Absolver | Glitch Review

Absolver é o primeiro projecto da Sloclap, um jogo de artes marciais na linha de Dark Souls, com um mundo decadente com poucos NPC dispostos a oferecer informação clara e muitos com o único objectivo de o derrotarem, e For Honor, com um sistema de combate que exige precisão e se aproxima mais das mecânicas e do design tradicional de jogos luta do que de acção ou RPG. Sim, há um mundo aberto, pontos de experiência, armadura e equipamento, mas Absolver é um jogo de luta com elementos RPG, não o contrário.

Absolver_Selo_Análise

O mundo e a história de Absolver servem como um tutorial prolongado, mas existem principalmente para o PvE e como lobby (no templo central) para duelos PvP. Há a possibilidade de jogar offline, mas certos aspectos de Absolver exigem interacção com outros jogadores, como a criação a participação em escolas de combate. Esta vertente social oferece uma dinâmica interessante, mas nas primeiras horas (ou mesmo ao longo da totalidade da história) é aconselhável jogar offline para evitar potenciais trolls à procura de novatos para espancarem.

A originalidade de Absolver está na capacidade de determinarmos o nosso próprio estilo de luta, criando combinações únicas de golpes no que o jogo chama Combat Decks. É este o foco de Absolver, aprender novos truques e expandir o catálogo de técnicas, e é o que dá profundidade ao jogo. As mecânicas de combate em si são simples, com apenas dois botões de ataque, um de evasão e o analógico direito para uma técnica de defesa que dependerá do estilo de luta escolhido no início. É na execução e na criatividade dos Combat Decks que está a complexidade e (confesso) o vício.

NO MODO ONLINE, PARA ALÉM
DOS NPC, ABSOLVER PERMITE ATÉ
TRÊS JOGADORES EM SIMULTÂNEO

Absolver não é um jogo fácil. Os novos golpes aprendem-se a defender ou desviar com sucesso contra os mesmos, mas só se sairmos vencedores do encontro. Quem foge ou morre perde o progresso de aprendizagem dos golpes que tenha aprendido nessa luta. O conceito é engenhoso e força-nos a sair da zona de conforto. A situação torna-se mais difícil contra múltiplos adversários, uma vez que o jogo pode ser impiedoso, e tanto o ataque e a defesa dependem da mesma barra de stamina. Isto obriga-nos a encontrar um equilíbrio, e ao mesmo tempo evita que qualquer jogador se feche em copas indefinidamente à la Conqueror de For Honor. É bom ver que a Sloclap estudou o género e as pragas que o assolam e arranjou uma solução elegante.

Como outros sucessos indie (The Banner Saga, The Flame in the Flood e Hellblade: Senua’s Sacrifice, por exemplo), Absolver foi produzido por equipa com experiência em lançamentos AAA, e isso nota-se. A abordagem visual imprime identidade no mundo e nas personagens, a direcção sonora capta o fantástico e realça a solidão com silêncios e faixas subtis, e a jogabilidade está o mais afinada possível, com um sistema de combate que equilibra a simplicidade de mecânicas e um potencial de complexidade imenso. Há um sentido de personalidade e de detalhe em Absolver que nem todos os AAA assumem, próprio da produção independente nas mãos de produtores com experiência em grandes estúdios.

Contudo, a cena indie também tem limitações. De momento, Absolver não tem muito para oferecer em termos de conteúdo para além da história curta em jeito de tutorial e do PvP em modo 1v1. Estão prometidos novos estilos de combate, golpes, equipamento e um modo 3v3 em DLC gratuito, mas não há informação sobre quando isso poderá acontecer. O mais premente, no entanto, é o lag no PvE (e correcções várias). Servidores melhores estão para breve, diz a equipa. Fica ainda a informação de que versão PC corre a 60fps e a da PS4 está limitada aos 30, o que, pessoalmente, não me fez diferença. Há ainda a questão do mapa propositadamente ambíguo, que se pode tornar frustrante quando nos perdemos, a câmara que tende a não ajudar em locais confinados, e a incapacidade de mudar de Combat Deck entre duelos (este último ponto é algo já na mira da Sloclap).

Contas feitas, o sucesso a longo prazo de Absolver vai depender da comunidade e do apoio pós-lançamento que receber da Sloclap. A verdade é que por muita falta de conteúdo e ainda que com lag no PvE, tenho perdido horas no mundo em modo offline e o PvP funciona sem soluços. Os combates são intensos e há momentos que nem coreografados sairiam tão bem, como uma rasteira contrariada por um rotativo no ar. Este é um título para quem tem gosto por artes marciais e jogos de luta, não para button mashers, mas para quem domina o ritmo de cada golpe e transforma o combate numa dança. Apesar das limitações presentes e das suas falhas, Absolver tem identidade própria, e mecânicas e um design sólidos. O que quer que a Sloclap traga, seja conteúdo ou melhorias, daqui a uma semana ou três meses, estarei cá para ver. E acho que isto diz muito de um jogo hoje em dia.

Nota 7
A escala utilizada é de 1 a 10

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