Secret of Mana | Glitch Review

Depois do sucesso inesperado de Shadow of the Colossus, chegou a vez da Square-Enix dar-nos uma nova bomba nostálgica com o remake de Secret of Mana. Considerado por muitos como um dos melhores títulos da Super Nintendo, o RPG de ação chega ao PC e PS4 com um novo visual e muita confiança, mas esquece-se de trazer algumas melhorias que seriam importantes.

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Como nunca joguei o original, Secret of Mana chegou-me às mãos sem quaisquer preconceitos. É certo que li e vi muito sobre o clássico dos 16 bits, mas é a primeira vez que o jogo seriamente e vejo o quanto encantou os jogadores há mais de 20 anos atrás. Para um jogo desta simplicidade, Secret of Mana é quase como uma cápsula temporal onde podemos ver o melhor da sua era, mas também os seus defeitos.

Para todos os efeitos, estamos perante um RPG de ação clássico, onde a barra de ação determina o poder do nosso ataque e onde temos à nossa disposição várias armas e habilidades mágicas que podemos evoluir através da sua utilização. O mundo está repartido por zonas, cada uma com um tema bem definido, e é muito fácil ficarmos perdidos pelos seus cenários repetitivos. Para ajudar, temos ainda a presença de vários meios de transportação que vamos desbloqueando à medida que avançamos e que dão aquele toque clássico em tudo o que encontramos em Secret of Mana.

A passagem para o 3D não foi a esperada pelos fãs, que procuravam algo mais próximo dos sprites do original, mas assume-se como funcional a todos os níveis. Os modelos das personagens apresentam-se num tom mais jovial e até infantil, mas demonstram também vivacidade, ainda que as cenas de diálogos sejam absolutamente arcaicas e limitadas. Não é um jogo que fascina a nível visual, mas sinto que não podíamos pedir muito mais de um remake que tem medo de arriscar.

Esta sensação de jogar pelo seguro que encontro aqui é o que mais me enerva em Secret of Mana. Como não tenho o apoio da nostalgia, fico um pouco perplexo ao encontrar um jogo tão básico como este em 2018. Se retirar o seu rótulo de clássico, o que encontro aqui que seja melhor do que qualquer outro jogo do género? É melhor do que Lost Sphear, um jogo que se assenta também no saudosismo da era dos 16 bits, mas que é, para todos os efeitos, um produto recente e único? E a minha resposta é constante e seguramente um “não”.

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Existe uma enorme diferença visual entre as duas versões, mas quando nos aproximamos do remake percebemos rapidamente que quase nada mudou. Uma decepção.

Tendo em conta o número de relançamentos que Secret of Mana recebeu nestes últimos anos, com os últimos a acontecer na SNES Mini e Switch, vejo-me impossibilitado de recomendar este remake. Se existissem aqui elementos que o diferenciassem do original, o meu tom seria outro, mas para além da nova banda sonora – que não me afeta como à maioria dos fãs – e os gráficos em 3D, não há nada a dizer sobre esta nova versão.

Aliás, Secret of Mana é tão fiel ao original que sou obrigado a evidenciar os problemas intrínsecos dos dois títulos. Para começar, temos a história desta aventura que é tão básica e cliché que merecia ser retrabalhada para receber novos acontecimentos ou para termos uma maior noção do mundo e dos seus habitantes. Eu sei que é uma história com mais de 20 anos e que Secret of Mana nunca tentou ser um épico ou ter uma narrativa cativante e inovadora, ao contrário da série Final Fantasy, mas é aqui que reside o problema deste remake. Sem nostalgia, é uma história que não vos agarra e que vos irá até enfurecer se não aguentarem, como eu, as vozes dos protagonistas.

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O mapa do jogo é composto pelos cenários da versão original, um toque que eu acho ser o melhor tipo de homenagem.

O sistema de combate é também muito arcaico, mas aqui compreendo melhor a decisão da Square-Enix em deixar tudo intocável. O sistema de estamina funciona perfeitamente e limita os ataques rápidos, obrigando os jogadores a esperar se quiserem fazer um golpe que cause mais dano. Apesar de ser funcional e de existirem alguns combates mais complicados, especialmente contra os bosses, não há nada de surpreendente, e é, na maioria dos casos, mais cansativo do que envolvente. As magias são complicadas de utilizar e obrigam-nos a definir atalhos ou a navegar os menus, tornando-se pouco necessário utilizar mais do que duas magias de cada vez.

O interface e a apresentação dos menus demonstram o quanto Secret of Mana precisava de uma revisão mais acentuada da sua jogabilidade. Os menus são arcaicos, assumindo o formato de um círculo, como podem ver em vários títulos da série Mana, e separam as armas e os itens entre dois sub-menus que nunca estão devidamente presentes. A sua utilização é tão desnecessariamente trabalhosa que não consigo compreender o porquê de terem ficado intocáveis. O simples ato de trocar uma arma ou de utilizar um item é mais atafulhado do que devia ser, e devido ao design simplista dos menus, sentimos que nunca sabemos onde estamos e onde queremos ir neste círculo da morte.

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Os modelos são adoráveis e a maioria das aldeias e cidades focam-se nos clichés do género, mas os cenários são demasiado repetitivos e pequenos para aquilo que queria encontrar neste remake.

Devo ainda mencionar que Secret of Mana comete um dos maiores erros do género ao não identificar os atributos das armaduras antes de as compramos nas lojas. Isto significa que terão de decorar cada peça de equipamento que compram ou sair e entrar constantemente do menu para verificarem se devem ou não adquirir um item. Eu sei que é apenas um pormenor para muitos, mas para mim é um problema grave que demonstra o quanto a equipa não se interessou em fazer alterações substanciais que poderiam melhorar a experiência geral do jogo. É aqui que a nostalgia nos morde no rabo e revela o quanto pode ser perigosa.

Secret of Mana vem ainda acompanhado por bugs e outros problemas técnicos que demonstram o quanto este relançamento é um projeto rápido e de baixo orçamento para a Square-Enix. No final do dia, qualquer fã do género irá se questionar sobre o seu objetivo, para além do financeiro, quando nos chega tão próximo original, só que pior. E é isto que sinto, que Secret of Mana não precisava de um remake fiel, mas sim de uma revisão profunda às suas mecânicas, pois a base continua a ter um charme indiscutível. Como não é isso que temos, joguem o clássico da SNES.

Nota 5
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Ecoplay.

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