Jogos e serviços: Ubisoft na vanguarda?

Quem diria? Aqui pelo GLITCH não nos poupamos a críticas quando as julgamos justas, e quem nos acompanha há algum tempo saberá que a Ubisoft é alvo recorrente. Afinal de contas, estamos a falar da editora responsável por Assassin’s Creed: Unity, por prometer gráficos impossíveis em Watch Dogs, e por nos fazer vomitar sempre que ouvimos “mundo aberto” ou “missões secundárias”. A juntar a tudo isto, é uma das editoras que tem o desplante de não nos enviar códigos para análise, portanto, uns verdadeiros pulhas!

Mas a César o que é de César. Um dos actos de magia mais surpreendentes dos últimos tempos foi o do regresso de Rainbow Six Siege do limiar da morte. O lançamento foi desapontante, as vendas continuaram frouxas, mas com apoio continuado na forma de actualizações, correcções e DLC, o jogo conseguiu criar uma comunidade que continua a crescer. Estamos a falar de um jogo que começou há pouco o terceiro ano de vida, mais dois do que qualquer Call of Duty, e com um décimo do sucesso de vendas.

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Mas não é o facto de ter feito primeiros socorros com sucesso a Rainbow Six Siege que a Ubisoft merece um artigo desta natureza. Enquanto na indústria se atira para todo o lado o termo “jogos como serviços”, aparentemente uma forma furtiva de dizer “repleto de microtransacções e engodos variados para chular dinheiro”, o exemplo do que pode realmente ser um jogo como serviço chega da Ubisoft, que anunciou que em vez de apostar numa sequela e assim garantir 60/70 euros de cada fã, vai continuar a apoiar Rainbow Six Siege ao longo de 10 anos. A sensação de falta de ar que estão a experenciar, caros leitores, chama-se “choque”.

Para vos contextualizar, o conceito de jogos enquanto serviços passa por cortar com o modelo de sequelas e optar por uma evolução continuada de um título por via de actualiações, correcções e DLC. Este novo conceito tem claras limitações, sendo a mais óbvia a sua aplicação em jogos com foco na narrativa e numa experiência a solo, como por exemplo Uncharted. No entanto, para jogos com uma forte componente online como Call of Duty, e títulos de desporto à la FIFA, este modelo é perfeito.

Há razões para a Activision e a EA não se darem ao trabalho de experimentarem este modelo de serviço e, no caso da EA, optarem por explorar outras vias, como o seu serviço de subscrição EA Access. Sem surpresa, é a falta de garantia de que os jogos como serviço sejam tão lucrativos quanto o modelo actual de lançamentos anuais. A bem dizer, as comunidades de CoD e de FIFA deverão estar entre as mais fiéis da indústria. Há opções várias, como subscrições anuais, actualizações dos planteis, e no caso de FIFA já há um modelo de microtransacções com um sucesso imenso na forma de Ultimate Team. Mas em equipa vencedora, não se mexe. Nem mesmo quando os jogadores estão prontos para a mudança.

O futuro para o novo modelo não é feito de rosas e unicórnios. Como referido, nem todos os jogos encaixam na nova estrutura de lançamento único com apoio continuado, e a prioridade das editoras será lucrar tanto quanto possível, o que não é inerentemente mau, apenas quando os meios a que recorrem são condenáveis e possivelmente nefastos para alguns jogadores – sim, estamos a falar de Star Wars: Battlefront 2 e das investigações resultantes à natureza das loot boxes. Não podemos, no entanto, deixar de pasmar o facto de o passo na direcção certa vir da parte da Ubisoft. Estaremos cá para ver se o “apoio ao longo dos próximos 10 anos” será um apoio dedicado, ou apenas deixar o morto ligado à ficha, mas a surpresa deixou-nos esperançosos.

A Ubisoft na vanguarda… E esta, hem?

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