À Conversa com João Lopes (Sony Portugal)

Durante a Lisboa Games Week 2017, tivemos o prazer de conversar com João Lopes, PR Manager na Sony Computer Entertainment, e ficar a conhecer melhor a posição da gigante japonesa face ao mercado português, a sua relação com os estúdios nacionais e o poder da realidade virtual junto do consumidor.

 

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Na imagem: João Lopes, PR Manager na Sony Computer Entertainment.

A Playstation sempre foi uma marca forte, mas agora, com o lançamento da Playstation 4 e a introdução do PS VR, nota-se um crescimento ainda maior no mercado. Há também uma maior aposta em Portugal?

JL: Eu diria que há muito tempo que Portugal é um território muito importante para a Playstation. Nós temos uma quota de mercado quase única a nível mundial, e também apostamos muito em conteúdos apropriados para a nossa comunidade de jogadores (em Portugal).

Para nós, a localização dos títulos é uma total prioridade. O esforço que também fazemos em produzir eventos, que sabemos que são procurados pela comunidade, a possibilidade que temos em trazer convidados internacionais, como temos aqui na LGW a Flavourworks com ERICA, um título já para o PlayLink que espero que tenham gostado. Amanhã teremos a presença da Quantic Dreams com uma apresentação de Detroit: Become Human. Portanto, tudo isto, juntando ao facto de Portugal ser um país em que todos os lançamentos são feitos em Day One, alinhados com o resto do mundo, achamos que está aqui o segredo de fazer a indústria crescer e deixar a comunidade satisfeita.

A preparação para esses lançamentos (sobre a localização) é feita atempadamente, logo desde o início do desenvolvimento dos jogos, ou só na reta final de produção?

JL: É um trabalho que até certo momento segue em paralelo, como é óbvio. Mesmo a localização é um processo que leva o seu tempo. E depois a integração no próprio jogo. São processos que andam muito em paralelo.

No que toca a uma área mais de comunicação e ao plano de marketing, com o tempo de desenvolvimento de jogo, as coisas também se vão ajustando, e nós em Portugal temos essa premissa de ajustar aquilo que fazemos, também monitorizando muito a comunidade e percebendo aquilo que será mais certeiro para o consumidor.

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A Sony esteve em grande destaque durante  a edição deste ano da Lisboa Games Week, conseguindo ocupar um espaço impressionante com vários stands e jogos disponíveis para os visitantes.

Podemos então dizer que há mesmo muito trabalho feito em Portugal?

JL: Sem dúvida. Naturalmente que a Playstation e os títulos para a Playstation são mundiais. Mas nós felizmente temos a possibilidade, e é muito a nossa prioridade, cada vez mais, de produzirmos conteúdos locais e termos sempre a preocupação com a portugalidade em tudo o que fazemos, em torno dos nossos lançamentos.

Isso inclui também jogos portugueses?

JL: Naturalmente. Se calhar o expoente máximo acaba por ser o nosso programa Playstation Talents, a nossa iniciativa de apoio ao desenvolvimento de videojogos, que vai este ano para a 3ª Edição. Temos hoje aqui e durante os 4 dias da LGW, os 10 finalistas de toda a comunidade, para que se possa ver aquilo que os portugueses andam a fazer. E um deles será publicado para a PS4. Portanto, sentimos que é um programa que tem crescido, qualitativa e quantitativamente, as candidaturas também têm melhorado. Temos verificado isso. Para nós é um indicador que a comunidade de estúdios indie em Portugal está a crescer. Por outro lado, também verificamos que há uma maior notoriedade de iniciativa e, portanto, o envolvimento e o trabalho colocado em cada candidatura também é superior.

E depois, também, temos a parte que achamos que esta a funcionar muito bem, que é o programa Playstation First, que pretende contactar com um público mais universitário, numa vertente mais académica, que só este ano os projetos integrados no Playstation First alimentaram com 7 candidaturas os Prémios Playstation, e 4 deles são finalistas. Portanto, é muito esta viagem, desde uma vertente académica para a de um desenvolvimento propriamente dito de um videojogo, que nos está a agradar muito com o Playstation Talents em Portugal.

Há possibilidade de virmos a ter um jogo AAA português na Playstation? Já temos aqui o ERICA com algum desse ADN, não é verdade?

JL: Eu diria que sim! E temos também, dou aqui o exemplo de Syndrome, para PS VR, da Big Moon Entertainment; e sentimos que cada vez mais, os estúdios portugueses começam a marcar a sua presença na indústria também a nível mundial.

