10 coisas que adoro na série Silent Hill

Se seguem regularmente o GLITCH EFFECT e se ouvem o nosso podcast, devem ter percebido que sou um enorme fã da série Silent Hill. O que os meus colegas consideram ser puro masoquismo, eu vejo como amor – um amor que me leva a enfrentar os meus demónios e que me traumatizou ao longo de vários anos. Para mim, Silent Hill é, até ao quarto jogo, uma das séries mais coesas, mais bem estruturadas e pensadas que já encontrei, desde a sua história repleta de metáforas e um design aterrador, até aos cenários tenebrosos e às personagens desconcertantes que nos acompanham na viagem.

Pode não ser a vossa série favorita, mas a cada ano que passa, começo a achar que é a minha. Silent Hill 2 é e penso que será sempre o meu jogo favorito, e os restantes títulos produzidos pela Team Silent não ficam muito longe do pódio. Depois de semanas de ódio, de microtransacções e de uma indústria que parece ser mais canibalística do que saudável, sinto uma enorme necessidade em voltar a um porto seguro e simplesmente deambular pela familiaridade de Silent Hill. Por isso, aqui ficam 10 coisas aleatórias que adoro nesta série.

AVISO: Escusado será dizer que este top tem imensos spoilers.

O caminho pela floresta – Silent Hill 2

Não só a sequência em si, que nos prepara para o terror que se avizinha, é absolutamente assombradora como a própria música que a acompanha, que não se encontra disponível na banda sonora oficial, marca o tom de um jogo dificil de esquecer. Olhando para trás, esta é possivelmente uma das melhores aberturas que já vi num videojogo.

A transformação de Lisa – Silent Hill

Ao contrário da sua sequela, Silent Hill assume-se como um jogo mais frio, fortemente enraizado no seu ambiente e na estranheza das suas personagens, sem nunca atingir o grau de humanidade que emana nos restantes jogos da série. No entanto, momentos como a transformação de Lisa, a única personagem minimamente normal do jogo, demonstram o quanto a equipa estava preparada para arriscar.

A introdução – Silent Hill 3

Quando joguei Silent Hill 3 pela primeira vez, não consegui acreditar que a introdução estava a ser acompanhada por aquilo que parecia ser uma música pop. Enquanto avançava pelo jogo, a dúvida mantinha-se, tal e qual um fã snob da série, mas algo parecia mudar lentamente. No final, não conseguia iniciar o jogo sem ver a introdução do princípio ao fim e anos depois, fiz questão de ter a música no meu mp3. É a coisa menos Silent Hill do mundo, e é isso que a torna tão especial.

A sequência na cela / Maria – Silent Hill 2

Numa das sequências mais arrepiantes de Silent Hill 2, temos a dualidade de James e Maria, a representação sensualizada da sua esposa (morta há três anos). A sua transformação entre a adorável Mary e a provocadora Maria, que podemos perceber pela voz e maneirismos, é um dos momentos de destaque do jogo e um ponto de viragem para James. O cuidado na representação dissonante dos dois atores é soberba e mantém-se inigualável pelos restantes títulos desta série.

Chegada a Silent Hill – Silent Hill

A Team Silent não demorou a colocar de parte as comparações entre o seu jogo e Resident Evil. É certo que o título da Capcom foi uma inspiração importante, mas no que toca ao tom e ao foco no horror, Silent Hill não podia ser mais diferente. A chegada à cidade é um ótimo aviso para os jogadores que esperavam matar zombies com caçadeiras e lança-granadas – aqui nada os irá salvar.

A cabeça gigante – Silent Hill 4: The Room

A série nunca teve medo de deambular por metáforas sexuais e The Room não é excepção. Henry é uma das personagens menos aprofundadas deste universo, mas são os pormenores que lhe dão alguma consistência. Infelizmente para os mais pudicos, esses detalhes revelam um homem frustrado sexualmente e um possível mirone com um enorme fascínio pela sua vizinha, Eileen. Esta quase obsessão é colocada em primeiro plano através da representação exagerada e quase cómica da rapariga que observaram ao longo do jogo, agora com os olhos fixos em vocês.

