NÃO. VOLTES. A. JOGAR. ISSO.

A PROBLEMÁTICA:

Qual foi o primeiro jogo que jogaste?

Há 90% de hipóteses, segundo um estudo da Universidade da V, de a pergunta acima ter provocado uma resposta nostálgica que pode ter envolvido um sorriso, a sensação de saudade e a vontade de voltar a jogar um jogo.

Podemos fazer perdurar as duas primeiras, mas desaconselho o uso da terceira.

Este é um texto de advertência, uma espécie de PSA do GLITCH, que avisa: não voltem a jogar jogos que vos provocam memórias muito fortes e queridas. Vão ficar desiludidos.

Digo isto com conhecimento de causa:

Prova 1:

O primeiro jogo que joguei (e vi jogar) foi The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Digo ‘vi jogar’ porque a maior parte do contacto que tive com esta obra-prima dos videojogos foi como espetadora. O meu pai jogava, eu via. Quando ele não jogava, eu mergulhava na fantasia da criação de Shigeru Miyamoto.

As memórias que tenho de saltar da cascata no Zora’s Domain são tão vívidas e especiais que evocam tudo o que vos disse acima. Ainda assim, quando fui ao Youtube ver vídeos desta parte do jogo, pensei: ‘Isto parecia muito maior’; ‘A água era mais cristalina’; ‘O ambiente era mais mágico’. Uma desilusão que preferi esquecer – histórico apagado, janela fechada.

Antes, esta música era mágica. Agora, parece só a música ambiente do buffet de um hotel rasco no Havai.

 

Prova 2:

Há umas semanas, no meu canal do Twitch, iniciei uma espécie regresso ao passado com GTA: San Andreas. Os primeiros momentos foram engraçados e o número de comentários que dizem que o jogo da Rockstar evocava nostalgia multiplicaram-se… quase tanto como a minha crescente sensação de ‘meh’. Se, em xx, o jogo me parecia megalómano, agora parece mais micro, com missões um pouco repetitivas que, por vezes, não têm o melhor ritmo. O pior de tudo é que me custou escrever estas últimas linhas já que estamos a falar do meu GTA favorito. (nota: a prestação do Samuel L. Jackson como Tenpenny mantém-se brilhante).


O VEREDITO:

Estas duas experiências traumáticas fazem-me afirmar, sem dúvidas: não devemos voltar a jogar jogos antigos que nos evocam este tipo de memórias. Não digo que, ao fazê-lo, as destruamos por completo, simplesmente nunca mais serão as mesmas.

Uma tarefa difícil no mundo dos videojogos, conhecido por pulsar com a nostalgia e o revivalismo. O passado é combustível para os indies, para os comentadores de Internet que criticam tudo o que é novo elogiando o velho, e para as produtoras que adoram remakes e remasters. Claro que há indies brilhantes, alguns comentários têm razão e outros remakes vendem mais do que os antecessores – Shadow of Colossus, isto é contigo – mas este é um artigo egoísta e, por isso, só nos preocupamos com Me, Myself and I.

É por isso mesmo que a culpa da desilusão não é da indústria. Na verdade, é só de quem não consegue estar quietinho com as memórias e quer reviver uma experiência que não pode ser revivida. Isto, porque na altura em que saltava da cascata com o Link ou via o pôr-do-sol descer sobre Groove Street, era outra pessoa, via os jogos de forma diferente, tinha outra idade, outras referências…

A SOLUÇÃO:

1. Ouvir SÓ a banda sonora ou música ambiente de determinado jogo e trabalhar a imaginação

2. Rezar para que as produtoras façam um bom trabalho no que diz respeito a estas viagens ao passado

A Nintendo é um bom exemplo disso mesmo: Super Mario Odyssey está repleto de homenagens a Super Mario 64 quadros de teletransporte, um nível secreto especial, o fato de Mario – tudo igual e perfeito. Descobri isto enquanto via um stream do jogo e o sentimento foi geral: o streamer emocionou-se, o chat ficou louco e eu fui tão igualmente afectada pelo momento que o estou a escrever num artigo do GLITCH.

Agora que penso nisso, é possível que este artigo tenha provocado uma vontade incontrolável de voltares a jogar algo que, como provei, não deves. Por isso, envio ajuda:

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