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Os candidatos aos Prémios PlayStation tiveram direto ao seu próprio stand e na imagem podemos ver Bifrost Spire, produzido pela Pink Dogs e um dos projetos apoiados pelo programa PlayStation First.

Podemos dizer que a chegada dos indies às consolas caseiras ainda é uma novidade. Nota-se que parte do interesse dos pequenos produtores, ou depende ainda em muito destes programas como os da Playstation?

JL: Eu diria que as duas coisas são indissociáveis. Naturalmente que tem de haver a oportunidade para haver crescimento, e eu acho que tem havido. Os indies são muito importantes para a Playstation, sabemos que é algo que a nossa comunidade muito aprecia e, portanto, para nós também acaba por ser uma prioridade nesse sentido.

E sobre o PS VR, um ano depois do lançamento, como é que vê a plataforma? Como é que combina com ecossistema PS? Iremos ver mais jogos com integração VR?

JL: Relativamente ao PS VR, estamos muito satisfeitos com o percurso que tem feito, tendo em conta que foi lançado há um ano. Hoje em dia, temos mais de 100 jogos e experiências disponíveis para o PS VR, portanto está a haver uma aposta muito grande, não só da nossa parte, mas também de third parties, para produzir conteúdos para esta plataforma, e sentimos que esse match (combinação) é cada vez mais vincado. É uma experiência de jogo diferente, mais imersiva, que de facto coloca o jogador no centro da própria ação. Sentimos que hoje em dia há cada vez mais conteúdos, mas temos de nos lembrar que isto tem um ano. E, como qualquer nova tecnologia, terá certamente um caminho muito grande a percorrer.

 

Como foi a receção da PS4 Pro enquanto consola de meia-geração?

JL: O que temos vindo a receber por parte da comunidade é que ter mais oferta são boas notícias. Haver uma consola que permite um tipo de experiência diferente da outra, no final, são boas noticias (na nossa ótica). Os dados que nós temos a nível mundial é que por cada 5 PS4 vendidas uma é PS4 Pro, e, portanto, são resultados bastante animadores, também perante um sistema que foi lançado há um ano. Portanto, achamos que também está a fazer o seu caminho e a ser um sucesso.

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Foi possível jogar não só as grandes novidades deste ano como os próximos lançamentos de peso da família PlayStation 4.

 

Acreditam que a Sony ainda poderá ter presença no mercado das consolas portáteis? A Nintendo Switch é vista como uma ameaça nessa fatia do mercado?

JL: Nós, no que toca ao lançamento de outras plataformas, achamos que a indústria está a ganhar e que só a faz crescer. Da nossa parte, estamos muito focados no ecossistema PS4. PS4, PS4 Pro, PS VR. Este é o nosso foco atual. Sabemos que a PS Vita continua a ter muito sucesso, sobretudo no oriente, mas nós, como é possível ver com os conteúdos na LGW, com os maiores lançamentos deste ano como GT Sport, COD WWII, Destiny 2, FIFA 18, Star Wars Battlefront 2, juntamente com algumas ante-estreias como Detroit: Become Human, God of War, Days Gone e Shadow of Colossus, para além do PlayLink, estamos muito focados em produzir conteúdos para este ecossistema. E sentimos que será esse o futuro para os próximos anos.

Sobre o mercado oriental, existe muita procura por conteúdo asiático no Ocidente? E que planos existem em localizar algum desse conteúdo?

Nós sabemos que na Europa há um apetite por títulos com uma cultura muito vincada. Nós, por exemplo, abrimos a Paris Games Week com o anúncio de Ghost of Tsushima, que foi muito aplaudido. E mesmo aqui temos Ni no Kuni 2, que ainda não saiu, e o próprio Dragon Ball FighterZ. Portanto, sentimos que há esse apetite e estamos com atenção ao que a comunidade procura, sendo algo cirúrgicos nesse sentido.

E quando sai a Playstation 6?

JL: (Risos)

Pronto, e a 5?

JL: (Mais risos) Não temos qualquer indicação sobre isso. Mal seria, como é que estávamos a comunicar isto tudo (aponta para o stand da Sony), tendo já outra coisa na cabeça? Não faz sentido.

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Pronto, podem ficar descansados: a PlayStation 5 ainda está longe! Mas não garantimos nada em relação à 6…

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