À Conversa com Tio Atum

Depois de termos falado com Francisco Santos, estudante e fundador da Duckling Studios, que está ainda a dar os primeiros passos na produção do seu jogo, chegou a hora de ver o outro lado da produção nacional e perceber como funciona um estúdio que já viu a estreia do seu projeto de longa data. A Tio Atum é uma das produtoras mais populares na produção portuguesa e a sua equipa composta por membros ativos da nossa comunidade – Afonso Cordeiro, Miguel Rafael e Miguel Cintra.

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A equipa da Tio Atum, no Lisboa Games Week.

Greedy Guns, que conta com uma campanha de Kickstarter de sucesso, já está disponível para PC e tem as versões para consolas no horizonte. A Tio Atum começa assim a dar passos para a criação de um ecossistema mais viável para os estúdios e para a própria produção em Portugal, com a cobertura internacional a ser muito positiva. Mas o que irá o futuro trazer a esta produtora de Lisboa? E de onde veio o nome Tio Atum? Nós temos as respostas!


Como gostamos tanto do nome, não resistimos em começar a entrevista por perguntar o que vos levou a escolher o nome “Tio Atum”.

Queríamos um nome bem português, mas que pudesse ser lido facilmente por malta no estrangeiro. Por isso nada com “ch” ou “ç”. Basicamente juntámos uma data de palavras que achámos divertidas e as melhores combinações, e pesquisámos no Google para ver se aparecia alguma coisa concorrente (nesta ou noutra industria). Tio Atum cumpria todos os requisitos.

A paixão por videojogos começou cedo ou foi algo que foi surgindo com o vosso percurso académico e experiência profissional?

 Desde cedo. Da minha parte (Miguel Rafael), nunca pensei em trabalhar em videojogos, mas quando a oportunidade surgiu, agarrei-a.

Qual foi o vosso conceito/objectivo para Greedy Guns?

Pegar num género que gostamos e criar qualquer coisa divertida, ridícula, cheia de acção. Queríamos algo mais ambicioso que os nossos jogos mobile até então, que eram divertidos mas pequenos.

E foi concebido sempre como um “metroidvania” ou existiram alterações de design ao longo dos anos?

Começámos com Metroidvania e shooter, depois descobrimos como fazer o combo entre os dois géneros. Mas mesmo assim existiram alterações, cortes, adições inesperadas. É sempre assim na produção de jogos.

A produção de Greedy Guns passou por uma campanha de crowdfunding que, felizmente, acabou com um resultado muito positivo. Acreditam que esse pode ser o futuro para os estúdios nacionais onde a criação de apoios públicos e/ou independentes permitirão a criação de projectos mais arriscados?

Crowdfunding é uma via mas não acredito que seja a melhor. A Tio Atum tem a sorte de ter uma comunidade apaixonada que cresceu durante estes 5 anos, mas mesmo o nosso Kickstarter não chegava para cobrir todos os custos de desenvolvimento de Greedy Guns. Nem sei se a comunidade lusa é suficiente para se juntar numa campanha do género e financiar um jogo. Por isso é preciso chegar a outros públicos, o que é mais complicado estando aqui no nosso pequeno rectângulo. Resumindo – crowdfunding é tudo acerca de comunidade e alcance, e por mais apaixonados que sejam os gamers lusos, para financiar um jogo é preciso chegar mais longe.

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A Tio Atum acabou a sua campanha no Kickstarter com 11,653 libras, ultrapassando o seu objetivo de 10,000 libras. A campanha foi apoiada por 535 backers.

O futuro para devs tugas, na minha opinião, é assegurar financiamento estrangeiro. Lá fora, os investidores estão mais educados para o potencial dos videojogos e mais rápido vêm o valor.

Sentem que existem apoios suficientes para a produção nacional ou que ainda existe muito para fazer nesse campo?

Ui! Ainda ontem estava a ver os créditos de um filme no cinema e li algo tipo “made possible by Italy tax credits”. O mercado está cheio de grandes jogos que receberam benefícios estatais, basta ver as produtoras do Canada, Polónia, Reino Unido. Isto é especialmente importante para pequenos estúdios, que ainda têm poucos recursos para competir num mercado internacional. Em Portugal, criar uma produtora de jogos é especialmente complicado, porque abres a empresa hoje e só daqui a 3 anos é que tens um produto, não é como abrir uma loja ou um serviço, em que começas a facturar quase imediatamente. Portugal ainda tem muito que crescer neste sentido, e é bom que o faça rapidamente.

E o público português? Pensam que existe o apoio necessário ou acreditam que as produções nacionais ainda são vítimas de preconceitos?

Zero preconceito! Tratam-nos muito bem. Sentem-se felizes por verem jogos bons feitos em Portugal!

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Os membros da Tio Atum a aperceberem-se que não conseguem chegar ao fim do seu próprio jogo.

Sabemos que ainda é cedo para perguntar, mas já começam a pensar no vosso próximo projecto?

Claro. Vai ser um clone do Candy Crush Saga, mas num ambiente first person e para Sega Saturn. Ou então vai ser outra coisa qualquer. Fiquem atentos ao nosso Facebook!

Não podemos acabar a entrevista sem fazer a pergunta da praxe: Quais são os vossos videojogos favoritos?

Acho que sei de cor, por isso nem vou perguntar a malta!

Afonso Cordeiro – Ultima VII

Miguel Cintra – Super Mario World

Miguel Rafael – Jet Set Radio

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