Dragon Ball FighterZ | Glitch Review

Há três razões principais para o hype descontrolado dos últimos meses em torno de Dragon Ball FighterZ: primeiro, porque se trata de Dragon Ball; segundo, porque FighterZ marca o regresso ao plano 2D com pretensões competitivas após longos anos de arenas 3D e títulos casuais; e terceiro, porque é a Arc System Works (ASW), das séries BlazBlue e Guilty Gear, que está encarregue da produção. O desafio não passa apenas por fazer um jogo competente, mas principalmente por conjugar a FGC (Fighting Game Community) e os fãs de Dragon Ball, na maioria estreantes em jogos de luta.

Com isto em mente, a ASW oferece os modos história e arcada, sabendo que uma boa parte dos jogadores não vai querer saltar directamente para o online. A história está dividida em três arcos narrativos, com o primeiro a servir de tutorial constante. O enredo em si consegue entreter, tendo bons momentos de comédia e alguma intriga, mas o mais importante é conseguir captar o espírito de Dragon Ball, ainda que em jeito de filler. Dependendo da composição da equipa há cutscenes adicionais que fazem referência ao cânone, o que acaba por nos levar a testar novas personagens. Contudo, o primeiro arco narrativo serve de tutorial constante contra inimigos que quase não se mexem e sem opção para aumentar a dificuldade. O desafio só começa a surgir no segundo, mas entretanto já investimos cerca de cinco horas para desbloquear a Android 21, que serve de prémio para quem acaba as três partes da história.

O modo de arcada é menos complacente, e ao mesmo tempo quebra com a estrutura tradicional, com caminhos variáveis dependendo da prestação de cada combate. Posto isto, há picos de dificuldade acentuados que podem frustrar os menos hábeis, mas o grau de variação está ligado a cada um dos percursos disponíveis, e o jogador pode tentar o mesmo combate tantas vezes quantas necessárias, apesar de ser penalizado na pontuação por cada derrota. De qualquer maneira, o modo arcada é a melhor opção offline para pôr à prova o que se aprendeu no modo treino, e para testarmos as nossas personagens contra diferentes equipas antes de nos aventurarmos online.

No que diz respeito à jogabilidade, Dragon Ball FighterZ faz tudo para que o pico de dificuldade tão típico do género não seja tão acentuado. O tutorial dedicado serve para explicar as acções e os conceitos básicos do jogo, e os desafios das personagens ajudam a compreender o estilo de luta de cada uma e as possibilidades individuais de combos. Quando comparado com o tutorial e os desafios de Guilty Gear Xrd, por exemplo, fica bastante aquém. Se por um lado evita pesar quem chega agora ao género com mecânicas e técnicas mais avançadas, por outro acaba por limitar quem quer evoluir mas não tem as ferramentas ou a criatividade para o fazer sozinho. Felizmente, a comunidade está activa na Internet e não faltam guias para iniciados e veteranos.

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Um bom exemplo de como as propriedades únicas das combos automáticas podem servir mais do que os noobs. Quanto mais não seja, vale pela pinta do ataque.

Da mesma forma, a simplificação da jogabilidade é uma lâmina de dois gumes. É difícil argumentar contra a inclusão de combos automáticas, especialmente quando estas desencadeiam ataques específicos que não são possíveis de executar de outra forma; mas a incorporação de outras mecânicas com botões ou sequências dedicadas (Super Dash e Supers), ainda que cumpram com o seu objectivo e permitam que os menos hábeis desencadeiem combos completas, poderão acabar por atrasar a aprendizagem de uma boa fatia de jogadores. A isto juntam-se as mecânicas universais, que acabam por permitir que se possa utilizar todas as personagens de forma semelhante, ainda que esta abordagem vá resultar em derrotas pesadas contra jogadores que saibam fazer uso das particularidades de cada lutador.

