Monster Hunter Stories | Glitch Review

A Capcom deixou os caçadores de parte para se aventurar uma vez mais pelo género RPG. Agora sem as caçadas tradicionais da série, Monster Hunter Stories dá-nos uma campanha mais tradicional e focada quase unicamente na exploração e combates entre monstros, onde o nosso objetivo não é matar, mas sim domesticar os nossos adversários. Preparem-se para um Pokémon com dragões enormes e armaduras exageradas!

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Monster Hunter Stories não demora a impressionar-nos com os seus cenários extensos e detalhados, onde o estilo cel-shaded se apresenta em perfeita comunhão com os modelos cartoonesco e uma performance imaculada na New Nintendo 3DS. Apesar de encontrarmos alguns (e inevitáveis) popups, o jogo corre sem problemas e mantém um equilíbrio saudável entre a exploração dos mapas mais apetrechados e os corredores lineares das masmorras.

Os modelos são vibrantes e a aposta acertada na cor revelam um jogo que nos agarra desde o primeiro momento. É certo que emana o charme e nostalgia de um desenho animado das manhãs de sábado, mas Monster Hunter Stories vai mais além ao conseguir redesenhar anos e anos de progresso de uma série amada pelos fãs, sem perder a base que a tornou tão importante. Todos os monstros assumem novos modelos, mas nenhum deles perde a sua alma.

O mesmo não se pode dizer da sua estrutura e jogabilidade. Ao contrário dos restantes títulos da série, Stories dá-nos uma experiência mais focada e linear, assumindo um formato mais clássico e próximo dos RPG orientais. Há algo que se perde nesta passagem para uma campanha mais controlada e condicionada pelos clichés do género, mas o humor e leveza dos diálogos conseguem compensar certos problemas narrativos que facilmente encontramos.

Não jogamos Monster Hunter pela história, mas aqui é impossível contornar um problema que se torna mais visível à medida que avançamos. É divertida, acessível e certamente pensada para os mais novos, mas a narrativa apresenta-se mais como ruído branco do que essencial para a nossa experiência. Talvez seja melhor ficarmos pelos menus com missões.

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O mundo, por sua vez, é muito detalhado e completo, ainda que as cidades se resumam às lojas e eventuais missões secundárias.

A falta de imaginação mantém-se na jogabilidade, onde Stories se assume claramente como um meio-termo entre Yo-Kai Watch e Pokémon. O objetivo é o mesmo: explorar os mapas em busca de itens e capturar todos os monstros que consigamos. Existe, no entanto, uma alteração que deve ser louvada. Ao contrário de Pokémon, aqui temos de encontrar os ninhos dos vários monstros e roubar sorrateiramente – ou através de combates diretos – os ovos dos nossos alvos. Com os ovos em nosso poder, só precisamos de os chocar e domesticar o nosso novo companheiro de batalha, que poderá também servir de transporte e desbloquear novas áreas através das suas habilidades únicas.

Os combates não tentam inovar e colocam-nos em batalhas onde impera o clássico “pedra-papel-tesoura”. Cada ataque tem uma fraqueza que devemos explorar para infligir maior dano aos nossos inimigos e aumentar as nossas hipóteses de realizarmos um ataque especial. A nossa personagem assume também um papel de destaque nas batalhas e, tal como os monstros, está munido de habilidades especiais que podem atribuir melhorias momentâneas ou ajudar-nos a contra-atacar mais eficazmente.

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Só poderemos utilizar um monstro de cada vez, mas é possível alterar o nosso companheiro de batalha durante qualquer combate. E tendo em conta o sistema de “pedra-papel-tesoura”, preparem-se para o fazer várias vezes.

O sistema de combate jorra, tal como a estrutura da história, um classicismo difícil de ignorar. Aqui não existem novidades e mesmo com a presença de habilidades especiais e dos vários tipos de monstros – cada um com as suas forças e fraquezas -, os combates pouco mudam ao longo das dezenas de horas de jogo. Apesar dos seus problemas, é refrescante ver a Capcom a regressar a um género que parecia ter abandonado desde o lançamento de Breath of Fire: Dragon Quarter.

Monster Hunter Stories pode não ser inovador, mas é viciante quando todos os seus elementos se conjugam e nos colocam em busca de mais um monstro ou daquele item raro que precisamos para melhorar a nossa armadura. É aqui que o jogo brilha, sem história ou outros entraves, onde a jogabilidade pouco inspirada ganha uma força inesperada e nos coloca numa demanda quase interminável pelos seus mapas extensos. O mundo torna-se ainda mais aliciante e interessante, mas é uma pena sentir que tal só acontece quando nos desligamos da narrativa e da sua progressão.

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O jogo pode não ter um modo cooperativo, mas tenta compensar essa falha através de batalhas PVP. No entanto, fica a vontade de ver algo mais profundo e completo numa possível sequela.

Monster Hunter Stories não é para todos – e aqui até incluo os fãs da série. É um RPG clássico que consegue incorporar algumas das mecânicas que marcaram os títulos anteriores – como as batalhas contra monstros gigantescos, a construção de melhores armas e armaduras, e a presença de inúmeras missões secundárias – mas sem nunca perder a estrutura do género em que se insere. É clássico, formuláico e por vezes desinteressante, especialmente no que toca aos combates lentos e sem-sabor, mas há aqui muito para amar e respeitar. Seja como um RPG para os mais novos ou como um “Monster Hunter Lite”, Stories prova que a série tem muito mais para dar e, quem sabe, se não veremos mais após o lançamento de World no PC e consolas.

Nota 7
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Nintendo Portugal.

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