Por amor aos jogos, joguem Nier: Automata

Se eu pudesse impingir Nier: Automata a toda a gente que me aparecesse a frente, eu iria ser mais chato que os senhores que batem de porta em porta para partilhar a palavra do senhor.

Depois de me fazer ao bife aos titãs da Playstation 4, como Horizon: Zero Dawn, Uncharted 4, e The Last Guardian, os quais adorei para caraças, apareceu-me um jogo japonês, feito por um gajo com cabeça de lua e com fetiches por french maids, que me trocesse a cabeça e o coração. E porquê? Porque o Nier: Automata é do caraças. Ponto.

Não quero tornar esta peça de opinião banal numa análise. Não estou aqui para esse fim. Estou aqui para tentar convencer os nossos leitores, e restantes membros do GLITCH que ainda não têm o jogo. Menos o Canelo, que é um fixe e já se atirou ao animal.

É estranho mostrar-me empolgado e sentir esta necessidade em partilhar o meu entusiasmo com Nier: Automata. Por um lado, porque senti alguma peer-pressure de um grupo de amigos para o jogar, por outro porque é mesmo difícil de falar deste jogo sem entrar em pormenores narrativos.

Então, mas porque gostei eu de Nier: Automata? Só porque “é do caraças” não chega. E é verdade, não chega. Como para Yoko Taro não chegava apenas um final, ele dá-nos um jogo com tantos finais diferentes como letras do alfabeto latino. Que são 26, já agora.

Entre as várias razões pelas quais gostei de Nier: Automata, estranhamente, não se destacam as curvas da nossa protagonista, nem o modo como dança em combate de modo sugestivo, com classe e com níveis de badassery que rebentariam o leitor de poder do Vegeta.  Nier: Automata destaca-se simplesmente o facto de ser um videojogo a ser um videojogo. Simples.

Talvez seja esta coisa de não estar habituado a jogos de autor, principalmente vindos do oriente, mas nesta geração tenho absorvido estas historias mais conceptuais de um modo diferente, e têm sido experiências fenomenais. Em momento nenhum, durante as minhas 90 e tais horas, já depois de ter platinado o jogo, me senti aborrecido. Apesar de não ser um jogo muito variado, e honestamente repetitivo em certos aspetos dos quais não quero agora falar – mas que posso dar a entender (wink wink) -, Nier: Automata está constantemente a fintar-nos com diferentes mecânicas de jogabilidade que interferem na narrativa, com o audio e com o impacto emocional quer das personagens, quer do jogador.

É este elemento quase meta, que utiliza ferramentas inteligentes para nos deixar intrigados e com o coração nas mãos, que me deixa de barriga cheia. Jogos ditos open-world são fantásticos para “se ir jogando” e são poucos os que se destacam com uma historia motivante e que nos envolva ao longo da sua jornada. São também poucos aqueles que nos brindam com momentos de jogo diferentes e inovadores, e ainda são menos aqueles que nos deixam quebrar ou estabelecer as nossas próprias regras. Nier: Automata, destaca-se por conseguir ser dos poucos que aproveita todos estes pontos.

Admito que não é dos jogos mais “bonitos” desta geração, principalmente quando falamos num semi-exclusivo para a Playstation 4 (e PC), mas a beleza do jogo está na sua apresentação audio-visual. Com tons de cor adaptadas às diferentes áreas, uma mistura de músicas e efeitos sonoros tão sublimes que existem momentos em que parece estarmos num jogo de ritmo, onde as personagens são ricas em detalhe, tanto a nível visual como de carácter.

Sendo Nier: Automata  uma sequela de Nier para Playstation 3 e Xbox 360 fiquei a ponderar se deveria pegar nele. Porque ainda antes do fim já queria mais. E não foi por querer saber coisas que pudessem ter ficado de fora, ou por querer ficar a saber mais deste mundo. Só queria mesmo mais deste género. Preferencialmente nesta geração (aceito sugestões que não sejam Yakuza). O piscar de olhos ao original não surgiu como uma necessidade, mas sim como um desejo. E se Yoko Taro cumprir a promessa de trazer mais Nier para esta e futuras gerações, dependendo das vendas de Automata, por favor peguem no raio do jogo e abracem uma história que seria impossível em qualquer outro meio de entretenimento.

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