PARA OS ALÉRGICOS A LOOTBOXES:
HÁ UMA LOJA DE CÁPSULAS,
MAS NADA SE COMPRA COM DINHEIRO REAL

A verdade é que, apesar de ser possível uma abordagem quase universal, cada personagem tem o seu estilo próprio e há bastante para explorar fora das combos automáticas, particularmente em termos de composição de equipas, conjugando diferentes assistências e ataques especiais, e é aqui que Dragon Ball FighterZ supera as expectativas. Como qualquer jogo de luta, quem quiser competir ou explorar as mecânicas mais a fundo terá de passar tempo no modo de treino robusto, que oferece diferentes opções para criar as mais variadas situações. Ainda no tema de progresso pessoal, o modo Replay pode ser configurado para gravar partidas online (Casual e/ou Ranked), de modo a podermos identificar e corrigir erros e manias nossas. Também podemos assistir a combates da comunidade, divididos entre os mais populares e os ordenados por ranking, filtrar pela posição exacta na tabela e por personagem usada, o que é útil para ver diferentes (e melhores) abordagens do que as nossas.

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Ginyu é o caso mais particular de todo o elenco, com os elementos das Forças Especiais e a técnica de troca de corpo. De momento, é das personagens mais difíceis de usar.

A par e passo com o género, o foco de Dragon Ball FighterZ é o online, e o design do menu principal, representado na forma de mapa com a arena ao centro, é prova disso. O sistema de matchmaking é competente e a informação sobre o estado de ligação fiel à realidade, e tanto o modo World Match (Casual e Ranked) como o modo Arena correm com fluidez. Curiosamente, as Ring Matches, a única modalidade que escapou às duas betas, apresenta problemas. O grande problema está no facto de estas partidas substituírem os convites tradicionais e de serem a porta de entrada o modo Party Match, que permitem lutas de seis jogadores em que cada um controla uma personagem de uma das equipas. A Bandai Namco garante que os problemas estão a ser resolvidos, mas este é o estado actual do jogo.

Dragon Ball FighterZ parece ser vítima do hype. Trata-se de um primeiro lançamento de uma possível série alongada, e isso acarreta algumas limitações (não há assistências personalizáveis, o leque de ataques normais é reduzido na maioria das personagens, e os desafios ficam longe do que se esperava de um jogo da ASW), mas estas existem em prol do equilíbrio geral da jogabilidade, que num jogo 3v3 pode ser difícil de conseguir. O foco é sem dúvida o online, com uma implementação robusta, mas o modo história existe mais para divertir do que para desafiar.

Não obstante, Dragon Ball FighterZ triunfa no que campo da diversão, é acessível sem ceder na complexidade que oferece aos mais experientes, e é uma carta de amor ao universo de Akira Toriyama, em que as personagens parecem saídas do manga, e em que todos os movimentos, expressões e linhas de diálogo fazem referência a elementos da obra, por vezes obscuros. O facto de a ASW ter conseguido pegar no material original e o ter adaptado como elemento de jogabilidade é um feito incrível, ao ponto em que se torna perfeitamente aceitável o desejo de vingança quando nos cancelam a introdução da nossa personagem no início do combate.

24 PERSONAGENS PODE PARECER POUCO,
MAS A MAIORIA É ÚNICA À SUA MANEIRA,
APESAR DAS MECÂNICAS UNIVERSAIS

Dragon Ball FighterZ exige paciência e dedicação aos jogadores, e não tenho dúvida de que muitos estreantes cederão à frustração. Não é algo específico a este jogo, mas ao género. De momento, com a Capcom a não saber dar a volta a Marvel VS Capcom: Infinite, a Namco tem uma oportunidade de ouro e Dragon Ball FighterZ não desaponta, ainda que com os problemas das Ring Matches e a menor lista de lutadores da última década, sem os extras a que os fãs estão habituados. Ainda assim, é o melhor jogo de luta baseado na série até à data, e disso não há dúvida. Deixamos uma dica para quem está a começar: a capacidade mais importante em qualquer jogo de luta é saber suportar as derrotas; a segunda mais importante é aprender com as mesmas – aprender e adaptar.

Nerf, Buff, Patch, Adapt!

Nota 8
A escala utilizada é de 1 a 10

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