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Agents of Mayhem | Glitch Review

Primeiro apareceu como um “simples” clone de jogos como GTA, mas no final da geração passada, Saints Row, conseguiu estabelecer-se como um IP com a sua própria identidade e um mundo tão vasto que até tem direito a um spin-off: Agents of Mayhem.

Quando tropecei no anúncio de Agents of Mayhem, a minha primeira reação foi um enorme bocejo. Por alguma razão meti na cabeça que este jogo seria um MOBA igual a tantos outros que conseguiram enjoar a indústria sem ninguém ter pedido que existissem tantos deles. Isto aliado ao facto de ser um spin-off de Saints Row, o meu interesse não só era nulo como não vi nada que me fizesse ultrapassar a minha primeira impressão negativa. Mas felizmente estava errado.

Agents of Mayhem é um jogo “open-world” sem multijogador e sem foleirices sociais. Sim, continua a pertencer àquela série que nada me diz, mas o tratamento que deram ao material está longe de ser foleiro (aos meus olhos).

Uma maneira melhor de descrever Agents of Mayhem será: é um jogo ao estilo de Crackdown ou Sunset Overdrive com a apresentação dos antigos Saturday Morning Cartoons como M.A.S.K. e GI Joe, e tudo isto com uma boa dose de humor adulto algo questionável.

Hilariante! Certo?

Agents of Mayhem tem algum charme, ainda que algumas vezes seja um pouco fácil e até forçado, mas tem estilo suficiente e muitas cinemáticas animadas por desbloquear que são uma delícia de assistir e que nos motivam a continuar a jogar.

Em Agents of Mayhem, não controlamos só uma personagem, mas sim um grupo de estereótipos e clichés de heróis facilmente encontrados noutros jogos. Temos um ator de filmes para adultos que agora é espião, uma pirata latina com amor por armas, uma cientista indiana com a pontaria do Hawkeye, um ex-soldado soviético transformado em monstro de gelo e muitos, muitos mais… percebem a ideia.

É a troca em tempo real de três personagens, que podem ser escolhidas antes de cada missão, onde encontramos quase toda a variedade na jogabilidade e nas mecânicas de jogo. Cada uma tem armas e movimentos ajustados às suas personas e habilidades desbloqueáveis, que facilmente substituiriam o arsenal disponível num jogo onde só se controlaria uma personagem.

Por alguma razão a melhor personagem do jogo está bloqueada com pré-reserva :\

Agents of Mayhem ganha assim alguma diversidade. Com a capacidade de todas as personagens estarem dotadas de um triple jump, a transversalidade do mapa torna-se divertida e viciante, especialmente se começarmos a apanhar itens. Se andar a pé não é o vosso forte, podem sempre chamar o vosso carro inteligente e personalizável e entrar nele em grande estilo.

De notar que não há um mapa no nosso ecrã, nem um abuso de notificações e ícones, o que nos dias de hoje é uma lufada de ar fresco. Em vez disso, o jogo é bastante direto na sua abordagem às missões, onde num computador central, localizado no nosso quartel-general, podemos escolher o que queremos fazer na cidade de Seoul, e ir rapidamente ao ponto destacado. Fácil.

Infelizmente, é aqui que surge um dos grandes problemas do jogo: o modo como acedemos a algumas das missões mais interessantes e que dão acesso a muitas das personagens que podemos controlar, na categoria de missões secundárias. O progresso da campanha principal está feito de maneira a que um jogador mais distraído não explore todas as vertentes do jogo.

O que não falta neste jogo são explosões super satisfatórias.

Ao longo do jogo, as missões também se podem tornar algo repetitivas, com espaços interiores a parecerem reciclados, missões de captura de torres com estruturas muito semelhantes, e uma cidade, que apesar de bonita, futurista e cheia de neons, tem pouca vida.

Ao nível técnico, Agents of Mayhem sofre de alguns problemas que me fizeram torcer o nariz. Na PS4 original, onde jogámos, o frame rate flutua que nem um louco, e tão depressa parece que estamos a jogar a 60fps como há momentos em que estamos claramente abaixo dos 30fps. É inconsistente, mas ainda assim jogável. Se forem picuinhas, é bom que fujam de Agents of Mayhem até isto ser resolvido.

A cidade para além de vazia leva a palavra “fantasmagórica” à letra, com problemas de pop-up tão grandes que circular pelas ruas pode ser um desafio extra dentro do jogo. É extremamente regular aparecerem ou desaparecerem veículos mesmo à frente dos nossos olhos, ou vermos edifícios a mudarem de forma constantemente. No entanto, estes problemas são mais aparentes quando viajamos no nosso veiculo.

Apesar de alguns problemas técnicos, da repetição ao longo do jogo, e de ter uma estrutura que podia ser melhorada, Agents of Mayhem revelou ser bem melhor do que esperava. É divertido, tem piada, faz referências e paródias a outros IPs a torto e a direito sem parecer forçado, etc… É também uma surpresa agradável, especialmente se pensarmos na saturação de jogos de mundo aberto e do quanto faz falta este subgénero livre de compromissos e de maratonas para coleção. É um jogo que me tem feito voltar a jogar mais um par de missões sem remorsos e sem sentir saturação. E isso sim, é de louvar.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Ecoplay.

David Fialho Ver todos

É geek, é jogador, gosta de novas tecnologias e tem a mania que sabe opinar sobre algumas coisas.

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