Greedy Guns | Glitch Review

Greedy Guns esteve 4 anos em desenvolvimento e chega agora ao PC (Steam). Nós aqui no Glitch não seguimos a Tio Atum desde tão cedo, mas ficámos apaixonados assim que conhecemos este projeto. E após ter jogado Greedy Guns, posso dizer que estou muito contente com o resultado desta equipa portuguesa.


Greedy Guns é um metroidvania especial. Não só porque é português, mas porque cumpre o prometido e tem um potencial enorme para futuros jogos do género.

A produtora Tio Atum soube bem o que queria criar e o resultado é um jogo sólido, refinado e contido. Na sua página oficial surge a pergunta “Como explico Greedy Guns a minha mãe?” E a resposta é “É Mário com uma arma. Bang bang. OK?” E julgo que é uma descrição bastante simples, pelo menos a nível mecânico.

O primeiro nível apresenta-nos os controlos básicos, compostos simplesmente por movimentos e disparo omnidirecional. A partir dai é deixarmo-nos levar pela sua história e pelos encontros contra inimigos.

A diversão costuma ser boa quando as coisas são simples e este foi um dos aspetos que mais gostei em Greedy Guns. Apesar de haver momentos em que temos de usar outras partes de um nível e explorar zonas secretas, a sensação de progressão com mecânicas simples é interessante o suficiente para continuar a jogar e a ganhar dinheiro, a desbloquear imensas armas e a repetir áreas quando se morre.

O arsenal é enorme e a escolha de arma pode mudar a dificuldade perante alguns inimigos.

Os encontros com os inimigos são desafiantes e inteligentes, especialmente nas batalhas com bosses, que se dividem em confrontos tradicionais com pontos fracos e momentos ao estilo de bullet hell em que o timing de desvio é chave. Em situação alguma achei estes momentos incrivelmente difíceis ou demasiado fáceis, muito equilibrados. O mesmo acontece com os inimigos ao longo dos níveis, que se atiram a nós como zombies em The Walking Dead, mas mais uma vez a jogabilidade suporta estes momentos muito bem, com desvios cheios de estilo e headshots que nos fazem sentir como uns badasses. Contudo, encontrei situações em que os checkpoints não obrigavam a repetir áreas mais delicadas, mas não é o fim do mundo.

Não! Eu não sou noob… Raios parta os sapos. 😦

Também se nota uma grande solidez na apresentação geral de Greedy Guns. A arte é charmosa e colorida, o design das personagens e NPCs combinam com o tom, e o setting do jogo e as animações são super fluídas. Acima de tudo, nada parece barato, como o que costuma ser, com alguma frequência, em jogos independentes deste género.

Algo que tenho que destacar em Greedy Guns é o seu storytelling, mais especificamente o texto nos balões de conversa. Greedy Guns é um jogo português  e como tal, para mim, faz todo o sentido joga-lo na minha língua e foi com alguma alegria que vi uma linguagem com piada e realista, sem clichés ou melodramas e piadas forçadas, mas sim com uma abordagem quase de conversa de mensagens de Facebook.

Apesar do seu nome, Greedy Guns deixa que a campanha seja partilhada entre dois jogadores, o que muda consideravelmente a experiência. Basicamente, torna o jogo duplamente divertido.

Coitado do Bob, mal sabe ele que é a personagem de um videojogo.

No entanto, houve alguns pormenores que não caíram nas minhas boas graças, como por exemplo a música. Embora não o imagine num estilo diferente, já que os chiptunes são quase a trademark do género, teria gostado de ver melodias mais arrojadas, menos repetidas. E os controlos com comando conferem uma camada de dificuldade ao jogo, já que não temos a precisão do rato. Mudar para o combo teclado/rato transformou consideravelmente a minha experiencia de jogo.

Greed Guns é um jogo contido e divertido. Mistura elementos de jogos como Metroid, Contra, Super Mario e outros jogos 2D clássicos, e pode conseguir destacar-se dos demais se tiver a exposição devida. Mas devo dizer que peca pela oportunidade de não ter Atum no nome, por isso espero que a produção resolva este problema na sequela. Algo como Greedy Guns 2: The Atum Awakens, ou algo assim.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Tio Atum.

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