As escadas sem fim – Silent Hill 2

Ao contrário do primeiro jogo, Silent Hill 2 consegue manter uma consistente espiral de loucura e demência que culmina na revelação do grande twist da história. James inicia a sua viagem nos arredores da cidade, percorre o trilho na floresta que o leva a Silent Hill e explora edifícios mundanos como hotéis, hospitais e até bares – tudo o mais normal possível. Mas à medida que os segredos são revelados, a espiral obriga-nos a descer até ao cerne da cidade e do seu poder fantasmagórico. Esta sequência (que infelizmente não consigo demonstrar de outra forma) marca o exato momento em que sentimos que tudo está prestes a mudar.

O espelho – Silent Hill 3

Ao contrário das restantes séries de terror e sobrevivência, Silent Hill sempre apostou mais na tensão do que nos sustos fáceis. O medo é palpável e as situações mais aterradoras muitas vezes escondidas e afastadas do nosso olhar, com o som a criar a antecipação que nos deixa o coração a bater. E outros momentos, como este, podem nunca ser encontrados se a nossa curiosidade não nos levar a explorar.

Este parece ser apenas mais um quarto no meio de tantos outros. Tem um espelho enorme, uma maca e pouco mais. No entanto, iremos começar por reparar nos fios e veias de sangue que se formam no reflexo do espelho. Se formos curiosos, e não tão susceptíveis a momentos de tensão, iremos querer ver o que acontecerá se a sala ficar completamente coberta de sangue. Mas antes disso acontecer, a porta fecha-se e ficamos sem saída. Depois, o nosso reflexo começa a ficar coberto de sangue e no fim, o sangue transborda para a nossa realidade, matando Heather.

A casa de banho – Silent Hill

Existem poucos momentos que conseguimos descrever com todas as certezas, pormenores e de forma incrivelmente minuciosa. Muitos desses momentos são motivados por memórias alegres, de puro êxtase ou com uma tonalidade saudosista que nunca nos escapa do pensamento. Outras – e aqui salto por cima de vários exemplos em prol do texto -, surgem através de uma experiência traumática ou absolutamente aterradora, ao ponto de nos marcar com todas as suas garras. Esta sequência na casa de banho é, apesar da sua simplicidade, um desses momentos. Joguei Silent Hill quando tinha 12 anos, talvez 13. E até hoje, quando falo no jogo, não consigo não mencionar este momento, este simples encontro com algo inexplicável naquela casa de banho abandonada numa escola entre o real e o irreal.

Transformação da escola – Silent Hill

Quando joguei Resident Evil, exista sempre em mim uma certeza, por mais assustado que estivesse: sabia sempre o que estava à minha espera do outro lado da porta. Fosse um zombie, um monstro ou um quebra-cabeça, existia sempre a segurança de que o espaço em si, a Mansão Spencer, nunca mudaria e que bastava decorar o mapa para escapar de possíveis perigos ou de surpresas desagradáveis. Em Silent Hill, fui obrigado a repensar a minha estratégia, que até à entrada da escola se mantinha bastante sólida, quando vejo o mundo do jogo a ficar virado do avesso.

Num dos momentos mais icónicos do jogo e de toda a série, tal como o senhor do vídeo o diz e bem, a escola de Midwich é transformada pela força de Silent Hill, alterando todo o espaço. O jogador fica desorientado quando portas desaparecem, salas alternam entre si e o chão e as paredes passam a ficar cobertos de ferrugem, grades e sangue. E o mais chocante é que esta transformação acontece quase inocentemente, apanha-nos desprevenidos após completarmos o primeiro grande quebra-cabeça do jogo. Só que em vez de celebrarmos e encontrarmos uma saída da escola, somos recebidos por esta transformação. A partir daqui, Silent Hill deixou de ser apenas mais um jogo de terror, transformando-se no ícone e na força da natureza que hoje todos reconhecemos.

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