Strikers Edge | Glitch Review

Strikers Edge faz-me lembrar o Ringue, um jogo (ou seria desporto?) da minha infância, que para outros terá o nome de Mata, ou Dodgeball. Nessa altura existia uma rivalidade saudável entre as turmas da primária, e nem de propósito, a indústria dos videojogos está cada vez mais voltada para a sua vertente competitiva graças ao crescimento constante dos eSports. Assumindo desde já que não há dúvida de que é divertido, a questão que se coloca é se Strikers Edge tem o que é necessário para alimentar essa competitividade virtual.

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O conceito é simples: duas equipas de um ou dois jogadores cada, uma arena dividida por um fosso, e projécteis, com o objectivo de acertar tantas vezes quantas as necessárias para derrotar quem está do lado oposto. Pôr o conceito em prática, por outro lado, é mais complexo. O sistema de comandos requer hábito e muita prática (ou talento inato), apesar de recorrer ao esquema tradicional dos FPS (analógicos para movimento e mira, e gatilhos para restantes acções). Felizmente, Strikers Edge aposta no molde “simples de aprender, difícil de dominar”.

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À parte do movimento, o jogador pode lançar projécteis, executar um ataque especial, rebolar para se desviar dos que lhe são dirigidos, e, em última análise, bloqueá-los. Estas acções são condicionadas por uma barra de stamina, e no caso concreto da defesa o jogador só tem direito a três bloqueios que lhe restauram parte da vida ou aumentam a defesa ou o ataque. É um design que não foge à regra, mas que neste contexto exige uma aprendizagem afincada, e todos os elementos encaixam bem, abrindo espaço para que cada jogador desenvolva as suas estratégias, consoante a personagem escolhida e o cenário.

APLAUDO QUEM QUER QUE CONSIGA
USAR CONSISTENTEMENTE O ATAQUE ESPECIAL
DO TIPO DOS MACHADOS

Onde Strikers Edge parece pecar é no conteúdo. Há oito personagens, cada uma com o seu ataque especial, mas essa parece ser a única coisa que as distingue. O mais provável é a falta de diferênça de atributos seja uma necessidade do equilíbrio de jogo, mas a verdade é que as diferenças existentes são, à excepção de uma ou outra personagem, são subtis. Já no que respeita os cenários, a Fun Punch apresenta algumas ideias interessantes, mas fica a vontade de que tivessem sido exploradas mais ideias de arenas interactivas. As opções são poucas e pouco inspiradas na sua generalidade, e fica a sensação de que havia espaço e oportunidade para experimentar algo mais.

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A campanha existe, mas apenas está lá. Serve como contextualização do imaginário de Strikers Edge e como um desafio masoquista graças à distreza para dias em que nos faltam amigos ou sinal de rede. O modo online comporta-se com competência, mas não posso dizer que seja o mesmo do que jogar contra amigos numa disputa presencial. Este é um ponto que poderá não reflectir o gosto ou a opinião de gerações mais novas para as quais o multijogador é antes de mais online. Para outros (e note-se que não sou velho, de todo), Strikers Edge mantém o charme quando podemos ver as reacções do(s) nosso(s) adversário(s) in loco.

Ainda assim, a Fun Punch faz jus ao seu nome e Strikers Edge é realmente divertido e original. Os combates começam por ser caóticos, mas à medida que compreendemos as regras e as mecânicas, afinamos a abordagem e Strikers Edge revela a sua face competitiva e a solidez de design. Ironicamente, o jogo serve na perfeição como party game, a antítese de qualquer jogo competitivo, brilhando offline em multijogador local e a fazer uso de picardias familiares entre amigos. Porém, a cena competitiva poderá existir e dependerá sempre da base de fãs que vier a surgir, do empenho da mesma, e do apoio a longo prazo. Posto isto, não me vejo a procurar torneios de Strikers Edge, mas há uma boa hipótese de o tentar impingir aos meus amigos quando tiver jantares lá em casa.

Nota 7
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Sony.

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