Knack 2 | Glitch Review

Depois de uma receção muito morna, durante lançamento da PS4, Knack tornou-se um uma espécie de jogo de culto e um alvo de gozo por parte da comunidade de jogadores. Este sentimento foi elevado quando, do nada, durante a E3 a Sony anunciou a sua sequela, Knack 2.

Knack 2 chega agora à PS4 com o objetivo de redimir esta série, enquanto, tal como o primeiro, tenta tirar partido das capacidades da consola. Infelizmente mantém-se um jogo mediano, mas com uma razão lógica de existir.


Porquê? Porquê Knack 2? Porque não Bloodborne 2? Ou o Driveclub 2? Ou outro jogo qualquer? Porque o Knack? A única explicação que encontro, e a qual eu consigo imaginar toda a equipa envolvida a dar, é que é um jogo feito para crianças. Como eram os antigos jogos de plataformas 3D, como o Crash Bandicoot, o Spyro, o Crock, Banjo-Kazooie, entre outros. E foi, em parte, com este mindset que me atirei ao jogo.

Também me atirei a Knack 2 com alguma curiosidade. Não tendo jogado o primeiro jogo e depois de ouvir “maravilhas” a nível de conteúdo e performance, quis entrar na brincadeira e descobrir este mundo que a Sony ainda não quis oferecer no PS Plus. #shame.

Knack 2, no geral, não é um mau jogo. Numa primeira impressão diria até que era bom. Knack é o nome da personagem que controlamos, um pequeno ser-vivo composto por fragmentos e que tem o poder de alterar a sua forma e tamanho para ultrapassar obstáculos ou derrotar os inimigos. Os controlos são simples o suficiente para qualquer jogador pegar no comando, e são profundos o suficiente para o jogador mais dedicado avançar no jogo e desbloquear as habilidades numa skill tree. Até aqui, tudo supimpa!

Knack 2
Saltos, murros e pontapés. Tudo o que precisam de saber.

Uma das críticas mais frequentes que eu encontrei por essa Internet fora, foi a triste ironia de que  Knack (o original), apesar de ser um título de lançamento, que iria testar os limites da PS4 com os seus efeitos e quantidade de objetos do ecrã, na realidade revelou-se ser um pouco cáca. Com taxas de frames abaixo dos 30FPS, imensas quebras entre outros problemas técnicos.

Knack 2 não está livre de alguns problemas, mas já lá vamos. No que toca a performance, este é um título que vem com o selo de optimização para a PS4 Pro. Apesar de ter jogado apenas na minha PS4 Slim de plebe, achei o jogo extremamente fluido e sem quebras. Nos menus existe até uma opção de trancar os 30FPS, que quando não esta ligada mostra um jogo que deve flutuar ai na casa dos 40-50fps nesta plataforma, levando-me a crer que, quando a opção está ligada, os 30 são constantes. Da minha parte não tive razão de queixa.

Knack 2
Este é o Lucas. E vai-te roubar a alma se o olhares diretamente nos olhos.

Mas já tive razão de queixa noutros aspetos. Começando pelos visuais e pela arte do jogo. Ainda que não tenha dado grande atenção ao material promocional do jogo, quando o vi antes de jogar, pareceu-me decente, nada de relevante a comentar. Mas quando no jogo me apresentam as primeiras personagens humanas, eu senti medo, confusão e algum fascínio. Mesmo com o seu aspeto cartonesco acho que há algo de muito errado com as caras, especialmente os olhos das personagens principais. São tão grandes e assustadores. Isto aliado às animações muito fluidas e humanas, de personagens com corpos semelhantes a hobbits. Algo em mim diz que algo aqui está errado.

O segundo aspeto negativo que encontrei em Knack 2 tem a ver com a progressão narrativa do jogo e a sua qualidade. Não há nada de especial em Knack 2 em termos de história, é relativamente simples e suporta bem as razões pelas quais vamos navegando de região em região. No entanto há a sensação que a equipa da Japan Studio tentou demasiado ao  encher chouriço nas suas cinemáticas altamente expositivas e ao injetar diálogos cuja escrita e performance são o equivalente da encontrada na popular série da TVI, Inspetor Max.

Knack 2
Também houve notas tiradas ao Batman Forever, como por exemplo quando o Knack diz “Ice is Nice” quase a piscar para a câmara .

Por falar em cinemáticas, sabem o que era interessante? Que funcionassem. Foram várias as vezes me que, após terminar um nível, era confrontado com um ecrã negro durante alguns segundos antes de passar para o nível seguinte, em vez da respetiva cinemática expositiva. Apesar de poder quebrar o jogo, nada que um reload ao nível ou um futuro patch não resolva.

Knack 2 introduz uma novidade face ao original, o modo cooperativo. Para poder jogar com outro jogador é tão simples como ligar o comando (já com um perfil carregado) e carregar em X, e voilá! Temos dois Knacks no Knack 2! E este é o modo como deve ser jogado. Todos os desafios, puzzles, inimigos, caminhos secretos e afins, parece terem sido desenhados com o coop em mente. Felizmente pude jogar uma grande porção de Knack 2 em modo cooperativo e posso dizer que foi legitimamente divertido, transformando os pequenos problemas e cenas embaraçosas em momentos de risadas que levam os jogadores a jogar só mais um nível.

Knack 2
Seja em puzzles ou combos em luta, Knack 2 foi feito para ser jogar em Coop.

No reverso da medalha temos o regresso ao jogador singular. Knack 2 tem vários modos de dificuldade, dos quais eu escolhi o Normal. No que toca a este nível de dificuldade, eu acho que o The Witcher 3 no seu Death March não era muito mais difícil do que alguns encontros com inimigos normais no Knack 2. Eu morri vezes sem conta e não é foi por jogar mal (não foi, juro, não sou assim tão noob), foi por o quão impiedosos eram os bichos, ou pelos timings e aberturas de alguns caminhos e plataformas que requeriam toda a minha precisão e atenção. Claro que a dificuldade pode ser alterada, mas olhando para o facto de ser um jogo dirigido a um publico mais juvenil, achei o modo Normal (especialmente se jogado a solo), relativamente difícil. E muito honestamente não estou a ver um jogador hardcore a jogar o Knack 2, muito menos em Muito Difícil (mas eles existem para aí!).

A pecar fica também na densidade dos níveis, que a maior parte do tempo são pequenas arenas despidas e cheias de vazio, apenas populadas com bichos para matar e algumas pedras para derrubar.

Voltando a questão inicial do “Porquê o Knack 2?”, continuo convicto que seja por causa da pequenada. Numa indústria saturada de simuladores, jogos ultra violentos, shooters, RPGs, entre outros, são necessários jogos um pouco mais acessíveis e coloridos. Não há mal nenhum nisso, independentemente de levarem 3/10 ou 10/10 pela crítica.

Knack 2 aparenta ser uma melhoria em relação ao que eu julgo que seja o primeiro. No entanto não é o jogo com a força que a Sony queria que fosse, não é uma killer app que vai vender consolas ao pontapé, não é o jogo que eu recomendaria aos meus amigos e diria que falha, em parte, até para as os jogadores mais novos.

Knack 2 consegue ser divertido, é uma opção. Para ser jogado especialmente a dois, quer seja com com amigos, almas gémeas, primos ou filhos, etc, pode ser um jogo interessante para ter a jeito na prateleira.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Sony.

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