogadores a manterem-se em movimento. Com inimigos que tanto atacam a curto alcance e outros que se focam apenas em projeteis, esta assistência dá-nos uma destreza impressionante e mantém-nos embrenhados na rapidez do jogo. Immortal Redneck consegue assim, apesar da sua dificuldade, dar-nos a sensação de que somos os melhores atiradores do mundo.

Fora o bug ocasional, a performance mantém-se estável do princípio ao fim. O movimento nunca deixa de ser fluído e não encontrei quaisquer quedas de frame durante as minhas horas com o jogo. Os cenários são simples e tornam-se repetitivos muito rapidamente, mas no que toca à sua funcionalidade e performance, Immortal Redneck dá-nos uma excelente conversão para PlayStation 4.

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Cada partida tem início no exterior, onde encontraremos o mercador e o sarcófago que nos permite mudar de personagem.

Apesar de todos os seus elementos positivos, tenho de sublinhar que se trata de um jogo repetitivo. É certo e sabido que temos habilidades para desbloquear e itens para encontrar, mas não existe uma evolução da fórmula à medida que avançamos entre salas e alternamos entre os níveis. Mesmo com a descoberta de novas personagens e armas, a jogabilidade é sempre a mesma e resume-se estritamente a navegar as salas, encontrar ouro, morrer e voltar ao início. Se não apreciam a estrutura dos roguelike e se sentem que não têm paciência para recomeçar do zero, então Immortal Redneck não irá alterar a vossa opinião.

Ao contrário do ano passado, 2018 tem sido mais calmo no que toca a grandes lançamentos. A Switch continua a marcar pontos com exclusivos e títulos independentes, e as consolas domésticas e o PC mantém o seu ritmo frenético, ainda que motivados por reedições e remakes de todos os tipos. É neste cenário que Immortal Redneck chega à PS4, um jogo divertido e viciante que tem tudo para vos conquistar e roubar, sem problemas, várias horas da vossa vida. Se adoram um bom desafio, não deixem escapar esta pérola.

Nota 8
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Stride PR e Crema.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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